Cody Rhodes vs. Randy Orton na WrestleMania 42 (Sábado)
O evento principal da Noite 1 da WrestleMania 42 foi um confronto brutal, carregado de história, entre o Undisputed WWE Champion Cody Rhodes e seu antigo mentor Randy Orton, com Rhodes retendo o título em um desfecho caótico que o deixou inconsciente após um punt no pós‑luta. Longe de uma vitória heroica limpa, a luta terminou com Orton de pé sobre um campeão caído, passando a mensagem clara de que a rivalidade entre eles estava apenas começando.
CENÁRIO E CONTEXTO NA WRESTLEMANIA 42 NOITE 1
A WrestleMania 42 aconteceu em duas noites no Allegiant Stadium, em Las Vegas, com sete lutas programadas para a Noite 1 e seis para a Noite 2, mantendo o formato de duas noites que já se tornou tradicional na WWE. A Noite 1 foi carregada de estipulações e disputas de título — mas o ponto absoluto de foco do card foi Cody Rhodes vs Randy Orton pelo Undisputed WWE Championship. O show foi apresentado por John Cena e teve um clima de “grande luta” desde o six‑man tag de abertura até o evento principal, dando à noite inteira a sensação de que cada combate estava contribuindo para um clímax narrativo maior, ancorado naquele confronto de título mundial.
O card oficial da Noite 1 listava Rhodes contra Orton como uma luta simples de 1‑contra‑1 pelo Undisputed WWE Championship do SmackDown, mas as apostas emocionais e narrativas eram muito mais complexas do que um cenário básico de desafiante contra campeão. O evento principal veio ao fim de uma noite que já tinha visto caos, retornos, armas e trocas de título — incluindo a vitória violenta de Jacob Fatu no combate sem sanção contra McIntyre e o retorno surpresa de Paige (agora alinhada com Brie Bella) para conquistar o Women’s Tag Team Championship — o que ajudou a preparar o público para um main event que misturaria Wrestling e drama. Em outras palavras, quando Rhodes e Orton fizeram suas entradas, a plateia já havia sido condicionada a esperar reviravoltas, interferências e picos emocionais, e a WWE usou essa expectativa a seu favor na forma como estruturou o combate principal.
LEGADO DE RHODES E ORTON ANTES DA WRESTLEMANIA 42
As raízes de Cody Rhodes versus Randy Orton são profundas, remontando à época em que estiveram juntos na Legacy — um grupo dominante entre 2008 e 2010 que girava em torno de Orton como líder impiedoso e Rhodes como um de seus protegidos escolhidos a dedo. Mais de uma década depois, essa história em comum formou a espinha emocional da rivalidade deles na WrestleMania 42: Orton agora é um 14‑vezes campeão mundial em busca do 15º reinado, enquanto Rhodes, antes o jovem aprendiz, se tornou o rosto da empresa moderna e o porta‑estandarte como Undisputed WWE Champion. A longa amizade e o respeito mútuo entre eles foram mencionados repetidas vezes na construção da rivalidade — apenas para serem violentamente descartados quando Orton virou contra Rhodes no caminho até a Mania, transformando uma “luta dos sonhos” em um acerto de contas profundamente pessoal.
Essa traição ocorreu em etapas: primeiro, Orton garantiu sua posição de desafiante número 1 ao vencer o Elimination Chamber masculino, em que ele pinou Rhodes após uma interferência de Drew McIntyre abrir espaço para um RKO, momento que redefiniu a dinâmica entre eles de “rivalidade amigável” para traição oportunista. A direção respondeu obrigando McIntyre a defender o Undisputed title contra Rhodes no SmackDown, e Cody recuperou o cinturão, o que significa que as ações de Orton, ironicamente, criaram o próprio campeão que ele depois prometeu destruir. Uma posterior assinatura de contrato, que deveria ser um segmento formal e profissional, acabou se transformando em um ataque.
O CAMINHO ATÉ A WRESTLEMANIA 42: MCAFEE, JELLY ROLL E VIOLÊNCIA EM ESCALADA
À medida que a construção para a WrestleMania se intensificava, a história se expandiu para incluir Pat McAfee e o cantor de country Jelly Roll, que se tornaram partes fundamentais da narrativa do evento principal. Semanas antes da WrestleMania, a WWE revelou que McAfee era a figura misteriosa por trás de algumas ações de Orton; ele se alinhou abertamente com The Viper, afirmando que Rhodes estava “estragando o wrestling” e que tirar o título dele restauraria o tipo de brutalidade à moda antiga que Orton representa. McAfee deixou de ser apenas comentarista e se tornou cúmplice heel ativo, atacando Rhodes e até participando de um segmento em que ele e Orton espancaram Jelly Roll, que havia intervindo para defender Cody.
Em resposta, a rivalidade ganhou uma estipulação que elevou as apostas emocionais além do próprio campeonato: se Orton perdesse na WrestleMania 42, McAfee seria forçado a deixar o mundo da luta livre profissional. Essa condição transformou McAfee de um agitador de fundo em um homem com sua carreira pendurada no desempenho de Orton, explicando sua participação obsessiva antes e durante a luta. Ao mesmo tempo, a WWE deixou claro que Orton lutava com problemas reais nas costas, e a narração reforçou a ideia de que ele estava arriscando o próprio corpo em uma última corrida ao topo, o que adicionou uma camada às coisas deploráveis que ele fazia com Rhodes e qualquer um que estivesse em seu caminho.
CODY RHODES COMO CAMPEÃO ANTES DA LUTA
Cody Rhodes chegou à WrestleMania 42 Noite 1 como o Undisputed WWE Champion em exercício, tendo iniciado seu reinado mais recente ao derrotar Drew McIntyre e depois o defender em meio a uma construção caótica, cheia de interferências e ataques. A vitória sobre McIntyre no SmackDown que solidificou esse reinado específico só foi necessária por causa das manobras de Orton no Elimination Chamber, o que significa que este reinado de Cody, em certo sentido, nasceu da própria manipulação de Orton que acabou saindo pela culatra. De acordo com levantamentos de histórico de lutas, o evento principal da WrestleMania 42 marcou a quarta vitória geral de Rhodes na WrestleMania, levando seu cartel para 4–9, e 2–3 em main events, enfatizando que a história dele não é de domínio absoluto, mas de redenções difíceis e às vezes confusas.
Esse contexto era importante porque a WWE apresentou Cody não como um super‑herói invencível, mas como um campeão que ainda luta para solidificar seu legado, um homem cujo reinado poderia, bem realisticamente, ser interrompido por um predador veterano como Orton. O fato de esta ser a primeira vez em sua carreira que ele defendia com sucesso o Undisputed title na WrestleMania adicionou ainda mais pressão, apresentando o combate como uma encruzilhada entre consolidar seu status de rosto da companhia ou cair de volta ao padrão de “quase lá” que marcou boa parte da trajetória de Cody. Ao mesmo tempo, Orton perseguia seu 15º título mundial, o que significava que um homem lutava para consolidar um reinado, enquanto o outro caçava história — e essa dupla busca fez as apostas parecerem enormes antes mesmo do gongo inicial.
A MENTALIDADE E A APRESENTAÇÃO DE RANDY ORTON
Randy Orton chegou à WrestleMania 42 carregando peso tanto de história de personagem quanto de realidade: foi retratado como uma lenda com problemas nas costas tentando escalar de novo até o topo, mesmo enquanto seu comportamento com Rhodes, Jelly Roll e Pat McAfee o pintava como um vilão frio e calculista. Relatos em torno da luta indicavam que Orton realmente lidava com uma lesão nas costas, o que foi integrado à narrativa, já que ele era mostrado protegendo a região durante o combate, mesmo assim aplicando boa parte de seus golpes característicos. A narração e as análises pós‑show destacaram como ele parecia exausto e desequilibrado quando chegou à entrada após o combate, reforçando o desgaste físico do main event e adicionando uma sensação de vulnerabilidade por baixo de suas ações sádicas.
Ainda assim, mesmo fisicamente comprometido, a apresentação de personagem de Orton trouxe à tona suas versões mais sádicas de “The Viper”: este era o Orton que arruinava carreiras com punt kicks, manipulava talentos mais jovens e tratava amizade como instrumento descartável, não como laço genuíno. O fato de ele ter traído Rhodes — alguém que ele havia orientado nos tempos da Legacy — e depois o agredido brutalmente semanas antes da Mania com cadeiras e degraus de aço, transmitia a mensagem de que nada, nem mesmo o passado em comum, o impediria de perseguir o título. Quando se acrescenta a estipulação envolvendo McAfee e a insistência de Orton de que estava “salvando” o wrestling ao tirar o cinturão de Rhodes, sua retratação se torna a de um guardião de portão delirante, determinado a remodelar o cenário do main event à sua imagem, não importando o dano colateral.
CLIMA PRÉ‑LUTA E ENTRADAS
Jelly Roll, astro da música country, que havia sido puxado para a história por causa de agressões anteriores, apareceu ao lado do ringue para apoiar Rhodes, reforçando a ideia de que Cody tinha um apoio cultural mais amplo, além do círculo usual do wrestling. Pat McAfee saiu junto com Orton, atraindo de imediato reações negativas intensas e lembrando o público de que a estipulação colocava a sua carreira na luta livre na balança junto com o sucesso (ou fracasso) de Orton.
As entradas em si enfatizaram o contraste entre os dois: Cody veio apresentado como o campeão orgulhoso e em luta — um homem cujo visual passou a representar a imagem heroica moderna da WWE — enquanto Orton caminhou com a lentidão ameaçadora de um predador veterano, acompanhado pelo detestado McAfee. Antes mesmo do gongo oficial, já dava para sentir a divisão: um estádio amplamente a favor de Rhodes, mas ainda profundamente impressionado pela aura de Orton, uma dinâmica que continuaria durante o combate à medida que os fãs reagiam tanto à resistência de Cody quanto aos grandes momentos de Orton. Todos esses elementos combinados fizeram a luta parecer mais do que uma defesa de título rotineira; ela teve a apresentação de um choque geracional, “velha guarda versus novo ás”, diante de uma audiência global.
Antes mesmo do gongo soar, a história fez uma curva brusca em direção ao caos quando Pat McAfee atacou Cody Rhodes com um microfone, usando o momento pré‑luta para dar a Orton uma vantagem injusta e posicionando imediatamente o desafiante como alguém disposto a explorar qualquer brecha. Jelly Roll, que havia sido atacado por Orton e McAfee durante a construção da rivalidade, interveio ao lado do ringue para equilibrar as coisas, elevando a situação de um ataque isolado para uma briga mais ampla que transformou a área externa em completo descontrole. O confronto terminou com Jelly Roll jogando McAfee em uma mesa de comentaristas, um spot que efetivamente removeu Pat da beira do ringue e arrancou enorme reação do público, ao mesmo tempo que deixava claro que sua presença não desapareceria completamente da história.
Essa violência pré‑gongo cumpriu vários papéis ao mesmo tempo: concretizou a promessa de que figuras externas como McAfee e Jelly Roll seriam parte essencial da narrativa, deu a Rhodes uma vitória moral inicial ao ver seu aliado se vingar, e forneceu uma justificativa para o retorno posterior de McAfee como “árbitro substituto” depois que o oficial original foi derrubado. Também significou que, quando o combate começou oficialmente, tanto o público quanto os lutadores já estavam em um patamar emocional mais alto, já que Cody havia sofrido dano antes do gongo e Orton havia deixado claro que estava disposto a usar outras pessoas para fazer o trabalho sujo. Os comentaristas reforçaram esse ponto, retratando Rhodes mais uma vez como alguém que precisa superar desvantagens injustas no maior palco de todos, o que espelha elementos de outros arcos de main event na carreira dele.
A FASE INICIAL: RITMO METÓDICO E TRABALHO EM ALVO
Assim que o gongo finalmente tocou, a luta entrou em um ritmo lento e metódico que contrastou fortemente com a confusão frenética do pré‑luta, mas se encaixou perfeitamente nos personagens envolvidos. Orton, visivelmente vendendo a lesão nas costas, abordou os momentos iniciais de forma calculada, escolhendo os golpes com cuidado e sem pressa, mas Rhodes inverteu a lógica ao mirar justamente as costas lesionadas como ponto vulnerável, contrariando o padrão habitual de Cody de não focar tanto em um alvo específico. Essa escolha deixou a história mais sutil: Cody continuava sendo o herói, mas lutava com o pragmatismo de um campeão, atacando o que estava frágil para manter o título, ilustrando como sua mentalidade evoluiu de um babyface puramente “limpo” para alguém capaz de tomar decisões frias e inteligentes dentro do ringue.
Apesar do ritmo mais devagar, a atmosfera permaneceu tensa porque cada movimento parecia ter peso: golpes simples, irish whips no corner e chaves tinham impacto extra por causa do problema nas costas de Orton e do castigo que Rhodes havia sofrido antes da luta. Em um momento importante do lado de fora do ringue, Rhodes jogou Orton de encontro ao poste, abrindo um corte na cabeça do desafiante e introduzindo sangue no combate, o que deu um tom mais real à luta e reforçou visualmente a ideia de que ambos estavam sofrendo danos sérios. A narração destacou as caretas de Orton e a determinação de Cody, pintando um quadro de dois homens dispostos a suportar dor extrema, com Orton se apoiando em experiência e timing enquanto Rhodes tentava combinar explosões atléticas com um jogo de foco em alvo.
FASE INTERMEDIÁRIA: TROCAS DE GOLPES DE ASSINATURA E FINISHERS ROUBADOS
À medida que a luta avançou para suas fases intermediárias, o ritmo acelerou e a atenção se deslocou do simples trabalho de alvo para um festival de golpes de assinatura, contra‑golpes e near falls que exploraram tanto o arsenal quanto a história de ambos. Em uma sequência importante, Rhodes tentou aplicar um RKO em Orton — roubando o golpe mais icônico do mentor — mas Orton reverteu; mais tarde, The Viper devolveu a provocação acertando Cody com um Cross Rhodes, mostrando que os dois estavam dispostos a usar a identidade um do outro como arma. Essas trocas não eram apenas spots vistosos; funcionavam como dispositivos narrativos, demonstrando o quão profundamente eles se conheciam e reforçando a ideia de que o combate estava enraizado em uma história compartilhada, e não em um encontro isolado.
As reações da plateia refletiam essa evolução: o público explodia a cada finisher roubado e a cada near fall, claramente consciente do simbolismo de ver Orton e Rhodes usando os moves um do outro. Cada chute‑aos‑dois aumentava as apostas emocionais, especialmente à medida que ambos ficavam visivelmente mais exaustos. A fase intermediária transformou a luta de uma simples história de “costas lesionadas versus coração” em um confronto com várias camadas de orgulho, legado e identidade, no qual os dois tentavam provar que entendiam o outro melhor do que qualquer um — e que podiam vencê‑lo com as próprias armas.
A SEQUÊNCIA DE RKOS E O AUMENTO DO DESESPERO
Na parte final do combate, Orton liberou uma enxurrada de RKOs em uma sequência projetada para comunicar tanto o desespero quanto o perigo que ele ainda representava, mesmo com as costas em frangalhos. Ele acertou Rhodes com RKOs — incluindo um saído de uma situação no alto do corner — e chegou perigosamente perto da vitória várias vezes, com o público contando junto e reagindo alto a cada escapada por pouco do campeão. Em determinado momento, como descreveram recaps pós‑evento, Orton “sentiu o cheiro” de seu 15º título mundial, mas Rhodes continuou a resistir, reforçando a narrativa de que a marca registrada de Cody como campeão não é a invencibilidade, e sim a recusa obstinada em ficar no chão.
Esses near falls tiveram peso extra por causa da forma como a WWE construiu Orton ao longo dos anos: em boa parte de sua carreira, um único RKO foi suficiente para encerrar lutas, e a ideia de alguém sobreviver a múltiplos RKOs consecutivos em um main event de WrestleMania reforça o quanto Rhodes evoluiu como babyface de topo. Ao mesmo tempo, cada tentativa de pin sem sucesso aumentava a frustração de Orton, visivelmente destruindo sua calma e preparando o terreno para o erro catastrófico que acabaria custando a luta — sua decisão impulsiva de aplicar um RKO em Pat McAfee depois que este não conseguiu fazer uma contagem rápida o bastante. Em termos de narrativa, esse foi um ponto crucial: mostrou que o maior inimigo de Orton não era apenas a resistência de Cody, mas também seu próprio temperamento e ego.
O ponto de virada aconteceu quando, em meio ao caos, uma sequência de movimentos levou a um RKO acidental em Charles Robinson, o veterano árbitro, deixando a luta sem oficial exatamente no momento em que Orton parecia pronto para finalmente encerrar Cody. Um eye poke direcionado a Rhodes ajudou a provocar a confusão que resultou em Orton acertando Robinson, derrubando o árbitro e interrompendo qualquer possibilidade imediata de contagem. Isso abriu espaço para Pat McAfee, que voltou de sua destruição anterior na mesa de comentaristas vestindo uma camisa de árbitro e colar cervical, correndo pela rampa com intenção explícita de ajudar Orton a conquistar o campeonato.
A chegada de McAfee transformou brevemente o combate em uma batalha psicológica de 2‑contra‑1, enquanto Orton tentava um pin com McAfee fazendo a contagem, só para Rhodes chutar no dois, apesar de todo o dano acumulado e da parcialidade do “novo árbitro”. A contagem que não chegou ao três desencadeou uma explosão de fúria em Orton, que respondeu plantando McAfee com um RKO, destruindo na prática seu próprio aliado e dando a Rhodes uma brecha crucial. Em termos de história, foi um momento de justiça poética: o homem que havia manipulado McAfee e o usado como ferramenta na rivalidade perdeu o controle e atacou o mesmo aliado quando este não funcionou exatamente como ele queria, sacrificando sua vantagem em um acesso de raiva.
O CROSS RHODES FINAL E A VITÓRIA DE CODY
Com McAfee estirado após o RKO e Orton momentaneamente distraído, Rhodes aproveitou a brecha e conectou um Cross Rhodes decisivo, pegando The Viper no momento exato em que o árbitro original começava a se recuperar a tempo de fazer a contagem oficial. A contagem até três deu a vitória a Cody, permitindo que ele retivesse o Undisputed WWE Championship no maior palco, ao mesmo tempo em que encerrava a carreira in‑ring de McAfee, conforme determinava a estipulação pré‑luta. A vitória também acrescentou mais um sucesso de main event ao cartel de WrestleMania de Rhodes, consolidando seu terceiro reinado como Undisputed champion e marcando a primeira vez que ele defendeu esse título com sucesso na Mania.
Ainda assim, apesar do resultado oficial, a maneira como a luta terminou já sugeria que a vitória de Rhodes seria agridoce: ele estava exausto e claramente bem machucado, após sofrer múltiplos RKOs e suportar um castigo pesado durante todo o combate. Dentro da narrativa, o ponto central é que Cody não apenas sobreviveu a Orton; ele o superou no momento decisivo, aproveitando um erro que não foi ele quem criou, sem trair o próprio caráter, definido mais por resiliência e oportunismo do que por sadismo calculado.
O ATAQUE PÓS‑LUTA E O PUNT KICK
Qualquer sensação de encerramento foi destruída quase imediatamente depois do gongo, quando Orton iniciou um ataque pós‑luta que transformou a vitória de Cody em uma das cenas de main event de Mania mais perturbadoras dos últimos anos. Quando Rhodes tentava comemorar, Orton arrancou o cinturão Undisputed WWE Championship das mãos dele e o acertou na cabeça com o título, derrubando o campeão exausto e provocando uma mistura de vaias e silêncio chocado da plateia. Em seguida, Orton recuou até o corner, mediu a distância e aplicou seu infame punt kick na cabeça de Rhodes — um golpe que já foi “banido” na história da empresa por suas supostas consequências de fim de carreira e que só voltou a aparecer raramente nos últimos anos.
Na transmissão e na cobertura pós‑show, o pós‑ataque foi tratado como sério: relatou‑se que Rhodes apresentava inchaço em torno do olho e precisava de atendimento médico, incluindo grampos e pontos, por causa dos danos sofridos tanto na luta quanto no punt. A WWE usou isso para justificar sua ausência na Noite 2, anunciando no pré‑show de domingo que Cody não havia sido liberado pelos médicos e não apareceria, o que deu ao punt uma sensação ainda maior de consequência e deu peso duradouro à brutalidade de Orton.
Para Orton, os minutos finais enfatizaram tanto o desgaste físico quanto a instabilidade emocional: relatos do pós‑show da WrestleMania 42 indicaram que ele se movimentava com dificuldade no palco, parecia esgotado e deixou escapar a postura habitual de frieza ao processar o que havia acontecido, sugerindo que o combate o levou perto de seus limites reais. Ainda assim, o aspecto de personagem que a WWE decidiu destacar não foi a vulnerabilidade, e sim a crueldade, já que recaps e manchetes focaram principalmente no punt e na mensagem que ele passou, não no fato de que Orton falhou em sua missão de conquistar o título. Essa dualidade — fisicamente desgastado e, ao mesmo tempo, emocionalmente mais perigoso do que nunca — preparou o terreno para especulações de que a campanha de Orton contra Rhodes estava longe de terminar.
Ao aplicar um RKO em McAfee depois da contagem frustrada, Orton sacrificou, na prática, sua melhor chance de vitória, destruindo a ferramenta que ele mesmo trouxera para garantir o triunfo, o que reforça uma das ideias centrais da luta: raiva e ego descontrolados podem sabotar até os planos mais bem estruturados. A saída de McAfee, portanto, não é um sacrifício nobre, mas uma espécie de fábula sobre o perigo de se ligar demais a uma figura volátil como Orton, e deixa em aberto a questão narrativa de um eventual retorno para confrontar The Viper por essa traição. Do ponto de vista de Cody, McAfee funcionou tanto como tormento quanto como escudo; sua presença tornou a luta mais caótica e perigosa, mas sua remoção pelas mãos de Orton abriu diretamente o caminho para o Cross Rhodes final de Rhodes.
Do ponto de vista estrutural, a luta seguiu um formato clássico de main event “queimando devagar”: um início caótico para fisgar o público, um meio mais lento e metódico baseado em trabalho de alvo e selling, seguido de uma reta final frenética cheia de golpes de alto impacto, interferências e reviravoltas dramáticas. A história de Rhodes mirando as costas de Orton enquanto Orton buscava o RKO deu ao combate uma lógica interna clara, e a decisão de incluir finishers roubados adicionou uma camada psicológica, na qual cada homem tentou provar superioridade não só com suas armas, mas também com as do outro. O bump do árbitro e o retorno de McAfee funcionaram como o ponto de transição entre as partes mais “esportivas” da luta e o caos de sports entertainment que costuma definir muitos main events de WrestleMania, sem apagar completamente o trabalho de ringue que veio antes.
REAÇÃO DO PÚBLICO E MOMENTOS EMOCIONAIS
Relatos de quem estava ao vivo e a própria transmissão indicam que o investimento emocional do público no main event subia e descia de acordo com o ritmo da luta, com trechos mais silenciosos durante o trabalho metódico inicial e explosões de reação nos grandes spots, finishers roubados e no retorno de McAfee. O ataque pré‑luta e a participação de Jelly Roll deram ao público uma catarse logo no começo, enquanto a sequência de RKOs e near falls na parte final os manteve na ponta dos assentos, com a plateia parecendo acreditar, em vários momentos, que Orton realmente poderia conquistar o 15º título mundial.
As reações mais altas vieram, segundo relatos, em três momentos: o chute de Rhodes na contagem rápida de McAfee, o Cross Rhodes final que garantiu a vitória e o chocante punt que veio depois do combate. Essa distribuição mostra que o público estava envolvido não só na pergunta “quem vai vencer?”, mas também na dimensão moral da história — vibrando quando Cody desafiava as probabilidades e prendendo a respiração quando Orton cruzava uma linha que muitos fãs lembram como “fim de carreira” para outros personagens. Mesmo depois que as câmeras se desligaram, vídeos de fãs registraram Orton quebrando o personagem para checar Cody, e relatos do pós‑show reforçaram que ambos pareciam “em mau estado”, o que aprofundou ainda mais a sensação de que o público tinha presenciado algo brutal e importante, e não apenas mais um main event.
Dentro da história da WrestleMania, Rhodes vs Orton na Noite 1 da WrestleMania 42 se destaca não como um clássico técnico perfeito, mas como um main event carregado de emoção e sustentado em ângulos, que avançou histórias de longo prazo para ambos. Ele continua a tendência recente de cada noite da WrestleMania ter seu próprio “capítulo final”, com a Noite 1 geralmente focando em rivalidades pessoais imediatas e a Noite 2 muitas vezes destacando arcos mais amplos e definidores da empresa; neste caso, o main event da Noite 1 armou histórias que se estenderiam pelo restante do fim de semana e além. Para Cody, foi um marco: sua primeira defesa bem‑sucedida do Undisputed title na Mania e mais um passo na transformação de “desafiante que persegue o cinturão” para “homem que representa o cinturão”.
Para Orton, a luta entra em uma longa lista de participações em WrestleManias que ajudaram a definir diferentes fases de sua carreira, mas esta é única ao mostrar ao mesmo tempo sua fragilidade física e sua capacidade duradoura de chocar com violência. O punt, em particular, provavelmente será lembrado ao lado de seus ataques infames a nomes como Batista e John Cena, por causa da forma como encerrou o show e tirou Cody da Noite 2, projetando a sombra de Orton sobre todo o fim de semana. Nesse sentido, o main event da Noite 1 da WrestleMania 42 funciona menos como uma história fechada e mais como uma dobradiça — um capítulo que responde a uma pergunta (Cody consegue reter?) enquanto abre várias outras sobre o futuro de ambos.
Nos dias após a WrestleMania 42, surgiram relatos de que o plano original seria Orton conquistar o título, antes de a WWE mudar de ideia e manter o cinturão com Rhodes, o que sugere que a empresa enxerga valor de longo prazo em estender essa rivalidade, em vez de optar por uma troca rápida e chocante. O mesmo material informou que, ao fim do fim de semana da WrestleMania, Orton foi mostrado erguendo triunfante o Undisputed WWE Championship sobre um Rhodes derrotado após o punt, o que visualmente deu a entender que a história talvez não se encerrasse até o momento em que ele levantasse o título como campeão de fato. Especulações rapidamente se voltaram para uma possibilidade de reencontro no Backlash em Tampa, com o punt e as lesões de Cody servindo como ganchos naturais para uma revanche em que Rhodes teria de lutar voltando de um quadro médico desfavorável.
O legado, por sua vez, é o fio que conecta tudo: Cody ainda está construindo o seu, tentando solidificar seu lugar entre os grandes campeões da WWE, enquanto Orton está defendendo o dele, recusando‑se a descer calmamente no card ou assumir um papel meramente cerimonial de lenda em fim de carreira. A inserção de McAfee na trama reflete esse tema sob outro ângulo, já que ele tenta moldar o futuro do wrestling através de Orton, apenas para ser destruído pelo mesmo homem cujo legado tentava preservar, ilustrando os riscos de apostar sua identidade na história de outra pessoa.
Isso significou que Cody e Orton entraram em um contexto em que o público já esperava e o main event entregou tudo isso sem parecer repetitivo. O six‑man tag de abertura, com LA Knight e The Usos enfrentando Logan Paul, Austin Theory e IShowSpeed, trouxe caos, participação de celebridade e spots em mesa logo de cara, e o main event essencialmente ecoou esses elementos — mas sob uma lente mais séria e carregada, trocando o tom cômico da era da internet por uma violência ancorada em legado. Como resultado, a Noite 1 soou tematicamente coesa: um show sobre espetáculo, surpresa e o alto custo da ambição, encerrado com um main event em que esses temas foram destilados na sua forma mais intensa.
Embora o gongo e a contagem de três tenham tecnicamente marcado o fim de Cody Rhodes vs Randy Orton na Noite 1 da WrestleMania 42, tudo na forma como o combate foi estruturado e apresentado deixou claro que esse não era o ponto final da rivalidade. Cody saiu de Las Vegas como Undisputed WWE Champion nos registros oficiais, mas fisicamente diminuído e temporariamente afastado da televisão, enquanto Orton foi embora sem o título, porém com a vantagem psicológica e mais uma vítima na sua longa lista. A carreira de Pat McAfee, por sua vez, estava, em tese, encerrada, não por ações de Cody, mas porque Orton decidiu puni‑lo por não entregar a vitória, criando mais um fio solto que pode ser puxado em futuras histórias.
Pronto, acabou o resumo a partir desta parte é apenas os meus comentários sobre o assunto.
COMENTÁRIOS DE JEFFERSON EDUARDO:
“SOBRE O COMBATE: NÃO SEI NEM O QUE DIZER DESTE COMBATE, ESPERAVA MILHARES DE OUTRAS COISAS, QUE NÃO ACONTECERAM, O HYPE ERA ABSURDO, MAS A ENTREGA DEIXOU A DESEJAR. ALÉM DO QUE O COMBATE ENTRE RANDY ORTON E CODY RHODES DUROU 22 MINUTOS E 44 SEGUNDOS (SEGUNDO FONTES DA WIKIPEDIA).
O COMEÇO DA LUTA CONTOU COM A PRESENÇA DO CANTOR E COMPOSITOR JELLY ROLL, DO QUAL, INFELIZMENTE, NÃO O CONHEÇO E NÃO POSSO CRITICÁ-LO POR SER FÃ E QUERER PARTICIPAR DA HISTÓRIA. VI O DESENVOLVIMENTO QUE ESTE CARA TEVE E PARECEU BEM CONVINCENTE QUE É REALMENTE UM FÃ QUERENDO ESTAR MAIS PRESENTE NAS LUTAS.
TAMBÉM TIVEMOS A PRESENÇA DO COMENTARISTA PAT MACAFEE, ESSE CARA É ABSURDO NOS COMENTÁRIOS, SE TORNOU UM DOS MELHORES COMENTARISTAS DA WWE EM UM CURTO PERÍODO DE TEMPO. NADA SUPERA A ICÔNICA VOZ DE JERRY “THE KING” LAWLER, MAS PAT CHEGOU PARA SE TORNAR UM SUBSTITUTO A ALTURA.
SOBRE A MESA DOS COMENTÁRIOS: NAQUELE MOMENTO, EU NÃO ENTENDI O QUE ERA PARA ACONTECER NO SPOT, MAS AQUELE SPLASH PARECEU ERRADO, ACREDITEI MESMO QUE OS DOIS SAÍRAM MACHUCADOS DAQUELE LOCAL. ESTOU DECEPCIONADO COM A FORMA COMO O COMBATE FOI FEITO, E COMO FOI FINALIZADO. PARECEU TER SIDO AS PRESSAS. TANTO QUE EU ACREDITEI MESMO QUE RANDY ORTON ESTAVA LESIONADO NAS COSTAS, POIS ERA A ÚNICA FORMA DE ACEITAR QUE ELE NÃO CONQUISTOU O 15º TÍTULO. COMO EVENTO PRINCIPAL DE UMA WRESTLEMANIA, ESSE COMBATE FICOU MUITO RUIM, DEVERIA TER MUITO MAIS MOMENTOS ESPECIAIS DO QUE OS QUE TIVEMOS.
OBS.: DURANTE A WRESTLEMANIA PUDEMOS VER O PESSOAL DE RIO GRANDE DO SUL REPRESENTANDO A NAÇÃO DE FÃS BRASILEIRA E FOI ABSOLUTAMENTE INCRÍVEL. ME FEZ SENTIR REPRESENTADO, NO PRÓXIMO EVENTO, BEM QUE PODERIAM ME CONVIDAR, OU QUEM SABE ALGUM DIA, IREMOS TER A NOSSA BASE DE FÃS AQUI EM MINAS GERAIS.”.
Eu sou um fã de longa data, e como acontecia com a maioria das pessoas, não conseguia acompanhar todos os episódios em sequência, contudo, agora que a Netflix está trazendo para o Brasil (com a incrível novidade de estar no idioma original), posso acompanhar todos os episódios e usarei este espaço para comentar sobre os mesmos. Prometo melhorar com os próximos. E gostaria do retorno de vocês para comentar e interagir, pois foi para isso que criei esse site.
Meu nome é Jefferson Eduardo da Silva Nunes, este é o meu espaço criado de fã para fã, através da plataforma Blogger. O episódio, está disponível no catálogo da Netflix, com o áudio no idioma original e com duração de 03 horas, 55 minutos e 47 segundos.
Assistido no dia 19/04/2026, e apenas agora, pude postar o conteúdo, fique à vontade, para comentar no projeto e peço que me ajudem a melhorar sempre a qualidade do conteúdo com seu feedback.
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