O Aniversário De Floriano E A Promoção De Lineu (T01E04)
O episódio 4 da 1ª temporada de A Grande Família, intitulado “E Tudo Acabou em Linguiça”, é um dos mais emblemáticos da fase inicial da série, porque coloca Lineu diante de uma tentação de corrupção e usa esse conflito para definir quem ele é dentro da família e da própria sitcom. A partir de uma promoção condicionada a “vista grossa” numa fiscalização de carnes, o episódio mistura ética, dinheiro fácil e frustração familiar em um humor muito brasileiro, ainda hoje bastante atual.
FICHA BÁSICA DO EPISÓDIO
“E Tudo Acabou em Linguiça” é o quarto episódio da 1ª temporada de A Grande Família (versão 2001), exibido originalmente em 19 de abril de 2001, numa quinta‑feira à noite na Rede Globo. O episódio tem cerca de 30 minutos de duração e fez parte do bloco de estreia da série, quando os Silva ainda estavam sendo apresentados ao público como retrato da classe média baixa suburbana do Rio de Janeiro.
O roteiro é assinado por Bernardo Guilherme, Cláudio Paiva e Marcelo Gonçalves, a partir de um texto original de Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha), e a direção é de Mauro Mendonça Filho. Na época, o capítulo marcou 27 pontos de audiência na medição da TV aberta, um índice forte para uma sitcom que ainda consolidava seu espaço na grade.
Do ponto de vista do elenco, o episódio traz o núcleo fixo da família Silva (Marco Nanini, Marieta Severo, Pedro Cardoso, Guta Stresser, Lúcio Mauro Filho e Rogério Cardoso) e conta com a participação especial de Ernani Moraes no papel de Sales, o colega de faculdade que oferece a promoção “premiada” a Lineu.
CONTEXTO DA PRIMEIRA TEMPORADA
A primeira temporada de A Grande Família foi ao ar entre 29 de março de 2001 e 23 de janeiro de 2002, com 36 episódios exibidos às quintas‑feiras, sempre centrados no cotidiano da família Silva. A proposta era mostrar uma família de classe média baixa da zona norte do Rio de Janeiro, lidando com pouco dinheiro, conflitos geracionais, pequenas ambições e muito afeto, em uma casa sempre cheia de agregados.
Lineu, funcionário público “certinho” de uma repartição de fiscalização sanitária, é o patriarca que luta para colocar o pão na mesa; Nenê é a dona de casa conciliadora, que apaga incêndios emocionais e cozinha para uma casa lotada; Bebel é a filha mais velha, vaidosa e mimada; Tuco é o caçula preguiçoso; Agostinho é o genro malandro que vive pendurado nos sogros; e Seu Flor, pai de Nenê, é o avô que dorme no sofá por falta de quarto.
Na 1ª temporada, as tramas ainda são muito concentradas dentro desse núcleo principal – cada episódio pega um aspecto típico da família suburbana (conta de luz, calor, emprego, ciúme, vizinhos, consumo) e o leva ao extremo cômico. “E Tudo Acabou em Linguiça” se encaixa nisso como o episódio que aprofunda o eixo profissional de Lineu, mostrando o conflito entre sua honestidade quase rígida e um sistema corrupto que o cerca.
ENREDO GERAL DE “E TUDO ACABOU EM LINGUIÇA”
A premissa central do episódio é relativamente simples: Lineu recebe uma promoção inesperada no trabalho, mas logo percebe que o novo cargo vem acompanhado de uma exigência ética inaceitável. Sales, um antigo colega de faculdade que se tornou bem‑sucedido, o indica para o posto de chefe de repartição, esperando, em troca, que ele alivie a fiscalização de uma marca de linguiça distribuída em supermercados.
Enquanto isso, em casa, a família transforma a notícia da promoção em festa, planejando comemorações, gastando o que ainda nem entrou na conta e projetando uma ascensão social que, para eles, depende diretamente do aumento de salário de Lineu. O clima de euforia vai se transformando em frustração quando o patriarca decide não compactuar com o esquema e recusar a promoção, rompendo a expectativa de todos – especialmente de Agostinho, que já fazia planos com o dinheiro que não veria.
No meio da comemoração, há ainda momentos de humor físico, como o vexame de Seu Flor durante a festa, que reforçam a pegada de comédia de costumes da série sem desviar do tema central do episódio. Ao final, “tudo acaba em linguiça” no duplo sentido: a carne que originou o esquema de corrupção e a sensação de que um grande sonho “foi pro buraco”, ainda que Lineu saia moralmente vitorioso.
A PROMOÇÃO DE LINEU: SONHO DA FAMÍLIA, ARMADILHA ÉTICA
Logo no início da trama, Sales aparece na casa dos Silva para trazer a notícia da promoção. Ele é apresentado como o ex‑colega de faculdade de Lineu que “venceu na vida”, alguém que aparenta prosperidade e trânsito em cargos de chefia, criando um contraste imediato com o servidor público correto e modesto que ainda mora na mesma casa simples.
Ao ouvir que será chefe da repartição, Lineu fica genuinamente emocionado: não se trata apenas de status, mas de reconhecimento por anos de trabalho burocrático, somado à perspectiva de melhoria financeira para a família. Em casa, a notícia cai como uma bomba de alegria – Nenê imagina reformas, Bebel vê possibilidade de consumir mais, Tuco gosta da ideia de um pai importantão, e Agostinho enxerga uma chance de “colar” ainda mais em um sogro com poder.
O episódio faz questão de mostrar como aquela promoção, na cabeça da família, é quase um bilhete premiado da loteria, e não apenas um reajuste de salário e de função. Esse exagero é típico da série, que sempre tratou o tema da ascensão social da classe média como um motor de histórias, às vezes cômicas, às vezes amargas.
FESTA ANTECIPADA E FANTASIA DE ASCENSÃO
Assim que a novidade se espalha, a casa entra em modo de festa: começa‑se a planejar comes e bebes, música, convidados e até pequenos luxos que ainda não cabiam no orçamento de Lineu. A comemoração vira uma espécie de “baile da vitória” antes mesmo da posse no cargo, ecoando um comportamento comum: gastar em função de um dinheiro que ainda não chegou – ou, pior, que pode nem vir.
Agostinho é peça central nessa energia de ostentação precoce: ele vê a promoção como uma oportunidade de se encostar ainda mais no sogro, garantindo favores, ajuda financeira e, quem sabe, até vantagens indiretas nos seus próprios negócios. A forma como ele incentiva a festa e aumenta as expectativas evidencia sua visão pragmática e interesseira, sempre pronta a se beneficiar de qualquer mudança que passe pela carteira dos Silva.
Enquanto isso, Nenê endossa a celebração como forma de marcar um momento raro de reconhecimento para o marido, que costuma aparecer no cotidiano apenas como o “chato” que reclama de gastos, bagunça e irresponsabilidade. A festa faz sentido emocionalmente: é a família tentando transformar um evento burocrático em um rito de passagem, quase como um debut social daquele servidor público que finalmente subiria alguns degraus no status profissional.
O “PREÇO” DA PROMOÇÃO: CORRUPÇÃO COTIDIANA
É após esse clima festivo que vem a revelação incômoda: Sales, de forma aparentemente amistosa, explica a Lineu que a promoção não é exatamente gratuita. Ele espera que, na posição de chefe da repartição, Lineu alivie a fiscalização sobre uma marca de produtos cárneos que tem problemas e poderia enfrentar sanções sérias caso a fiscalização fosse feita como manda a lei.
Do ponto de vista dramatúrgico, é aqui que o episódio se conecta diretamente ao texto original de Vianinha, que já tratava da corrupção “miúda” e do preço moral de aceitar uma vantagem em troca de conivência com irregularidades. A adaptação de 2001 mantém esse núcleo dramático, mas o coloca dentro do universo colorido e suburbano da nova série, aproximando a discussão de um público acostumado a ver escândalos políticos no noticiário, mas nem sempre a associá‑los ao cotidiano de um fiscal de repartição.
Sales é construído como um personagem que naturaliza o esquema, falando com a tranquilidade de quem enxerga o acerto por baixo dos panos como parte do jogo – “é assim que as coisas funcionam”. Essa postura ajuda a evidenciar o conflito interno de Lineu, que sempre foi apresentado ao público como o “homem correto” em contraste com um ambiente social em que a esperteza e o jeitinho costumam ser valorizados.
O EMBATE INTERNO DE LINEU: ÉTICA VERSUS DINHEIRO
Depois da proposta de Sales, o episódio acompanha o processo de corrosão da alegria de Lineu, que passa a ler a promoção não mais como reconhecimento, mas como armadilha. Ele se vê dividido entre duas forças: de um lado, a chance real de melhorar a situação financeira da família, que vive no limite e se vira para pagar contas; de outro, a consciência profissional e a imagem que tem de si mesmo como um funcionário honesto.
Lineu sabe que, se aceitar o acordo, sua autoridade moral em casa e no trabalho ficará comprometida, mesmo que ninguém descubra oficialmente. Ainda assim, a pressão implícita da família – que já está comemorando e fazendo planos – pesa sobre ele, tornando a decisão mais dolorosa. A dramaturgia do episódio se concentra exatamente nesse desgaste: o sorriso inicial, a expressão de dúvida, as noites mal dormidas e a tensão crescente entre o “chefe” recém‑promovido e o homem que sempre se orgulhou de não “vender” seu caráter.
A escolha de colocar esse dilema em um homem de classe média baixa é importante: não se trata de um milionário recusando um benefício extra, mas de alguém para quem alguns reais a mais no contracheque podem fazer diferença concreta, o que torna a recusa mais custosa e, por isso, mais forte dramaticamente.
A REAÇÃO DA FAMÍLIA: FRUSTRAÇÃO, INCOMPREENSÃO E AMOR
Quando Lineu, enfim, decide não ceder à chantagem ética de Sales e recusa o acordo, isso significa, na prática, renunciar à promoção. A notícia cai como uma ducha de água fria em uma família que já tinha decorado a casa, feito compras e enchido a cabeça de fantasias com o novo padrão de vida.
Nenê, que é a grande aliada emocional de Lineu, ainda assim não deixa de sentir frustração; ela vê o marido abrir mão de algo que poderia aliviar a sobrecarga do dia a dia em nome de um princípio que, para ela, é admirável, mas, ao mesmo tempo, doloroso. Bebel e Tuco, mais jovens e imediatistas, se decepcionam com o pai, sem conseguir dimensionar a gravidade do que estava sendo pedido a ele.
Agostinho, por sua vez, encarna a visão completamente oposta à de Lineu: para ele, a recusa beira a burrice, já que “ninguém é santo” e todo mundo, em algum nível, se beneficia de pequenos esquemas. O contraste entre o sogro e o genro é amplificado aqui, com Agostinho representando a malandragem brasileira que tende a normalizar a corrupção, enquanto Lineu simboliza o sujeito que tenta manter uma ética firme num ambiente em que isso é visto como ingenuidade.
Ainda assim, a série evita transformar a família em vilões morais: mesmo frustrados, os Silva continuam sendo um núcleo afetuoso, e o episódio sugere que, com o tempo, eles entenderão que a postura de Lineu é, em última análise, também uma forma de protegê‑los.
O HUMOR FÍSICO E O VEXAME DE SEU FLOR
Paralelamente ao conflito principal, o episódio explora o humor físico através de Seu Flor, interpretado por Rogério Cardoso. Durante a festa montada para comemorar a promoção, o avô passa por um vexame intestinal, “se borrando” na calça e, literalmente, “estragando” a celebração. Essa gag funciona em vários níveis: primeiro, como piada de pastelão, típica do humor televisivo popular, que aposta no constrangimento físico; segundo, como metáfora visual para o que está acontecendo com a família – a festa, que parecia perfeita, é interrompida por algo incômodo e malcheiroso, assim como a promoção aparentemente limpa é contaminada por um acordo sujo.
O uso desse tipo de humor é coerente com o resto da série, que sempre combinou diálogos espirituosos com situações escatológicas ou exageradas, em um equilíbrio que permitia falar de temas sérios sem perder a leveza. No contexto do episódio, a cena de Seu Flor ajuda a despressurizar o clima tenso criado pelo dilema moral de Lineu, fazendo o espectador rir ao mesmo tempo em que sente um certo desconforto com o rumo da história.
PERSONAGENS EM DESTAQUE
LINEU SILVA
Lineu é, sem dúvida, o eixo dramático de “E Tudo Acabou em Linguiça”. Funcionário público de carreira, ele representa o brasileiro que tenta seguir as regras num ambiente em que a quebra delas parece ser o caminho mais simples para sobreviver ou progredir. A recusa de Lineu em participar do esquema de Sales reforça sua trajetória na série como o personagem que, mesmo careta, é a referência moral da família.
Ao mesmo tempo, o episódio mostra que essa postura tem custo emocional: ele é chamado de rígido, criticado pelos seus e, por vezes, retratado como antiquado. Esse retrato complexo o impede de ser um herói idealizado – ele é um sujeito que sofre com as consequências de sua própria ética, o que aproxima o personagem do público.
NENÊ
Nenê funciona, como em boa parte da série, como mediadora entre o ideal e o possível. No episódio, ela incentiva a festa, alimentando o sonho de conforto e reconhecimento de Lineu, mas também é uma das primeiras a perceber o peso que a decisão carrega e a dor que a recusa trará para toda a casa.
Sua reação combina orgulho e frustração: ela se ressente de ver mais uma oportunidade de melhora ir embora, porém entende – talvez melhor que os filhos – que o marido não suportaria o fato de ter vendido sua integridade por um aumento. Essa ambiguidade deixa a personagem mais rica, fugindo do estereótipo da “esposa que só apoia tudo sem questionar”.
AGOSTINHO CARRARA
Agostinho, interpretado por Pedro Cardoso, é o contraponto cômico e moral de Lineu. No contexto do episódio, ele representa a lógica do “todo mundo faz”, relativizando a gravidade do pedido de Sales e apostando na vantagem imediata que o esquema traria à família. Para Agostinho, o que importa é o resultado: com mais dinheiro, todos ganham, e a origem questionável desses recursos é quase um detalhe, principalmente se “ninguém ficar sabendo”. Essa visão sintetiza um traço recorrente do personagem, que mais tarde se tornaria taxista e pequeno empresário sempre flertando com zonas cinzentas de legalidade.
BEBEL E TUCO
Bebel e Tuco aparecem mais como termômetros geracionais da trama. Bebel, vaidosa e ansiosa por consumo, vê na promoção do pai a possibilidade de se aproximar do estilo de vida com que sempre sonhou – roupas, festas, status. Tuco, por sua vez, encara tudo com certa irresponsabilidade juvenil, comemorando sem calcular consequências e demonstrando pouco entendimento sobre o que significa vender ou não princípios por dinheiro. Ao reagirem mal à decisão de Lineu, os dois revelam um conflito típico entre gerações: pais que valorizam estabilidade e honra versus filhos que sentem mais fortemente a pressão da sociedade de consumo e querem resultados rápidos.
SEU FLOR
Seu Flor, além de protagonizar a cena de humor físico na festa, funciona como uma espécie de consciência cínica da família: ele é o velho que já viu muitos esquemas e conhece o preço de cada renúncia. No episódio, sua presença reforça o olhar da geração mais velha, que, ao mesmo tempo em que sabe da importância de se manter íntegro, também entende o fascínio de uma vida um pouco mais confortável.
SALES
Sales, vivido por Ernani Moraes, é o catalisador do enredo. Como ex‑colega de faculdade que conseguiu ascender, ele representa o profissional que decidiu jogar segundo as regras não declaradas do sistema, aceitando esquemas em troca de benefícios. A forma cordial com que apresenta sua proposta indica algo ainda mais perigoso: a naturalização da corrupção, vista como simples “ajuste de fiscalização”. A participação de Ernani Moraes é curta, mas marcante o suficiente para que o personagem seja lembrado como o homem que colocou Lineu num teste decisivo logo no início da série.
TEMAS CENTRAIS DO EPISÓDIO
Ética e corrupção no cotidiano
O tema mais evidente de “E Tudo Acabou em Linguiça” é o conflito entre ética pessoal e corrupção institucionalizada. Ao colocar a proposta indecorosa nas mãos de um servidor público de baixo escalão, a série mostra que a corrupção não é apenas um fenômeno distante de Brasília ou dos grandes empresários, mas algo que pode atravessar a vida de qualquer trabalhador. A grande pergunta implícita é: até que ponto alguém que sempre fez tudo “certo” consegue resistir quando a oportunidade de furar a fila aparece, especialmente se essa chance parece trazer benefícios concretos para quem ama? O episódio não oferece uma solução fácil, mas evidencia que recusar não é um gesto gratuito – é uma escolha que cobra um preço real em frustração, conflitos e perda de oportunidades.
Classe média, salário e sonho de ascensão
Outro tema forte é o sonho da classe média de “melhorar de vida” a partir de pequenos degraus profissionais. A promoção de Lineu é, ao mesmo tempo, um avanço objetivo e um símbolo de um desejo mais amplo: o de consumir mais, reformar a casa, oferecer mais conforto aos filhos. O episódio mostra como a família projeta nesse aumento um salto talvez maior do que ele realmente representa, algo muito comum em contextos de renda apertada, em que qualquer acréscimo é superdimensionado. Ao ver esse sonho desmoronar, os Silva experimentam a frustração de quem percebe que, no fim das contas, “tudo acabou em linguiça” – uma situação que remete à expressão popular de que grandes expectativas podem terminar em quase nada.
FAMÍLIA COMO ESPAÇO DE TENSÃO E APOIO
A família aparece, como de costume na série, como lugar de conflito e apoio simultaneamente. Em “E Tudo Acabou em Linguiça”, ela pressiona, reclama, julga e, ao mesmo tempo, é o grupo que sustenta emocionalmente Lineu, mesmo que precise de tempo para entender o que ele fez. Essa ambivalência é um dos segredos de A Grande Família: ninguém ali é puramente certo ou errado, e a casa dos Silva funciona como um microcosmo do Brasil, onde convivem a vontade de fazer o que é correto, a tentação do atalho e o desejo legítimo de uma vida menos difícil.
A LINGUAGEM DE HUMOR DO EPISÓDIO
O humor do episódio combina três registros principais:
1. Humor de situação: a promoção, a festa, a descoberta da condição da promoção, a recusa e a frustração – tudo é construído como uma sequência de situações cada vez mais exageradas, em que cada decisão gera um problema novo.
2. Humor de personagem: as reações típicas de Agostinho, os surtos moralistas de Lineu, o jeito reclamão de Nenê, a inocência dos filhos e o sarcasmo de Seu Flor.
3. Humor físico: cenas como o vexame de Seu Flor na festa e os excessos da comemoração, que apostam em gestos, expressões corporais e constrangimentos visuais.
Essa mistura permite que o episódio faça crítica social sem ficar pesado, mantendo a leveza de uma sitcom de horário nobre. Mesmo quando trata de corrupção, o roteiro evita discursos didáticos longos, preferindo mostrar, através de ações e consequências, por que a decisão de Lineu é difícil e, ao mesmo tempo, admirável.
RELAÇÃO COM O SERIADO ORIGINAL DOS ANOS 70
A versão de A Grande Família iniciada em 2001 é um reboot da série homônima exibida entre 1972 e 1975, cujo texto original era de Vianinha (Oduvaldo Vianna Filho) e Armando Costa. Segundo o material da Memória Globo, o episódio “E Tudo Acabou em Linguiça” é diretamente inspirado num dos textos de Vianinha, adaptado por Cláudio Paiva, Marcelo Gonçalves e Bernardo Guilherme. Isso significa que o conflito central – o funcionário público honesto sendo convidado a fazer vista grossa – já existia no seriado clássico, mas foi atualizado para o contexto dos anos 2000, com novas referências, ritmo mais ágil e humor mais próximo do público contemporâneo. A adaptação preserva a essência politizada do texto original, que já criticava a corrupção cotidiana na época da ditadura, e a reencena numa realidade democrática, marcada por escândalos recorrentes no noticiário.
Ao fazer essa ponte entre as duas versões, o episódio mostra a força do tema: décadas separam as exibições, mas o dilema de um servidor pressionado a ser conivente com fraudes permanece dolorosamente atual.
BASTIDORES E CURIOSIDADES
Há diversas curiosidades interessantes ligadas a “E Tudo Acabou em Linguiça”:
- Posição na temporada: é o quarto episódio da 1ª temporada, um dos primeiros a aprofundar a vida profissional de Lineu e a investir com força no tema da honestidade dele, que voltaria a ser explorado em outros capítulos, como “Consciência é Fogo”.
- Audiência: o episódio registrou 27 pontos de audiência, número destacado nas listas de episódios por demonstrar o bom desempenho da série em seu início.
- Participação especial: Ernani Moraes, que faz Sales, é creditado em sua filmografia como participante dessa história específica, reforçando a importância do personagem como antagonista ético de Lineu.
- Origem teatral: o texto original de Vianinha, adaptado para essa versão, mostra como a série nasce de uma tradição de dramaturgia crítica, com raízes no teatro político brasileiro, ainda que transposto para uma linguagem leve de televisão.
- Presença em DVD: textos sobre a “Era Flor” da série – a fase em que Seu Floriano ainda fazia parte do elenco – mencionam que “E Tudo Acabou em Linguiça” foi um dos episódios escolhidos para compor o primeiro DVD da série lançado em 2002, o que indica o nível de representatividade que ele ganhou na memória do programa.
Além disso, o episódio ajuda a consolidar, já na primeira leva de capítulos, o tom da série: uma mistura de crônica de costumes, crítica social e humor de personagens que se manteria por 14 temporadas e 485 episódios, entre 2001 e 2014.
IMPORTÂNCIA DO EPISÓDIO NA TRAJETÓRIA DE A GRANDE FAMÍLIA
“E Tudo Acabou em Linguiça” é um ponto de inflexão na 1ª temporada porque cristaliza a imagem de Lineu como “linha de frente” da honestidade em meio ao caos moral que o cerca. Se nos episódios anteriores já tínhamos sinais de seu senso de responsabilidade, aqui isso é colocado sob prova concreta, com custo financeiro e afetivo. Ao mesmo tempo, o capítulo define melhor a função de Agostinho como antagonista ideológico do sogro: enquanto um encarna o valor da lei e da consciência limpa, o outro representa o atalho, a conveniência e a malandragem justificadas pela dureza da vida. Esse contraste viria a ser explorado exaustivamente ao longo dos anos, em tramas sobre negócios, política, família e dinheiro – sempre girando em torno do choque “ética rígida x jeitinho brasileiro”.
Também é um episódio que mostra ao público que A Grande Família não se limita a piadas domésticas ou situações de casal: ela é capaz de usar a repartição pública como cenário dramático e de se aproximar de discussões sobre corrupção, serviço público e responsabilidade social, sem perder a mão do humor.
POR QUE “E TUDO ACABOU EM LINGUIÇA” CONTINUA ATUAL
Passadas mais de duas décadas de sua exibição original, “E Tudo Acabou em Linguiça” continua relevante porque o dilema que ele apresenta não saiu do centro do debate público brasileiro. A tentação de permitir irregularidades em troca de vantagens, a pressão de familiares e amigos para aproveitar “uma chance única” e a sensação de que a honestidade é, muitas vezes, um fardo pesado demais, permanecem temas recorrentes no país.
Ao tratar disso dentro de uma comédia, com personagens carismáticos e situações engraçadas, o episódio torna essa discussão acessível e memorável, ajudando o público a refletir sem sentir que está assistindo a uma aula de moral e cívica. E, ao colocar no centro da história um servidor público de classe média baixa, mostra que a ética não é um luxo de quem está “por cima”, mas uma luta diária de quem, mesmo tendo pouco, se recusa a vender aquilo que considera mais importante: a própria consciência.
Pronto, acabou o resumo a partir desta parte é apenas os meus comentários sobre o assunto.
COMENTÁRIOS DE JEFFERSON EDUARDO:
“MEUS AMIGOS, QUEM IMAGINARIA QUE A GRANDE FAMÍLIA SERIA ESTE SUCESSO ESTRONDOSO QUE TEMOS HOJE. O RETRATO DESSA FAMÍLIA COMUM, GENTE COMO A GENTE, UM DOS MELHORES JÁ CRIADOS, FICOU MARCADO NA LEMBRANÇA DO POVO BRASILEIRO. E QUEM DIRIA, AINDA PASSA REGULARMENTE NA TELEVISÃO (CANAL MULTISHOW) E PODE SER ASSISTIDO DE GRAÇA (COM A CONTA NA GLOBO PLAY).
A GRANDE FAMÍLIA É UM FENÔMENO, O GRANDE ASTRO CHAMADO AGOSTINHO CARRARA, VOLTOU RECENTEMENTE COMO GAROTO PROPAGANDA DO CANVA. DADA A IMPORTÂNCIA QUE ESSA SÉRIE TEM, COMEÇOU HÁ 25 ANOS ATRÁS, EM 2001, COM TOM MAIS COTIDIANO, COM TEMAS COMUNS, E AGORA CONTEMPLA O COTIDIANO DO POVO BRASILEIRO.
RESOLVI COMEÇAR POR ESSE EPISÓDIO, MESMO SENDO ALEATÓRIO, PARA DEMONSTRAR QUE CADA EPISÓDIO DA GRANDE FAMÍLIA É ÚNICO NO UNIVERSO, PODENDO ESCONDER DETALHES E APROFUNDAR A HISTÓRIA DOS PERSONAGENS. APENAS ASSISTINDO O EPISÓDIO VÁRIAS VEZES É POSSÍVEL NOTAR. EXEMPLO: NESTE TEMOS A PRESENÇA DE UM PERSONAGEM CHAMADO SALES, QUE NUNCA MAIS APARECEU EM CENA, MAS QUE FEZ MARCAR A SUA PASSAGEM PELA GRANDE FAMÍLIA, SENDO O MELHOR AMIGO DE LINEU, E UM DOS COLEGAS DE FACULDADE NO RAMO DA VETERINÁRIA E REPARTIÇÃO PÚBLICA.
OUTRO EXEMPLO DE DETALHES DE 10 SEGUNDOS, QUE PASSAM DESPERCEBIDOS, VISTO QUANDO FUI ASSISTIR OS PRIMEIROS EPISÓDIOS, A RUA ONDE ELES MORAM É COMPLETAMENTE DIFERENTE DAS VERSÕES MAIS RECENTE DOS ANOS DE 2008-2014, OS PERSONAGENS AINDA ESTAVAM SENDO DESENVOLVIDOS, HÁ ALGUMAS DIFERENÇAS PARA A VERSÃO MAIS RECENTE, NA VERSÃO INICIAL, BEIÇOLA, DIGO, DR. ABELARDO JÁ FOI CASADO. A PASTELARIA ERA CHAMADA DE “ABELARDO’S PASTELARIA” (MOSTRADO EM UM DOS EPISÓDIOS NO BONÉ DO LINEU), OS ATORES QUE DEPOIS VIRIAM A SER AMIGOS DO AGOSTINHO APARECERAM, MAS NÃO COMO OS PERSONAGENS RECORRENTES QUE ESTAMOS ACOSTUMADOS, A INSINUAÇÃO DO TRABALHO DE TÁXI DO AGOSTINHO (QUE FICOU NACIONALMENTE CONHECIDO) FOI FEITO NESTE EPISÓDIO 4, ONDE ELE USA O DINHEIRO DO LINEU PARA COMPRAR UMA RIFA DE UM TÁXI.
EU FIQUEI FÃ DA GRANDE FAMÍLIA HÁ UNS POUCOS ANOS ATRÁS, NÃO LEMBRAVA DE TER ASSISTIDO NA ÉPOCA DE LANÇAMENTO SEMANAL. MAS REALMENTE, TENHO UM CARINHO ENORME POR CADA PERSONAGEM, E UM DIA QUERO TER A HONRA DE ENCONTRÁ-LOS PESSOALMENTE, A FORMA COMO ESSA SÉRIE / NOVELA / SITCOM É RETRATADA É MAGNÍFICA.
CADA PERSONAGEM É REPLETO DE TANTAS CAMADAS QUE NOS DÃO A GARANTIA DE TER SIDO INSPIRADA EM UMA FAMÍLIA LEGITIMAMENTE BRASILEIRA. BOM, FOI UMA EXPERIÊNCIA ÚNICA ASSISTIR NOVAMENTE OS EPISÓDIOS EM SEQUÊNCIA, IREI POSTAR OS OUTROS EPISÓDIOS APÓS UM TEMPO, POIS PRECISO ANALISAR MAIS ALGUNS, COMEÇAREMOS COM ANÁLISE DE UM POR TEMPORADA E ACRESCENTAREMOS À MEDIDA QUE O RETORNO DE VOCÊS FOREM LIDOS”.
Eu sou um fã de longa data, e como acontecia com a maioria das pessoas, não conseguia acompanhar todos os episódios em sequência, contudo, agora que a Globo Play está trazendo para o Brasil, posso acompanhar todos os episódios e usarei este espaço para comentar sobre os mesmos. Prometo melhorar com os próximos. E gostaria do retorno de vocês para comentar e interagir, pois foi para isso que criei esse site.
Meu nome é Jefferson Eduardo da Silva Nunes, este é o meu espaço criado de fã para fã, através da plataforma Blogger. O episódio, está disponível no catálogo da Globo Play e com duração de 29 minutos e 09 segundos.
Assistido no dia 05/05/2026, e apenas agora, pude postar o conteúdo, fique à vontade, para comentar no projeto e peço que me ajudem a melhorar sempre a qualidade do conteúdo com seu feedback.
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