Marco Simbólico: O 100º Capítulo De Malhação 1996 (TV Globo)


A contagem de episódios de uma série de TV é mais do que uma simples numeração cronológica: é um marco simbólico que celebra a longevidade, a relevância cultural e a capacidade de manter o público engajado ao longo do tempo. Quando uma produção atinge o capítulo 100, isso indica que ela já conquistou uma base sólida de espectadores, que seus personagens se tornaram familiares e que suas tramas ressoam de alguma forma na experiência cotidiana de quem assiste.

No caso de Malhação, franquia icônica da TV Globo voltada para o público adolescente e jovem, o centésimo capítulo de cada temporada costuma ser um momento de balanço, onde arcos narrativos se desenvolvem, novos conflitos surgem e personagens se consolidam.


MALHAÇÃO 1996: CONTEXTO DA TEMPORADA E DA FRANQUIA

Para compreender plenamente o capítulo 100, é necessário situá-lo no contexto da temporada de 1996 de Malhação e, mais amplamente, na história da franquia como um todo. Malhação foi lançada em 1995 como uma série voltada para o público adolescente, com o objetivo de abordar questões da juventude de forma leve, mas sem fugir de temas complexos como conflitos familiares, amizade, amor, preconceito e descoberta da própria identidade. A primeira temporada, conhecida como Malhação 1995, teve como protagonista central Héricles, um rapaz do interior que chega ao Rio de Janeiro para estudar e trabalhar em uma academia de ginástica, tornando-se o fio condutor de um conjunto de tramas que envolviam romance, comédia e drama.

A temporada de 1996 nasce como continuidade e, ao mesmo tempo, reinvenção do fenômeno iniciado em 1995. Se na primeira temporada a narrativa se organizava em torno da chegada de Héricles, em 1996, a venda da academia para Ferraz e da entrada de novos personagens como Joana (filha de Ferraz) e Zizi (viúva de Ferraz), em 1996 a estrutura dramática é reformulada com a consolidação desses novos núcleos e a introdução de novos conflitos.

A academia Malhação, que desde o início funciona como cenário fixo e como “segunda casa” dos personagens, continua sendo o espaço central onde as tramas se desenrolam, mas agora com uma configuração de personagens e relações mais complexa.

De acordo com o enredo da fase, Paula vende a academia para o empresário Ferraz, que morre, deixando o negócio nas mãos da filha Joana e da viúva Zizi, cuja relação conflituosa de temperamentos repercute diretamente na gestão do espaço e nas tramas dos jovens. A esse núcleo somam-se figuras como Hugo, ex-coordenador do Rancho da Maromba, sua irmã Mariana e a motoqueira Álex, além da permanência de personagens afetivamente importantes para o público, como Héricles, Luíza e Romão, criando uma ponte entre a primeira e a segunda temporada.

O capítulo 100 ocorre já em um momento de relativa consolidação desses novos núcleos e das novas configurações afetivas da temporada. Nessa altura, o público já está familiarizado com a disputa de poder entre Joana e Zizi na administração da academia, com o surgimento de novos romances e com os conflitos de ciúmes que envolvem antigos casais, como Romão e Bella, e novos pares em formação, como Héricles e suas possíveis parceiras. O episódio, portanto, não é o ponto de partida de nenhuma dessas tramas, mas sim um momento de desenvolvimento e aprofundamento de conflitos que já estão em curso.

A escolha de Malhação para abordar temas juvenis não é acidental: a série se propõe a ser um espelho da experiência de adolescentes e jovens adultos, apresentando personagens com os quais o público pode se identificar e situações que refletem dilemas reais do cotidiano. A academia, como espaço de convivência, de encontro, de esforço físico e de transformação do corpo, funciona como metáfora do próprio processo de amadurecimento: assim como os corpos são trabalhados e transformados por treinos e disciplinas, também a personalidade dos jovens é moldada por experiências, conflitos e aprendizados.


SINOPSE DETALHADA DO CAPÍTULO 100

Segundo a descrição oficial disponível no Globoplay, o capítulo 100 de Malhação 1996 apresenta quatro linhas narrativas principais: Joana propõe pagar uma babá para o bebê de Hugo em segredo; Luíza convence Mariana a participar do concurso mesmo contra a vontade de Romão; Fernanda oferece ajuda a Héricles para retomar seu trabalho na revista; e Romão tem sua crise de ciúme sobre o concurso de beleza da garota Buxixo.

De acordo com o resumo semanal da novela, o capítulo 100 foi exibido em sexta-feira, 19 de novembro de 2021, na reexibição no canal Viva. No episódio, Dóris Simões de Andrade procura uma quarta candidata para participar do concurso de beleza. Romão morre de ciúmes de Mariana. Hugo e Dóris discutem por causa do bebê e Joana sugere que contratem uma babá. Dóris exige que seja uma babá inglesa. As meninas levam Lavínia até a academia para participar do concurso. Héricles passa mal. Lavínia fura o pneu do carro de Dóris.


JOANA E O DILEMA DA BABÁ EM SEGREDO: AUTONOMIA, CUIDADO E PODER DECORRENTE DA GESTÃO

A primeira trama central do capítulo 100 envolve Joana, personagem que, na temporada de 1996, ocupa um lugar de destaque como herdeira da academia e figura de autoridade no ambiente. Joana propõe pagar uma babá para o bebê em segredo. O resumo semanal complementa essa informação, indicando que Hugo e Dóris discutem por causa do bebê e que Joana sugere que contratem uma babá, ao que Dóris exige que seja uma babá inglesa.

Essa trama, à primeira vista simples, abre espaço para uma série de reflexões sobre autonomia, cuidado, responsabilidade e poder. Joana, como gestora da academia e como personagem que já passou por uma série de conflitos e desafios ao longo da temporada, é colocada em uma posição de tomada de decisão em relação ao cuidado de um bebê. A proposta de pagar uma babá é, em si, um gesto de responsabilidade: ela reconhece que o cuidado com o bebê exige tempo e atenção que ela ou outros personagens não conseguem fornecer de forma consistente, e decide resolver o problema de forma prática, envolvendo uma transação econômica.

Ao mesmo tempo, a exigência de Dóris de que a babá seja inglesa revela uma dimensão de classe e preconceito que permeia a narrativa. A exigência de uma babá inglesa não é apenas uma preferência por uma nationalidade específica, mas sim um sinal de status social: babás inglesas são tradicionalmente associadas a um nível de instrução e refinamento que as coloca em uma posição social mais elevada do que babás de outras nacionalidades. Essa exigência, portanto, revela algo sobre as expectativas de Dóris em relação ao cuidado do bebê e sobre sua própria posição social.

O conflito entre Hugo e Dóris por causa do bebê também merece atenção. Hugo, ex-coordenador do Rancho da Maromba e irmão de Mariana, é um personagem que traz consigo uma história de lealdade à família e de certa ingenuidade. Dóris, por sua vez, é uma personagem que ocupa um lugar especial na trama.

A partir desse evento, Dóris se torna mãe e, como tal, é colocada em uma posição de cuidado maternal que ela nem sempre demonstra estar disposta ou preparada para assumir. No capítulo 99, por exemplo, Dóris não tem a menor paciência com o bebê e começa um rígido treinamento com as meninas da academia que querem participar do concurso da garota Buxixo. Essa falta de paciência com o bebê contrasta com a sua dedicação ao treinamento para o concurso, revelando uma priorização que coloca o cuidar de si mesma e de sua imagem à frente do cuidado maternal.

É nesse contexto que a proposta de Joana de contratar uma babá ganha significação: ela é uma tentativa de resolver um problema prático (a falta de paciência de Dóris com o bebê) de forma que preserve a aparência de cuidado maternal, mas que na verdade delega esse cuidado a uma terceira pessoa. O segredo, portanto, é uma forma de gerenciar as aparências, de evitar o julgamento dos outros e de manter a ilusão de que Dóris está, de fato, cuidando do bebê, mesmo quando na realidade ela está delegando essa tarefa a outrem.

Essa trama, portanto, explora questões de maternidade, responsabilidade, poder e aparência social. Joana, como gestora, busca uma solução prática para um problema que afeta a dinâmica da academia e das personagens que nela circulam. Dóris, como mãe, é colocada em uma posição contraditória: ela deu à luz ao bebê, mas não demonstra estar disposta a assumir o cuidado maternal em sua plenitude. Hugo, como personagem que pode ocupar um lugar de apoio, é envolvido na discussão e, possivelmente, se torna um mediador entre Joana e Dóris.


LUÍZA, MARIANA E O CONCURSO DE BELEZA: VISIBILIDADE, AUTOESTIMA E EMPODERAMENTO FEMININO

A segunda trama central do capítulo 100 envolve Luíza, Mariana e o concurso de beleza. Luíza convence Mariana a participar do concurso. Dóris procura uma quarta candidata para participar do concurso de beleza, que Luíza, Mariana e Cris chegam à final da classificação feita para a Academia Malhação participar do concurso de beleza, e Lavínia (nova personagem) chega à academia para participar do concurso.

Essa trama permite uma análise aprofundada das questões de visibilidade, autoestima e empoderamento feminino. Luíza, que na primeira temporada apareceu como filha de Paula (dona original da academia) e formou com Dado um dos casais centrais, é uma personagem que já carrega consigo uma trajetória de amadurecimento, erros e reconciliações. No capítulo 100, ela desempenha um papel de amiga, mentora e incentivadora ao convencer Mariana a se inscrever e participar do concurso.

A atitude de Luíza é significativa por dois motivos. Primeiro, porque coloca em cena a questão da visibilidade feminina: ao encorajar Mariana a expor-se em um concurso de beleza, ela a convida a se ver e a ser vista de outra forma, seja em termos de beleza, talento ou carisma. Segundo, porque evidencia o papel das redes de apoio entre mulheres na adolescência, em que uma amiga mais experiente ajuda a outra a enfrentar medos de julgamento, vergonha do próprio corpo ou inseguranças quanto às próprias capacidades.

Mariana, por sua vez, é a irmã de Hugo e entra na trama de Malhação 1996 como uma figura que articula beleza, sensibilidade e vulnerabilidade, frequentemente envolvida em conflitos amorosos e de autoestima. Ao ser convencida por Luíza a participar do concurso, no capítulo 100, ela encarna o dilema típico de muitas jovens: o desejo de se destacar e ser reconhecida versus o medo do fracasso, do ridículo e da avaliação externa.

O concurso de beleza funciona, assim, como dispositivo dramático para trabalhar questões de autoimagem e empoderamento. A participação de Mariana não é apenas um evento pontual, mas um passo em seu processo de construção subjetiva — um momento em que ela precisa decidir se continua recuada no bastidor ou se aceita entrar em cena, no sentido literal e simbólico. Nesse sentido, o incentivo de Luíza sugere uma espécie de transmissão de experiência entre gerações de personagens: quem já enfrentou seus próprios medos em temporadas anteriores agora ocupa a posição de quem estimula outras a se arriscarem.

O fato de Dóris estar procurando uma quarta candidata para o concurso revela que o evento já está em andamento e que há uma certa pressão para que o número mínimo de participantes seja atingido. Dóris, que no capítulo 99 começou um rígido treinamento com as meninas da academia que querem participar do concurso, ocupa um lugar de autoridade no processo de preparação das participantes, o que adiciona uma camada de tensão à trama: ela é ao mesmo tempo treinadora e mãe do bebê, e suas prioridades parecem estar mais voltadas para o concurso do que para o cuidado maternal.

A escolha de Luíza, Mariana e Cris indica que essas personagens já superaram algumas etapas preliminares e agora estão em uma posição de maior visibilidade e competição. O fato de as meninas levarem Lavínia para participar do concurso sugere que Lavínia é a quarta candidata que Dóris estava procurando, e que o concurso agora está completo e pronto para prosseguir.

Esse conjunto de informações revela que o concurso de beleza é um evento de grande importância na trajetória dessas personagens, especialmente para Mariana, que está dando um passo importante em sua construção de autoestima e autoafirmação. O concurso não é apenas um evento de entretenimento, mas sim um espaço de transformação subjetiva, onde as participantes são convidadas a se verem e a serem vistas de uma forma nova, mais confiante e mais positiva.


ROMÃO E A CRISE DE CIÚME: MASCULINIDADE TÓXICA, POSSESSIVIDADE E INSEGURANÇA

Romão, descrito desde a primeira temporada como um arrogante campeão de jiu-jitsu e namorado de Isabella, já havia sido caracterizado como alguém de temperamento explosivo, ciumento e pouco disposto a perder espaço na vida afetiva da namorada. Seu mau-caráter inicial, equilibrado por uma certa fidelidade à parceira, o torna um personagem ambíguo, simultaneamente atraente e problemático para o público juvenil.

No capítulo 100 de 1996, Romão volta a ser centro de conflito ao demostrar uma crise de ciúme, o que confirma a persistência de seu traço de personalidade mais recorrente. Esse ciúme de Romão em relação a Mariana é particularmente interessante porque contrasta com a trajetória de Mariana no concurso de beleza. Enquanto Mariana está sendo incentivada por Luíza a se expor publicamente, a aumentar sua autoestima e a se afirmar como personagem, Romão reage a essa exposição com ciúme e, possivelmente, com tentativa de controle. Esse contraste é significativo porque coloca em-oposição duas forças: a autonomia crescente das mulheres (representada por Mariana e Luíza) e o impulso de controle de certos homens (representado por Romão).

O ciúme de Romão, nesse contexto, funciona como um dispositivo dramático para explorar questões de masculinidade tóxica, possessividade e insegurança. A possessividade de Romão em relação a Mariana (ou a qualquer parceira) é um traço característico de uma concepção de masculinidade em que o controle sobre a parceira é confundido com prova de amor. Esse modelo de amor, baseado mais no medo de perder do que na confiança e na admiração pela liberdade do outro, é problemático e, na narrativa de Malhação, é frequentemente apresentado como algo que gera desconforto, sofrimento e confusão.

Ao inserir uma crise de ciúme de Romão justamente em um episódio em que outras personagens femininas — como Joana e Mariana — tomam decisões importantes sobre suas vidas, o capítulo 100 opõe duas forças: a autonomia crescente das mulheres e o impulso de controle de certos homens. Enquanto Joana encontra uma solução, ainda que controversa, para organizar o cuidado com o bebê, e Mariana aceita expor-se em um concurso com o apoio de Luíza, Romão reage a ameaças reais ou imaginárias com desconfiança e agressividade emocional.

Esse contraste produz material para que o público jovem reflita sobre o que distingue ciúme “normal” de ciúme abusivo e sobre como a possessividade pode minar o diálogo e o respeito nas relações. Mesmo sem transformar o capítulo em um “palestrão” didático, a novela opera pela via do exemplo: mostra o desconforto, o sofrimento e as confusões geradas por um modelo de amor que se ancora mais no medo de perder do que na confiança e na admiração pela liberdade do outro.

O ciúme de Romão também revela algo sobre a sua insegurança pessoal. Pessoas que sentem ciúme excessivo frequentemente o fazem porque temem ser abandonadas, substituídas ou traídas. Esse medo, por sua vez, está frequentemente ligado a experiências passadas de rejeição, baixa autoestima ou falta de confiança em si mesmas. Romão, como personagem, é um campeão de jiu-jitsu, o que lhe confere uma certa confiança física e competitiva, mas essa confiança não se traduz necessariamente em confiança emocional. Pelo contrário, o ciúme revela que, por trás da aparência de força e conquistas, há uma vulnerabilidade emocional que Romão não sabe lidar de forma saudável.


FERNANDA E HÉRICLES: REDEFININDO O LUGAR DA AMIZADE, DA AJUDA E DA SOLIDARIEDADE

A quarta trama central do capítulo 100 envolve Fernanda e Héricles. Essa informação é crucial para entendermos o contexto em que Fernanda oferece ajuda a Héricles: ele está passando mal após os acontecimentos anteriores causados pela Alex em sua vida.

Héricles é o protagonista emblemático da primeira temporada de Malhação, retratado como um jovem ingênuo do interior que chega ao Rio de Janeiro para estudar, trabalhar na academia e aprender a viver por conta própria, lidando com temas como virgindade, sexualidade e preconceito social. Ao longo de sua trajetória, ele se envolve com Isabella, enfrenta a resistência de Romão e se torna espécie de “fio condutor” das discussões sobre adaptação e amadurecimento.

No episódio 100 de 1996, porém, o destaque recai sobre a forma como outras personagens se aproximam dele, em especial Fernanda, que lhe oferece ajuda mesmo sem o conhecer direito. O simples fato de Fernanda se posicionar como alguém disposta a ampará-lo indica uma inversão parcial do papel de Héricles, que, antes, era sobretudo o “rapaz que precisava ser acolhido”, e agora também se torna alvo de cuidado dentro de uma rede afetiva mais complexa.

Em um primeiro nível, trata-se de solidariedade: um personagem oferece suporte a outro, reforçando a ideia de que a juventude representada por Malhação não é apenas competitiva, mas também capaz de construir laços de cuidado mútuo.


ESTRATÉGIAS NARRATIVAS E RITMO DO EPISÓDIO: MÚLTIPLAS TRAMAS EM PARALELO

O capítulo 100 de Malhação 1996 é exemplar na forma como a série distribui o tempo de tela entre vários núcleos narrativos, sem que nenhum deles monopolize completamente a atenção do espectador. A descrição do episódio indica uma estrutura de roteiro que distribui o tempo entre as tramas de Joana e a babá, Luíza e Mariana no concurso, Romão e seu ciúme, e Fernanda e Héricles. Essa estratégia, utilizada desde a origem da novela, permite que o ritmo seja dinâmico: cenas curtas, cortes frequentes entre tramas diferentes e alternância entre momentos de tensão (como a crise de ciúme de Romão) e instantes mais leves ou esperançosos (como o incentivo de Luíza a Mariana).

O fato de o capítulo ser o centésimo não é irrelevante para a estrutura narrativa: ele funciona como um ponto de condensação de arcos que se iniciaram em capítulos anteriores, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para desenvolvimentos futuros. Nas tramas de Joana e da babá, de Luíza e Mariana no concurso, de Romão e seu ciúme, e de Fernanda e Héricles, vemos elementos que já estavam presentes em capítulos anteriores e que agora se desenvolvem de forma mais aprofundada.


TEMAS CENTRAIS: AUTONOMIA, CUIDADO, AUTOESTIMA E INSEGURANÇA

A autonomia, nesse contexto, é um tema central que percorre todas as tramas do capítulo. Joana busca autonomia na forma de organizar o cuidado do bebê, propondo contratar uma babá em segredo. Mariana busca autonomia ao aceitar participar do concurso de beleza, expondo-se publicamente e desafiando seus medos de julgamento. Héricles busca autonomia ao trilhar seu caminho no Rio de Janeiro, contando com o apoio de amigos como Fernanda, Joana, Candelária e Dado. Romão, por sua vez, é um personagem que luta contra a autonomia dos outros, especialmente das mulheres, tentando controlar e limitar a liberdade de Mariana e de outras personagens femininas.

O cuidado, por sua vez, é um tema que aparece de forma recorrente nas tramas de Joana, Dóris e Héricles. Joana propõe contratar uma babá para cuidar do bebê, reconhecendo que o cuidado exige tempo e atenção que ela ou outros personagens não conseguem fornecer de forma consistente. Dóris, como mãe do bebê, é colocada em uma posição de cuidado maternal que ela nem sempre demonstra estar disposta ou preparada para assumir.

A autoestima é um tema central na trama de Luíza e Mariana no concurso de beleza. Luíza, como amiga mais experiente, incentiva Mariana a participar do concurso, ajudando-a a aumentar sua autoestima e a se afirmar como personagem. Mariana, por sua vez, é colocada em uma posição de vulnerabilidade e exposição pública, o que exige que ela lide com seus medos de julgamento e de fracasso. O concurso, nesse contexto, funciona como um dispositivo de empoderamento feminino, onde as participantes são convidadas a se verem e a serem vistas de uma forma nova, mais confiante e mais positiva.

A insegurança, por sua vez, é um tema que aparece de forma recorrente na trama de Romão e seu ciúme. Romão, como personagem, é inseguro em suas relações afetivas, e essa insegurança se disfarça como ciúme e possessividade. O ciúme de Romão em relação a Mariana revela que ele tem medo de perder o controle sobre ela, de ser abandonado ou substituído. Essa insegurança, por sua vez, está frequentemente ligada a experiências passadas de rejeição, baixa autoestima ou falta de confiança em si mesmas.


REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO E JUVENTUDE NOS ANOS 1990

O capítulo 100 também oferece um recorte expressivo das representações de gênero vigentes na Malhação de meados da década de 1990. De um lado, há mulheres em diferentes posições de poder e vulnerabilidade: Joana como gestora e figura de autoridade na academia, mas também como alguém pressionada pelo papel de cuidadora; Luíza como amiga experiente que incentiva a autonomia de outra mulher; Mariana como jovem que oscila entre insegurança e desejo de afirmação; Fernanda como figura de apoio a um protagonista masculino; Dóris como mãe que não demonstra estar disposta a assumir o cuidado maternal em sua plenitude; Lavínia como personagem que tenta ganhar poder através da bajulação.

De outro lado, vemos um modelo de masculinidade encarnado por Romão, cujo orgulho ferido e ciúme frequentemente se traduzem em atitudes impulsivas, e por Héricles, que representa uma masculinidade mais sensível, aberta à ajuda alheia e menos baseada na dominação. A contraposição entre esses dois modos de ser homem — o atleta ciumento, competitivo e controlador, e o rapaz introspectivo, em busca de seu lugar na cidade grande — oferece ao público juvenil referências diversas, ainda que nem sempre explicitamente problematizadas em termos de gênero.


MALHAÇÃO 1996 E O DIÁLOGO COM O PÚBLICO ADOLESCENTE E JOVEM

O capítulo 100 é um exemplo de como a novela se comunica com sua audiência por meio de situações reconhecíveis — ciúmes, concursos, decisões familiares — e personagens que encarnam arquétipos próximos do cotidiano de muitos jovens, como o atleta possessivo, a amiga que incentiva, a jovem insegura diante da exposição pública e a gestora que precisa conciliar trabalho e cuidado. Ao tratar esses temas de forma seriada, em doses diárias, Malhação contribui para a construção de um repertório comum de discussões sobre afetos, responsabilidades e escolhas, que ultrapassa a tela e se prolonga em conversas em casa, na escola e entre amigos.

O fato de o capítulo 100 ser reexibido no canal Viva em 2021 revela que a temporada de 1996 continua a ter relevância para o público, mesmo décadas após sua exibição original. Isso indica que as questões abordadas no capítulo — autonomia, cuidado, autoestima, insegurança, ciúme — são temas atemporais que continuam a ressoar na experiência de adolescentes e jovens adultos, independentemente da época em que foram originalmente exibidos.

A reexibição de Malhação 1996 no Viva também revela que a série tem um valor de arquivo e de memória cultural, sendo vista não apenas como entretenimento, mas como um documento histórico da teledramaturgia juvenil brasileira dos anos 1990. Isso é particularmente importante para um público que cresceu assistindo à série e que agora a revisitá-la com olhar de nostalgia e de reflexão sobre o próprio passado.


A ACADEMIA COMO CENÁRIO E METÁFORA DO AMADURECIMENTO

A academia Malhação, construída desde 1995 como segunda casa dos personagens, é o espaço onde muitos dos eventos do capítulo 100 provavelmente se desenrolam, seja em conversas entre séries de exercícios, seja em encontros nos corredores e na área social. Mais do que um mero palco físico, esse ambiente funciona como metáfora do próprio processo de amadurecimento: assim como os corpos são trabalhados e transformados por treinos e disciplinas, também a personalidade dos jovens é moldada por experiências, conflitos e aprendizados.

No capítulo em questão, as tramas envolvendo concursos, crises de ciúme, oferta de ajuda e decisões sobre cuidado infantil são atravessadas por essa atmosfera de constante movimento, esforço e superação, típica de uma academia. A convivência diária em um espaço compartilhado obriga os personagens a se confrontarem com suas diferenças, preconceitos e desejos, reforçando a ideia de que não há crescimento individual isolado: toda evolução é, também, relação com o outro.


CONCLUSÃO: O LEGADO DO CAPÍTULO 100 PARA A FRANQUIA E PARA O PÚBLICO

O capítulo não é apenas um ponto de chegada de arcos narrativos que se iniciaram em capítulos anteriores, mas também um ponto de partida para desenvolvimentos futuros.

O legado do capítulo 100 para a franquia e para o público é, portanto, duplo: por um lado, ele é um marco de celebração da longevidade e da relevância cultural de Malhação; por outro lado, ele é um exemplo de como a série se propõe a ser um espelho da experiência de adolescentes e jovens adultos, apresentando personagens com os quais o público pode se identificar e situações que refletem dilemas reais do cotidiano.

Pronto, acabou o resumo a partir desta parte é apenas os meus comentários sobre o assunto.

COMENTÁRIOS DE JEFFERSON EDUARDO:

“ESTAVA PENSANDO EM UMA FORMA DE INTRODUZIR ALGUMAS PRODUÇÕES BRASILEIRAS NO NOSSO SITE, POIS ACREDITO QUE HÁ ALGUMAS PRODUÇÕES NO BRASIL QUE PRECISAMOS REPRISAR PARA MOSTRAR A ERA DE OURO DAS DRAMATURGIAS. UMA DELAS É A GRANDE FAMÍLIA, OUTRA DELA É A PRÓPRIA MALHAÇÃO.

ESSAS DUAS GRANDES SÉRIES, DURARAM VÁRIAS TEMPORADAS E MOLDARAM O COTIDIANO DE MILHARES DE JOVENS E ADULTOS DURANTE OS ANOS EM QUE FORAM EXIBIDAS NA TELEVISÃO BRASILEIRA, PELA REDE GLOBO. ESSE EPISÓDIO EM QUESTÃO PASSOU NO DIA 15/05/2026 ATRAVÉS DO CANAL MALHAÇÃO FAST E EU PUDE ASSISTIR E TENTEI BUSCAR UM POUCO DE INFORMAÇÃO SOBRE A NOVELA. ESPERO QUE SEJA DE SEU AGRADO.

O EPISÓDIO ACONTECEU NORMALMENTE CONTANDO A CONTINUAÇÃO DAS HISTÓRIAS, NÃO HOUVE UMA GRANDE REVELAÇÃO OU IMPACTO POR SER O CENTÉSIMO CAPÍTULO, APENAS AS MESMAS BAGUNÇAS DE SEMPRE. ESSA PARTE DA MALHAÇÃO DE 1996, REPRESENTA A ERA DE OURO, POIS TEM UM ELENCO REPLETO DE PERSONAGENS INESQUECÍVEIS E CITAÇÕES QUE SEMPRE NOS FAZEM QUERER REASSISTIR, QUEM NÃO SE LEMBRA DAS ICÔNICAS FRASES DO MOCOTÓ, DO DADO, DO HUGO, DA JADE E DO BRÓDUEI WASHINGTON.

ESSA HISTÓRIA DO PEQUENO BART, DA DÓRIS SIMÕES DE ANDRADE, DO SEU “TRABALHO” COMO SUPERVISORA PARA O CONCURSO DE BELEZA DA ACADEMIA MALHAÇÃO QUE SERÁ O PRIMEIRO CONCURSO DA REVISTA BUXIXO PARA ENCONTRAR A “GAROTA BUXIXO 1996” É UMA ORGANIZAÇÃO QUE FEZ VÁRIAS HISTÓRIAS PROSSEGUIREM, TEMOS A HISTÓRIA DO HUGO, QUE TENTA CUIDAR DE SEU FILHO, ENQUANTO DÓRIS ESTÁ COM A CABEÇA NAS NUVENS, OU MELHOR DIZENDO, NO TAITI, VIAGEM QUE ELA PODE GANHAR SE UMA DAS GAROTAS DA MALHAÇÃO FOR ESCOLHIDA, DENTRE ELAS TÍNHAMOS A MARIANA, A CRIS, A LAVÍNIA E A LUIZA. ESSA ORGANIZAÇÃO DO CONCURSO DE BELEZA, FEZ COM QUE VÁRIOS ASPECTOS DA TRAMA FICASSEM VISÍVEIS, PERCEBEMOS QUE O ROMÃO AINDA É O MESMO CABEÇA DURA DE SEMPRE, CIUMENTO E POSSESSIVO, QUE O MOCOTÓ É UM DOS MELHORES PERSONAGENS JÁ CRIADOS NA TELEVISÃO BRASILEIRA, E QUE O PERSONAGEM DO DADO (EDUARDO SIQUEIRA) ESTÁ CAMINHANDO PARA MAIS UMA EVOLUÇÃO EM SE TORNAR UM MESTRE ZEN, AGORA CADA VEZ MAIS ESTÁ ENGAJADO COM OS ESTUDOS DO “UNIVERSO.”.

Prometo melhorar com os próximos. E gostaria do retorno de vocês para comentar e interagir, pois foi para isso que criei esse site. Meu nome é Jefferson Eduardo da Silva Nunes, este é o meu espaço criado de fã para fã, através da plataforma Blogger. fique à vontade, para comentar no projeto e peço que me ajudem a melhorar sempre a qualidade do conteúdo com seu feedback.

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