Quem Interpreta O Héricles Barreto Em Malhação? Danton Mello E O Personagem Que Marcou Uma Geração

O ator Danton Mello em Malhação 1996, imagem do artista na novela juvenil da TV Globo


CONCLUSÃO: A PERMANÊNCIA DE UM PERSONAGEM IMPROVÁVEL

Ao revisitar a trajetória de Héricles Barreto, o que mais impressiona é a riqueza de um personagem que, à primeira vista, poderia parecer simples. Um rapaz do interior, culto e ingênuo, que se apaixona por uma moça enquanto guarda fidelidade a um amor distante — eis uma descrição que mal arranha a superfície do significado que Héricles veio a adquirir. Por trás dessa premissa modesta, há uma construção dramatúrgica sofisticada, carregada de simbolismo, ironia e profundidade social.

Héricles foi, simultaneamente, muitas coisas. Foi o forasteiro que dá ao público um ponto de entrada em um mundo desconhecido. Foi o anti-galã que subverteu as expectativas sobre o que deveria ser um protagonista televisivo. Foi o veículo para discussões sociais relevantes. Foi o anti-Hércules cujo nome mitológico ironizava sua recusa em cultuar o corpo. Foi o romântico incurável cujo amor transatlântico personificava uma forma de afeto que o tempo e a tecnologia tornariam quase impensável. E foi, acima de tudo, um ponto de identificação para milhares de jovens que, como ele, se sentiam diferentes e em busca de seu lugar no mundo.

A permanência de Héricles na memória afetiva do Brasil é o testemunho mais eloquente de sua importância. Décadas depois, o personagem continua sendo lembrado com carinho, tanto pelo público quanto pelo próprio Danton Mello, que o considera um dos papéis mais especiais de sua carreira e responsável por marcar uma geração inteira. Em uma era de consumo cultural acelerado e descartável, a sobrevivência de um personagem por tanto tempo na imaginação coletiva é algo raro e precioso.

Cabe ainda uma última reflexão sobre a atemporalidade de Héricles. Embora profundamente ancorado em seu contexto histórico — os anos 1990, a ausência de internet e celulares, a cultura das academias da Barra da Tijuca —, o personagem carrega dilemas que transcendem qualquer época. A busca por pertencimento, a tensão entre o sonho idealizado e a realidade concreta, o conflito entre fidelidade e desejo, a dificuldade de ser aceito sendo quem se é: esses são temas universais, que dialogam com qualquer geração. É por isso que, quando o acervo da novela foi disponibilizado em plataformas de streaming, tanto os adultos que cresceram com Héricles quanto os jovens que nunca o haviam visto puderam encontrar nele algo significativo. Os assuntos relevantes que a novela abordava, como o próprio Danton Mello observou, permanecem importantes nos dias atuais, talvez ainda mais do que na época de sua estreia.

Mais do que um simples mocinho de novela, Héricles Barreto representa um momento de transformação na televisão brasileira — o instante em que a teledramaturgia descobriu o potencial de falar diretamente, com honestidade e sensibilidade, ao público jovem. Ele abriu as portas de Malhação e, ao fazê-lo, abriu também um novo capítulo na história da cultura pop nacional. Cada protagonista juvenil que veio depois, cada história de primeiro amor e de descoberta de si mesmo contada na tela, carrega um pouco do DNA daquele rapaz sensível que chegou do interior com um livro debaixo do braço e um amor guardado no coração. Héricles não malhava os músculos, mas fortaleceu algo muito mais duradouro: a ideia de que há heroísmo na sensibilidade, valor na diferença e poesia na fidelidade. E é por isso que, mais de duas décadas depois, ele continua vivo na memória de quem cresceu assistindo Malhação.


DANTON MELLO: O ATOR POR TRÁS DE HÉRICLES BARRETO EM MALHAÇÃO

INTRODUÇÃO: UM NOME QUE FICOU NA MEMÓRIA DO BRASIL

Existem personagens televisivos que transcendem o espaço da ficção e passam a habitar a memória coletiva de uma geração. Héricles Barreto, protagonista da primeira temporada de Malhação, exibida pela TV Globo a partir de 24 de abril de 1995, é um desses casos raros. O jovem interiorano de boa índole que chega ao Rio de Janeiro cheio de sonhos, consegue emprego numa academia de ginástica e se apaixona pela bailarina Isabella tornou-se o símbolo de toda uma era da teledramaturgia brasileira voltada ao público adolescente. Por trás desse personagem está Danton Figueiredo Mello, um ator mineiro que, na época, tinha apenas 20 anos e vivia o início de uma carreira que hoje já ultrapassa quatro décadas.


AS RAÍZES MINEIRAS: PASSOS, SÃO PAULO E A VOCAÇÃO PRECOCE

Danton Figueiredo Mello nasceu em 29 de maio de 1975 na cidade de Passos, no sul de Minas Gerais. Apesar de o registro de nascimento apontar para aquela cidade interiorana mineira, sua infância efetiva foi vivida em São Paulo, para onde seus pais — Dalton Natal Melo e Selva Aretuza Figueiredo Melo — se mudaram em busca de melhores oportunidades. Na capital paulista, tanto Danton quanto seu irmão mais velho, Selton Mello, nascido em 1972, foram criados num ambiente que já sinalizava para o universo das artes.

A influência do irmão mais velho foi determinante. Selton já havia começado a trabalhar como ator ainda criança, e Danton, de tanto acompanhar as gravações, foi naturalmente se encantando pela profissão. A mãe, Selva, desempenhou papel fundamental nessa história: foi ela quem levou os dois filhos a São Paulo e depois ao Rio de Janeiro — para onde a família se deslocou em 1984 — acreditando que haveria maiores oportunidades artísticas para eles. Danton reconhece que a mãe foi a grande âncora da família: “Nossa mãe saiu conosco de Minas Gerais para morar em São Paulo, por acreditar que lá teríamos mais oportunidades. Eu, no início, ia por diversão, porque era o sonho do meu irmão, depois fui pegando gosto.”.

Assim, antes mesmo de completar 6 anos de idade, Danton já aparecia em comerciais de televisão ao lado de Selton. A brincadeira de ir aos estúdios foi gradualmente se tornando coisa séria. A câmera, as luzes, os figurinos e a magia do set de gravação foram moldando, desde cedo, um temperamento artístico que nunca mais o abandonaria. “Eu nunca tive dúvidas. Nunca escolhi minha profissão, fui escolhido por ela”, declararia o ator anos mais tarde.


OS PRIMEIROS PASSOS NA TV: DE A GATA COMEU A VALE TUDO

Com apenas 10 anos de idade, Danton estreou em sua primeira telenovela: A Gata Comeu, exibida pela TV Globo em 1985. Protagonizada por Christiane Torloni, a trama deu ao jovem ator um espaço inicial dentro da emissora e, mais do que isso, funcionou como uma espécie de escola prática. Sem formação acadêmica em artes cênicas — Danton é, por própria confissão, um autodidata que aprendeu o ofício na prática —, o set de gravação tornou-se sua universidade.

Nos anos seguintes, ele foi acumulando experiências em produções de crescente importância. Em 1988, com apenas 13 anos, participou de Vale Tudo, telenovela considerada por muitos críticos um dos maiores marcos da dramaturgia brasileira. O contato precoce com um projeto de tal competência e com grandes nomes do teatro e da televisão nacional foi, segundo o próprio ator, uma formação incomparável. “A minha escola foi a vida profissional, e os meus professores foram todos esses grandes artistas do nosso país”, afirmou Danton.

Em 1989, participou de Tieta, e em 1994 esteve em A Viagem. Cada trabalho foi ampliando seu repertório técnico e emocional. O jovem ator aprendia a lidar com o texto, com o ritmo das gravações, com as câmeras e com a pressão de um set profissional. Quando o convite para Malhação chegou, em 1995, Danton já não era um estreante absoluto — era um jovem com quase uma década de televisão nas costas, pronto para dar o grande salto.


MALHAÇÃO 1995: O NASCIMENTO DE UM FENÔMENO

A primeira temporada de Malhação estreou em 24 de abril de 1995 e representou uma ruptura no modelo de teledramaturgia da TV Globo. Era uma proposta inédita: uma novela voltada especificamente ao público jovem, exibida em horário nobre da tarde, tratando de temas até então considerados delicados para a televisão aberta. O cenário escolhido foi uma academia de ginástica fictícia na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que dava nome ao programa e funcionava como ponto de confluência de personagens de diferentes origens e temperamentos.

No centro dessa trama estava Héricles Barreto, protagonizado por Danton Mello. O personagem condensava, de forma quase arquetípica, a figura do jovem interiorano honesto que chega à cidade grande sem malícia e sem dinheiro, mas carregando uma riqueza interior rara: a integridade de caráter. Héricles chega ao Rio para estudar, consegue um emprego como auxiliar administrativo na academia Malhação e passa a morar no próprio local. Ingênuo, culto à sua maneira e até um pouco romântico demais para o ambiente urbano em que se vê inserido, ele rapidamente conquista amizades — mas também inimizades.

A chegada de Héricles à academia foi memorável. De casacão preto, calça jeans, camiseta branca e suspensório — um figurino propositalmente anacrônico em meio às esteiras, collants coloridos e shorts vibrantes da academia —, o personagem proferiu uma frase que entrou para o repertório afetivo de uma geração: “Que cheiro de morcego morto é esse?”. O contraste entre o caipira sincero e o ambiente urbano e fashion da academia funcionou como mola dramática e também cômica, garantindo ao público uma identificação imediata e duradoura.


DANTON E HÉRICLES: A FUSÃO ENTRE ATOR E PERSONAGEM

Um aspecto fascinante da relação de Danton Mello com Héricles Barreto é a profundidade com que o ator se identificava com o personagem — e, ao mesmo tempo, a consciência de que era um papel e não uma extensão autobiográfica. Embora Danton não fosse interiorano da mesma forma que Héricles (sua infância foi na metrópole paulistana), havia uma qualidade de honestidade e de franqueza nos dois que criava uma fusão orgânica entre intérprete e personagem.

Em entrevistas ao longo dos anos, Danton sempre retornou a Héricles com carinho genuíno. “Foi um personagem que marcou muito a minha vida, porque pude mostrar tudo o que aprendi desde criança. Pude mostrar que era capaz de fazer um personagem grande, com um grande volume de cenas e texto”, disse o ator ao recordar a experiência. Para um jovem de 20 anos, assumir o protagonismo de uma novela da maior emissora do país, com décadas de história e altíssimas expectativas de audiência, era um desafio extraordinário. E Danton o enfrentou com uma naturalidade que surpreendeu diretores e veteranos do elenco.

O sucesso de Héricles foi tão avassalador que, anos depois, Danton voltaria à Malhação — desta vez, em 2012, com um novo personagem, Fabiano —, fechando um círculo simbólico com a produção que o revelou ao grande público. Mas, para o ator e para o público, Héricles permaneceria sempre como o primeiro e o mais marcante dos personagens de Malhação ligados a Danton Mello.


A EXPANSÃO DA CARREIRA: TEATRO, TELEVISÃO E DUBLAGEM

O sucesso em Malhação não foi o fim, mas o início de uma trajetória rica e diversificada. No ano seguinte à primeira temporada da novela teen, Danton retornou à série para a segunda temporada, em 1996, na qual Héricles vivia um novo romance, desta vez com a misteriosa Alex, vivida por Camila Pitanga — personagem que escondia segredos e trazia novas camadas dramáticas à trama.

Em 1997, Danton fez uma escolha que revelou sua ambição artística: deixou temporariamente a Globo para atuar no SBT em Dona Anja, buscando experimentar outros ambientes de produção. A experiência foi válida, mas logo o chamado da emissora carioca o trouxe de volta. Em 1998, participou da minissérie Hilda Furacão, obra histórica de ambientação nos anos 1950, onde viveu Roberto Drummond, um dos protagonistas. A produção tornou-se um clássico e, décadas depois, ganhou nova vida nas redes sociais — especialmente no TikTok —, cativando uma nova geração de admiradores.

Paralelamente à televisão, Danton construiu uma sólida carreira no teatro. Autodidata e aprendiz perpétuo, fez uma passagem formativa pelo Tablado, escola de teatro fundada por Maria Clara Machado no Rio de Janeiro, e acumulou mais de 15 peças teatrais ao longo da carreira. O palco, para ele, sempre foi um espaço de liberdade e experimentação, complementar ao rigor técnico que a televisão exigia.

Outro capítulo notável de sua carreira foi o trabalho como dublador. A voz grave e expressiva de Danton Mello tornou-se uma das mais reconhecidas do mercado de dublagem brasileiro. Ele deu voz ao ator Leonardo DiCaprio em quatro longas-metragens, entre eles o monumental Titanic (1997) e A Praia (2000). Também dublou River Phoenix no jovem Indiana Jones em Indiana Jones e a Última Cruzada e Corey Feldman em Os Goonies. “Dublar foi uma grande escola para mim”, afirmou o ator. O trabalho de dublagem exige precisão técnica, sensibilidade para capturar nuances emocionais de outro ator e um domínio vocal que complementou e enriqueceu sua própria atuação nas telas.


O ACIDENTE QUE MUDOU TUDO: MONTE RORAIMA, 1998

Em meio ao ascendente de sua carreira, Danton Mello viveu um episódio que poderia ter terminado com sua vida e que certamente deixou marcas profundas em sua personalidade. Em 14 de setembro de 1998, o ator apresentava o programa Globo Ecologia e estava realizando uma gravação no Monte Roraima, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, uma das formações rochosas mais antigas e imponentes do planeta.

O helicóptero que transportava Danton, o piloto Almir Bezerra, o repórter Fernando Parracho, o diretor Cláudio Savaget, o cinegrafista Sérgio Vertis e o operador de áudio Ricardo Cardoso, sofreu uma pane ao sobrevoar o platô da montanha, a aproximadamente 2.700 metros de altitude. O rotor traseiro quebrou, e a aeronave entrou em giro descontrolado antes de cair. “Eu estava na janela do lado direito e me lembro de sentir, olhar o chão se aproximando e a pancada”, relatou Danton.

A equipe ficou presa no platô por mais de 30 horas, exposta ao sol, chuva e temperaturas próximas de zero grau durante a madrugada, sem água ou comida. O resgate só foi possível após um indígena avistar a aeronave destruída e informar um posto da Funai. O operador de áudio Ricardo Cardoso, de 34 anos, não sobreviveu aos ferimentos — uma perda que marcou profundamente todos os envolvidos.

Danton sofreu hemorragia interna no abdômen e foi levado às pressas para um hospital em Boa Vista, onde passou por cirurgia de emergência. “Tava com uma super hemorragia interna. Eu sobrevivi por pouco, assim; rompeu a membrana que envolve o intestino, paralisou o intestino”, descreveu o ator. Depois da cirurgia, foi transferido para uma UTI no Rio de Janeiro, onde permaneceu por dias.

A recuperação durou semanas, e Danton retornou às gravações da novela Torre de Babel — em que vivia Adriano, personagem que protagonizava um romance com Shirlei (Karina Barum) — ainda dependendo de cadeira de rodas e muletas. A determinação de terminar o trabalho mesmo nas condições adversas de saúde revelou uma fibra artística e humana notável.

O trauma psicológico deixado pelo acidente foi duradouro. Por treze anos, Danton foi incapaz de entrar em um helicóptero novamente. A superação veio de forma quase instintiva, durante uma viagem à Argentina em 2011, quando percebeu a oportunidade de encarar o medo de frente: “Era um lugar inóspito, como aquele lá em Roraima, e eu precisava enfrentar isso. Só sei que eu entrei no helicóptero, mas não me lembro de nada do voo. Quando pousei, estava leve. Foi terapêutico”. O 14 de setembro tornou-se, para ele, uma data dupla: não apenas a data do acidente, mas um segundo aniversário — o dia em que renasceu.


UMA CARREIRA DE MUITAS FACES: DA COMÉDIA AO DRAMA

Após superar o trauma e retomar o ritmo pleno de trabalho, Danton Mello desenvolveu uma das carreiras mais versáteis da televisão brasileira. Cada nova fase revelava facetas diferentes de um artista que recusava a estagnação e buscava constantemente se reinventar.

Em 2006, protagonizou Sinhá Moça, novela ambientada no Brasil escravocrata do século XIX, interpretando Rodolfo, filho de um jurista e apaixonado pela protagonista Sinhá Moça (Débora Falabella). O papel exigiu um mergulho em um contexto histórico complexo e uma interpretação que transitasse entre a sedução romântica e o posicionamento político abolicionista do personagem. A produção, que contou ainda com Osmar Prado, Patrícia Pillar, Cris Vianna, Milton Gonçalves e Zezé Motta, foi amplamente elogiada.

Em 2009, participou de Caminho das Índias, novela que explorava o contraste entre a cultura brasileira e a indiana e que conquistou enorme audiência. Em seguida, veio Tempos Modernos (2010), e, em 2015, viveu Cícero em I Love Paraisópolis. A variedade de personagens — do herói romântico ao personagem coadjuvante, da comédia ao drama histórico — foi, segundo o próprio ator, a característica de que mais se orgulha em sua trajetória.

O cinema também se tornou um território fértil. Em 2003, estreou na tela grande com Benjamim, de Monique Gardenberg, ao lado de Paulo José. Em 2012, protagonizou a comédia Vai que Dá Certo, de Maurício Farias, que se tornou um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro naquele ano, com 2,7 milhões de ingressos vendidos. A sequência da franquia chegaria em 2015. No mesmo período, esteve no elenco do premiado O Palhaço (2011), de Selton Mello, obra reconhecida pela crítica especializada. Em 2018, participou de Deus Salve o Rei e, em 2019, de Órfãos da Terra. Em 2021, entrou para o elenco de Um Lugar ao Sol, na pele de Matheus. Cada personagem foi uma soma, não uma repetição.


OS IRMÃOS MELLO: UMA FAMÍLIA DE ARTISTAS

Qualquer estudo sobre Danton Mello passaria de forma incompleta se não considerasse a dimensão familiar representada pelo irmão mais velho, Selton Mello. Os dois irmãos mineiros são, juntos, um dos fenômenos mais expressivos do entretenimento brasileiro: atores completos, com trajetórias distintas, mas igualmente brilhantes, que se complementam mais do que se sobrepõem.

Selton Mello, nascido em 1972, consolidou-se como um dos maiores nomes do cinema nacional, vencendo prêmios relevantes como ator e diretor. Danton construiu uma carreira principalmente voltada à televisão e ao teatro, com incursões significativas no cinema. As confusões inevitáveis entre os dois — que o público frequentemente comete — são motivo de humor compartilhado pelos irmãos. “O tempo todo! Já aconteceu de...”, começou Danton em uma entrevista, sorrindo ao referir-se às situações em que é confundido com Selton.


O LEGADO DE HÉRICLES E O REENCONTRO COM A MEMÓRIA

Trinta anos após a estreia de Malhação, Héricles Barreto continua sendo uma referência cultural incontornável. Em 2021, quando a primeira temporada da série foi disponibilizada no Globoplay, uma nova geração descobriu os dramas e alegrias daquele caipira simpático na academia da Barra da Tijuca. Em 2023, a temporada original começou a ser reprisada no Canal Viva, atraindo tanto o público saudosista quanto novos espectadores. Os comentários nas redes sociais revelam uma identificação que vence o tempo: Héricles ainda ressoa porque representa valores que nunca saem de moda — honestidade, ingenuidade desarmada, lealdade e amor genuíno.

Para Danton Mello, revisitar Héricles é sempre uma experiência de gratidão. Não há amargura, não há sentimento de aprisionamento a um único papel — há, ao contrário, a gratidão de quem sabe que um momento assim não ocorre duas vezes na carreira de ninguém.


QUATRO DÉCADAS DE ARTE: CONTINUIDADE E RENOVAÇÃO

Danton Mello completou 50 anos em maio de 2025 e, naquele mesmo ano, celebrou também os 40 anos de carreira contados desde sua estreia em novelas, em A Gata Comeu. Trata-se de uma trajetória de rara coerência: um ator que começou criança, cresceu diante das câmeras, sobreviveu a tragédias pessoais, enfrentou a dor da distância familiar e, ainda assim, manteve-se profissionalmente ativo, relevante e artisticamente curioso em cada nova fase.

Em 2024, estava no ar como o antagonista Raimundo Sobral em Garota do Momento, novela das seis da TV Globo. Curiosamente, Raimundo é o oposto de Héricles: enquanto o jovem de 1995 era o mocinho interiorano de boa índole, Raimundo é uma figura sombria, calculista e maquiavélica — o que demonstra a amplitude de registros que Danton domina. O ator recebeu críticas elogiosas pela performance, confirmando que os quarenta anos de carreira não trouxeram acomodação, mas refinamento.

Também em 2025, Danton estreou como dublador na franquia da Disney Animation, dando voz ao personagem Gary A’Cobra em Zootopia 2 — mais uma prova de sua versatilidade e de como continua ampliando fronteiras. Em 2026, já aparece em projetos como a série A Nobreza do Amor, com o personagem Diógenes, e no filme O Velho Fusca, como Maurício.

O ator que foi Héricles é hoje um homem maduro que carrega a experiência de quem viveu muito e não desperdiçou nenhuma das lições. Autodidata, como sempre se orgulha de ser, Danton Mello prova a cada novo papel que a escola da vida pode ser tão ou mais eficaz do que qualquer academia formal de artes — especialmente quando o aluno tem o talento inato e a dedicação incansável que ele demonstrou ao longo de toda a sua trajetória.


CONCLUSÃO: O HOMEM, O ATOR, O PERSONAGEM

A história de Danton Mello e de Héricles Barreto é, em sua essência, uma história sobre transformação. O jovem mineiro que chegou ao Rio de Janeiro nos anos 1980, seguindo os passos do irmão mais velho e o sonho de uma mãe corajosa, tornou-se um dos rostos mais reconhecíveis da televisão brasileira.

O que distingue Danton Mello no vasto universo dos atores brasileiros não é apenas o talento — que é inegável — nem a longevidade — que impressiona —, mas a autenticidade com que se entrega a cada trabalho. Quando ele diz que sente nervosismo antes de cada gravação, “como se fosse o primeiro trabalho”, essa não é modéstia calculada: é a marca de um artista que nunca permitiu que a rotina profissional apagasse a chama da vocação.

Héricles Barreto entrou para a história da televisão brasileira como o primeiro protagonista de Malhação, símbolo de uma geração que cresceu olhando para aquela academia como um espelho de seus próprios anseios. E Danton Mello, ao lhe emprestar o corpo, a voz e a alma, fez mais do que interpretar um personagem: ajudou a construir um pedaço da identidade cultural do Brasil contemporâneo. Isso não tem preço nem tem prazo de validade.

COMENTÁRIOS DE JEFFERSON EDUARDO:

“MALHAÇÃO É A REPRESENTAÇÃO DE NOSTALGIA DA JUVENTUDE QUE CRESCEU ASSISTINDO A NOVELA, CADA GERAÇÃO TEVE A SUA REPRESENTAÇÃO, DURANDO MAIS DE 25 TEMPORADAS E COMPLETANDO 30 ANOS DESDE O SEU LANÇAMENTO, CONTINUA SEMPRE A SURPREENDER E A CONSEGUIR NOVOS PÚBLICOS.

UM EXEMPLO DO QUE É POSSÍVEL FAZER. ONDE MESMO SENDO A “ESCOLA PARA ATORES INICIANTES DA GLOBO”, OS CRIADORES SOUBERAM APROVEITAR MUITO BEM OS ATORES E ATRIZES QUE PASSARAM PELO PROGRAMA PARA CRIAR UM PROGRAMA INCRÍVEL E AINDA TIVERAM A CAPACIDADE DE SE REINVENTAR A CADA TEMPORADA. SEM PERDER A SUA ESSÊNCIA.

CADA ATOR QUE PASSOU PELA MALHAÇÃO EM CADA TEMPORADA ACABOU FAZENDO PARTE DA CRIAÇÃO DE UM “UNIVERSO” EXPANDIDO QUE FREQUENTEMENTE SERÁ TEMA DE CONVERSAS E MATÉRIAS NA INTERNET, AINDA QUE NÃO EXISTA NENHUMA NOTÍCIA SOBRE UMA POSSÍVEL VOLTA DE MALHAÇÃO PARA A TELEVISÃO EM 2026 - 2027, É POSSÍVEL ACOMPANHAR AS TEMPORADAS ANTERIORES GRATUITAMENTE ATRAVÉS DO GLOBOPLAY E NA SAMSUNG TV COM O CANAL MALHAÇÃO FAST.

O QUE FOI MEU CASO, NÃO LEMBRO DE TER ACOMPANHADO PELA TV NO LANÇAMENTO, E ACABEI RECEBENDO O CONTEÚDO NO EXTINTO CANAL VIVA (OBSERVAÇÃO: NO CANAL DO YOUTUBE DO VIVA AINDA HÁ RESUMOS DE VÁRIOS CAPÍTULOS, CASO QUEIRA CONFERIR E RELEMBRAR) E NA SAMSUNG TV COM O CANAL MALHAÇÃO FAST.

QUEREM QUE CONTINUE A FALAR SOBRE OS PERSONAGENS? ENTÃO ESCREVA NOS COMENTÁRIOS QUAIS SERÃO OS PRÓXIMOS A SEREM ANALISADOS AQUI NO SITE.

SABER QUE O COMEÇO DE TUDO AINDA É COMPARTILHADO, NOS FAZ TER UMA NOSTALGIA QUE HÁ MUITO NÃO SE ENCONTRAVA, ONDE PROGRAMAS COMO ESSE ACABARAM PERDENDO ESPAÇO JUNTO A PROGRAMAÇÃO DA TELEVISÃO. QUANDO O CANAL VIVA FOI DESCONTINUADO. PROGRAMAS COMO A GRANDE FAMÍLIA, PASSOU A TER SUA CASA NO MULTISHOW, MAS PROGRAMAS COMO MALHAÇÃO NÃO TIVERAM ESSA OPORTUNIDADE E ESTÃO NO LIMBO ESPERANDO SEREM REEXIBIDOS EM REDE NACIONAL.

EU ESTAVA PENSANDO EM COMEÇAR UMA MATÉRIA SOBRE O PERSONAGEM MAIS IMPORTANTE DE TODOS, ALEXANDRE, O GRANDE, MOCOTÓ. O QUE ACHA?

QUAL O PRÓXIMO PERSONAGEM QUE DEVEMOS COMENTAR?

DE QUAL TEMPORADA VOCÊ MAIS GOSTARIA DE TER INFORMAÇÕES NESTE SITE?”

Eu sou um fã de longa data, e como acontecia com a maioria das pessoas, não consegui acompanhar todos os episódios em sequência. Dito isso, como homenagem aos 30 anos de Malhação, irei criar matérias sobre os personagens, antes de criar sobre os próprios episódios. Prometo melhorar com os próximos. E gostaria do retorno de vocês para comentar e interagir, pois foi para isso que criei esse site.

Meu nome é Jefferson Eduardo da Silva Nunes, este é o meu espaço criado de fã para fã, através da plataforma Blogger. As temporadas de Malhação estão disponíveis no catálogo da Globoplay.

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