Malhação ID: Identidade, Juventude E Drama No Colégio Primeira Opção

Malhação ID: Um Novo Colégio, Uma Nova Era, com jovens protagonistas da nova fase da novela juvenil


MALHAÇÃO ID: IDENTIDADE, JUVENTUDE E DRAMA NO COLÉGIO PRIMEIRA OPÇÃO

APRESENTAÇÃO

Quando a Rede Globo estreou, em 9 de novembro de 2009, a décima sétima temporada de sua série juvenil mais longeva, a escolha do subtítulo não foi aleatória. “ID” — abreviatura tanto de “Identidade” quanto de uma sigla amplamente associada ao universo digital dos jovens daquela época — sinalizava, desde o primeiro instante, qual seria o grande tema condutor de toda a narrativa. Malhação ID (estilizada também como Malhação Identidade) chegava ao ar com uma proposta renovada: narrar, com humor, esporte, música e conflitos afetivos, a busca dos adolescentes por se definirem como sujeitos únicos em um mundo que exige, paradoxalmente, que todos se encaixem em algum grupo.

A temporada permaneceu no ar até 20 de agosto de 2010, acumulando 199 capítulos exibidos de segunda a sexta-feira às 17h30. Escrita por Ricardo Hofstetter — o mesmo autor responsável pela temporada de 2004, então a de maior sucesso histórico da franquia — com colaboração de Flávia Bessone, Laura Rissin e Zé Dassilva, e dirigida por Mário Márcio Bandarra (direção geral) e Paola Pol (direção), a produção reuniu um elenco predominantemente jovem, destacando-se a estreia do ator e cantor Fiuk — filho do cantor Fábio Jr. — no papel do protagonista Bernardo.


O CONTEXTO DA FRANQUIA E A CHEGADA DE MALHAÇÃO ID

Para compreender a relevância de Malhação ID, é necessário recuar um pouco na história da franquia. Malhação estreou na Rede Globo em abril de 1995 com uma proposta inovadora para a televisão brasileira: uma novela voltada exclusivamente para o público jovem, exibida no horário vespertino. Originalmente ambientada em uma academia de ginástica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a série foi construída sobre tramas curtas, personagens rotativos a cada temporada e um foco declarado em questões pertinentes ao universo adolescente, como sexualidade, virgindade, drogas, pressão familiar e futuro profissional.

Ao longo de suas primeiras décadas, Malhação se consolidou como um produto de grande impacto cultural, descobrindo talentos como Carolina Dieckmann, André Marques, Thiago Lacerda e Débora Falabella, e sendo estudada por pesquisadores das áreas de Comunicação, Educação e Ciências Sociais por sua influência sobre as representações de juventude no Brasil. A série operava um tipo de espelho simbólico para os jovens brasileiros: ao mesmo tempo que espelhava dilemas reais da adolescência, propunha modelos comportamentais e disseminava valores através do chamado merchandising social — estratégia pela qual a Globo inseria, nas tramas, mensagens de conscientização sobre temas como saúde, ética e cidadania.

Contudo, entre 2006 e 2009, as audiências vinham em queda sistemática. As temporadas anteriores a Malhação ID registravam médias modestas, e a emissora decidiu agir de forma estratégica: convocou Ricardo Hofstetter, que havia assombrado o IBOPE com a temporada de 2004, e Mário Márcio Bandarra para, respectivamente, escrever e dirigir a nova temporada. A chegada desses profissionais, combinada com a aposta em Fiuk como protagonista, criou grande expectativa. O primeiro capítulo registrou 21 pontos de audiência, um ponto acima do último episódio da temporada anterior.


O CENÁRIO: O COLÉGIO PRIMEIRA OPÇÃO E O ROCKET STONE

Uma das mudanças mais significativas introduzidas por Malhação ID foi a troca do espaço central da narrativa. Nas temporadas anteriores, o seriado havia migrado progressivamente da academia original para uma escola chamada Múltipla Escolha. Agora, a escola recebia um novo nome — Colégio Primeira Opção — e passava por uma reforma conceitual completa: tratava-se de um antigo colégio de classe média, chefiado pelo professor de filosofia e diretor Livramento (interpretado pelo experiente José de Abreu).

Dentro do colégio, os alunos tinham um espaço secreto chamado de “Escondidinho”, que funcionava como reduto de encontros, confissões e conspirações entre os estudantes. O Escondidinho representava, simbolicamente, a necessidade dos jovens de ter um território próprio, protegido dos adultos e das regras institucionais.

Para além dos muros escolares, o espaço de lazer mais importante da temporada era o Rocket Stone, popularmente chamado de “roller” — uma espécie de clube de esportes e convivência onde os estudantes praticavam hóquei sobre patins, basquete, patinação artística e outras modalidades. O Rocket Stone pertencia a Anselmo (Eri Johnson, em substituição a Leandro Hassum no elenco original), um ex-patinador de sucesso que, ao viajar, confiou o espaço à sua ex-noiva Zuleide (Polly Marinho). O roller funcionava como segunda casa para muitos personagens e era o palco de rivalidades, paqueras e descobertas esportivas. Cristiana, por exemplo, praticava patinação artística com dedicação e chegou a ganhar um campeonato municipal na modalidade.

A República Himalaia, um prédio sem elevador onde Zuleide também administrava uma pensão de estudantes, completava o triângulo de ambientes da narrativa. Com seus inúmeros degraus e seus moradores heterodoxos, o Himalaia era o cenário cômico por excelência da trama — especialmente pelas peripécias de Jotapeg (João Maia) e pelos comentários de Zuleide consigo mesma.


A TRAMA PRINCIPAL: BERNARDO E CRISTIANA

O coração de Malhação ID batia no encontro improvável entre dois jovens oriundos de realidades socioeconômicas completamente distintas. Bernardo Oliveira (Fiuk) era filho do empresário Paulo Roberto (Tarcísio Filho) e de Cissa (Vera Zimmermann), e vivia em uma mansão com toda a comodidade que o dinheiro poderia oferecer. Mimado, inconsequente e acostumado a obter o que desejava sem muito esforço, Bernardo era o líder de um quarteto de popularidade no Colégio Primeira Opção, ao lado de seu melhor amigo Alberto “Beto” Duarte (Murilo Couto), da fashionista Tatiana “Tati” Fernandes (Élida Muniz) e de Beatriz “Bia” Gomes (Mariana Molina).

Do outro lado do espectro social, Cristiana Araújo — conhecida como “Cris” (Christiana Ubach) — era filha de Antônio Araújo (Sérgio Mastropasqua), caseiro da mansão onde os Oliveira moravam. Séria, determinada e com os pés fincados no chão da realidade, Cristiana via nos estudos sua principal via de ascensão e nutria um senso agudo de responsabilidade para com seu pai e sua irmã, Fernanda “Nanda” Araújo (Giovana Echeverria). Ao contrário de Bernardo, ela não tinha condições de frequentar festas caras, usar roupas de marca ou se dar ao luxo da leveza.

O encontro entre os dois no Colégio Primeira Opção — onde ambos eram alunos — desencadeou uma das trajetórias afetivas mais clássicas da teledramaturgia teen brasileira: a fórmula dos opostos que se atraem, que se repelem, que se perdem e que, inevitavelmente, se reencontram. A diferença de classe social era real e concreta: enquanto Bernardo podia esbanjar em roupas de grife e relógios caros, o guarda-roupa de Cristiana era composto por peças adquiridas em brechós. Essa disparidade não era tratada como mero detalhe de figurino, mas como elemento narrativo que gerava tensões, constrangimentos e momentos de compreensão mútua ao longo da temporada.

A evolução do romance foi marcada por três forças centrais de conflito: a resistência interna dos próprios protagonistas diante das diferenças que os separavam; a interferência dos amigos e rivais que queriam manter os dois afastados; e a crise familiar que abateu a família Oliveira na segunda metade da temporada. Sobre este último ponto, a trama tomou um rumo surpreendente quando a polícia chegou à festa de um mês de namoro de Bernardo e Bia para prender Paulo Roberto e Cissa, acusados de desvio de dinheiro público. Ao encontrar documentos escondidos que comprovavam a culpa dos pais, Bernardo enfrentou o dilema moral mais pesado de sua jornada: denunciar os próprios progenitores ou silenciar e carregar a vergonha para sempre. Sua decisão de entregar as evidências à polícia marcou uma virada no arco de amadurecimento do personagem — o jovem irresponsável de antes deu lugar a alguém capaz de agir por princípio mesmo diante de um custo emocional elevadíssimo.


BEATRIZ: A VILÃ COMPLEXA

Nenhuma novela teen se sustenta sem uma antagonista bem construída, e Malhação ID investiu nessa figura por meio de Beatriz “Bia” Gomes (Mariana Molina). Amiga íntima de Bernardo e integrante do quarteto mais popular da escola, Bia era apaixonada por ele de longa data e via em Cristiana uma ameaça direta ao seu desejo. Ao contrário de vilãs unidimensionais, Bia possuía uma lógica interna coerente: sua obsessão por Bernardo nascia de um amor genuíno, por mais que os métodos empregados para conquistá-lo fossem cada vez mais manipuladores e cruéis.

As armações de Bia escalaram progressivamente durante a trama. Em aliança inicial com Tati — que também nutria sentimentos por Bernardo — e posteriormente manipulando Nanda, a irmã de Cristiana que também era apaixonada pelo rapaz, Bia construiu uma teia de mentiras destinada a separar o casal e colocá-la em seu lugar. Uma das articulações mais elaboradas envolveu roubar um ultrassom e um teste de gravidez de Zuleide para simular uma gravidez falsa e forçar Bernardo a se noivarem. Quando o fotógrafo misterioso enviou uma carta revelando que Bia não estava grávida, Bernardo a confrontou e exigiu uma prova de gravidez real — e a mentira começou a desmoronar.

A vilã usou ainda um segredo explosivo como trunfo: ao descobrir que Nanda não era filha biológica de Antônio — resultado de um teste de DNA que Bernardo e Cristiana haviam realizado em segredo —, Bia ameaçou revelar a informação caso Cristiana contasse a verdade sobre as armações. Esse jogo de xadrez emocional manteve Cristiana em silêncio por meses, gerando tensão crescente e demonstrando que a novela era capaz de construir conflitos psicológicos sofisticados para além das brigas rasas de pátio de escola.

O desmascaramento de Bia aconteceu de forma teatral e catártica, na festa de despedida dos alunos do terceiro ano, quando Bernardo expôs todas as manipulações da ex-namorada diante de todos. A cena funcionou como purgação coletiva — toda a comunidade escolar, que havia sido afetada de alguma forma pelas artimanhas da jovem, assistiu à verdade vir à tona. A interpretação de Mariana Molina, que mais tarde se tornaria uma das atrizes mais versáteis da sua geração no Brasil, foi amplamente elogiada.


NANDA: A IRMÃ ENTRE A LOUCURA E A REVELAÇÃO

Outro arco dramático de grande impacto emocional em Malhação ID foi o percurso de Fernanda “Nanda” Araújo (Giovana Echeverria), irmã de Cristiana. Inicialmente apresentada como mais uma jovem apaixonada por Bernardo — o que a levava a conspirar com Bia contra a própria irmã —, Nanda evoluiu para uma personagem muito mais densa à medida que a temporada avançava.

Em um giro narrativo perturbador, Nanda chegou a sequestrar Bernardo, afirmando que se ele não fosse dela, não seria de mais ninguém. Esse comportamento extremo conduziu a personagem a um processo de avaliação psiquiátrica e internação, marcando a entrada da novela em território incomum para o horário das 17h30: a discussão sobre saúde mental adolescente, amor-obsessão e os limites entre a devoção e a patologia. Ao mesmo tempo, Bia aproveitou a instabilidade de Nanda para aprofundar a manipulação — forjando recortes de fotos e mensagens ameaçadoras no caderno da jovem para incriminá-la ainda mais.

A reviravolta mais impactante do arco de Nanda veio quando, durante sua internação, ela afirmou ter visto a própria mãe — Sílvia (Adriana Martinuzzo) — a quem todos acreditavam estar morta há anos. Ninguém acreditou nela inicialmente, até que Cristiana, num plano elaborado, conseguiu confirmar que a mãe estava viva. Sílvia explicou que havia sumido por conta de uma doença grave e que se recuperara com a ajuda de um amigo chamado Miguel — e o detalhe seguinte desencadeou mais um choque: uma mancha no corpo de Miguel era idêntica a uma mancha no corpo de Nanda, levantando a suspeita — depois confirmada por teste de DNA — de que Nanda era filha de Miguel, e não de Antônio.

A decisão de Nanda de, mesmo após confirmar a verdade biológica, continuar a chamar Antônio de pai foi um dos momentos mais emocionantes e humanistas da temporada. “Ela vai ser sempre filha dele”, como a narrativa colocou em cena — uma declaração sobre laços afetivos que transcendem a genética, tema contemporâneo e relevante para o público jovem.


AS TRAMAS PARALELAS: UM UNIVERSO EXPANDIDO

Malhação ID se destacou por cultivar um elenco ensemble generoso, com múltiplos personagens secundários tendo arcos próprios bem desenvolvidos. Entre as tramas paralelas mais memoráveis estava a de Bruno (Caio Castro) e Samira Al Rashid (Thaís Botelho) — um romance intercultural que desafiou, com sensibilidade pouco comum à época, as fronteiras entre religião, identidade e amor.

Bruno era um jovem que havia chegado à temporada ainda na 16ª edição da série e permaneceu em Malhação ID. Ao se apaixonar por Samira, uma garota muçulmana recém-chegada, ele se viu diante de uma barreira cultural e religiosa que exigia mais do que boas intenções para ser transposta. O pai de Samira, Jamal Al Rashid (Antonio Karnewale), não aprovava o relacionamento da filha com um jovem que não partilhava da fé islâmica. A tensão entre o desejo de Samira de se integrar à cultura brasileira — chegando a retirar o hijab para estar com os amigos, o que levou a um conflito intenso com o pai quando ele a flagrou — e a necessidade de preservar suas raízes culturais e religiosas foi retratada com cuidado e pesquisa.

Bruno tomou a decisão inusitada de se converter ao islamismo para poder se casar com Samira. A cerimônia de casamento islâmica, realizada no capítulo 115 da temporada, reuniu grande parte dos personagens do colégio e foi conduzida pelo sheik Samad (Henrique César). O casal então partiu para a Espanha, onde Bruno acompanharia o crescimento do filho Gustavinho, que já vivia na Europa. O arco de Bruno e Samira funcionou como uma narrativa de tolerância religiosa, respeito cultural e amor que supera preconceitos — temas que a série soube tratar com delicadeza e informação em vez de superficialidade.

Outra trama paralela de destaque envolveu Fernandinho (Johnny Massaro) e seu triângulo amoroso com Domingas (Carolinie Figueiredo), sua namorada dedicada e apaixonada, e Rita Silveira (Olívia Torres), uma aluna insegura com problemas crônicos de autoestima que se encantou pelo rapaz. Rita, acima do peso e frequentemente alvo de comentários maldosos dos colegas, encontrou em um site de conselhos amorosos — a “Bela Amada” — uma voz que a orientava emocionalmente. A ironia amarga estava no fato de que esse site era gerenciado pela própria Domingas, que assim, sem saber, aconselhava a rival de seu próprio namoro. Fernandinho decidiu terminar o relacionamento com Rita ao perceber que ainda amava Domingas, mas o peso da culpa e a turbulência emocional da situação foram narrados com realismo, sem julgamentos morais simplistas.

Rita, interpretada por Olívia Torres com um figurino construído sobre enchimentos para simular o sobrepeso do personagem, era um personagem de grande relevância simbólica: ao retratar uma adolescente que sofre bullying velado, que se sente invisível e que busca, desesperadamente, validação afetiva, a trama tocava em uma realidade de incontáveis jovens brasileiras que assistiam ao programa.

O universo de Malhação ID ainda abrigava personagens memoráveis como Jotapeg (João Maia), o jovem obcecado por videogames que preferia relações virtuais às presenciais — uma reflexão pioneira sobre a dependência digital entre adolescentes —, e Reco (Daniel Belmonte), o personagem mais engraçado da turma que, orientado pelo veterano humorista Emílio (Lafayette Galvão), aprendeu as técnicas do stand-up comedy. A inserção de elementos cômicos estruturados, inspirados nesse gênero norte-americano, foi uma das marcas distintivas de Malhação ID em relação às temporadas anteriores.


RODRIGO CERQUEIRA E MARIA CLÁUDIA: VAIDADE E ROMANTISMO

Entre os personagens secundários mais divertidos estavam Rodrigo Cerqueira (Ricky Tavares) e Maria Cláudia Sá — conhecida como “Cacau” (Isabella Dionísio). Rodrigo era o tipo do aluno que achava que o mundo girava ao seu redor: bonito, autoconfiante ao extremo e dado ao hábito cômico de repetir falsos provérbios para impressionar os outros. Maria Cláudia, por sua vez, era um personagem de construção intencional no limite do estereótipo: uma jovem que só pensava em se casar, cuidar da casa e da família, em aparente contraste com as companheiras mais independentes e ambiciosas.

A relação entre Rodrigo e Maria Cláudia foi pontuada por quedas de vaidade, momentos de descoberta mútua e o crescimento de ambos ao longo da temporada. Foi o casal que, na cena mais surpreendente do desfecho da trama do Escondidinho, voluntariamente assumiu a culpa pelo “crime” por iniciativa de toda a escola. Esse gesto coletivo de lealdade dos colegas de turma em defesa dos protagonistas revelou um dos temas subterrâneos mais bonitos da temporada: a solidariedade entre os jovens quando se sentem parte de uma comunidade real.


VALENTINA E LUCCA: AMOR COM OBSTÁCULOS

O arco de Valentina Duarte (Julia Bernat) e Lucca Azeredo (Erik Vesch) era, em muitos aspectos, um antídoto às convenções do romance adolescente televisivo. Valentina era tudo o que a norma de gênero da época não esperava de uma personagem feminina juvenil: praticante de boxe tailandês, com personalidade forte, sem paciência para “frescuras” e com sonhos profissionais sólidos — ela queria cursar engenharia civil. Lucca, por contraste, era o menino tímido e sensível que se apaixonou por ela com aquela intensidade discreta típica de quem ama em silêncio por muito tempo.

O casal demorou a se encontrar dentro da narrativa, justamente porque Valentina resistia às convenções românticas e às expectativas de que deveria se comportar de determinada forma por ser mulher. Essa resistência, embora tratada de modo leve e bem-humorado, continha uma crítica implícita aos estereótipos de gênero que o programa não tinha medo de questionar. Valentina e Lucca representavam, juntos, a possibilidade de um amor que não exige que nenhum dos parceiros abdique de quem é.


O MERCHANDISING SOCIAL: RESPONSABILIDADE EDUCATIVA

Um dos aspectos mais consistentes em toda a história de Malhação é o compromisso com o merchandising social — a estratégia narrativa pela qual a Globo inseria, de forma orgânica nas tramas, mensagens de conscientização sobre temas de relevância social. Em Malhação ID, o tema mais destacado nesse registro foi o uso de drogas, especificamente o crack.

A abordagem começou de forma aparentemente casual: Cristiana estava patinando quando foi abordada por um rapaz que tentou beijá-la à força. Bernardo e Beto a socorreram e perceberam que o jovem era João (Carlos André Faria), um ex-colega do Primeira Opção. A aparência deteriorada de João levantou suspeitas de que algo grave acontecia com ele, e aos poucos foi revelado que o jovem havia se tornado dependente de crack — uma substância que devastava famílias inteiras no Brasil daquela época, especialmente em contextos urbanos periféricos.

A história de João não era tratada como espetáculo ou como curiosidade exótica. Pelo contrário, a trama construiu uma narrativa de consequências reais: o impacto sobre sua mãe Kátia (Dayse Pozatto), antiga amiga da família Oliveira; o processo de afastamento social que a dependência impõe ao usuário; e a dificuldade imensa do tratamento e da recuperação. Ao trazer esse tema para o horário das 17h30, com linguagem acessível e sem sensacionalismo, a produção cumpria um papel socioeducativo que pesquisadores da área identificam como central à função cultural de Malhação ao longo de sua trajetória.

Outros temas atravessaram a temporada de forma mais difusa: a pressão por desempenho escolar e a escolha profissional foram desenvolvidas através de Beto, que decidiu prestar vestibular para engenharia civil, e de Valentina, com seu sonho de seguir a mesma carreira. A autoestima corporal foi tema central no arco de Rita, que carregava o peso — literal e simbólico — do olhar dos outros sobre seu corpo. A tolerância religiosa e cultural encontrou expressão no arco de Bruno e Samira. E a ética na política e nos negócios foi problematizada através da corrupção revelada na família Oliveira.


FIGURINO E CARACTERIZAÇÃO: A ESTÉTICA DA IDENTIDADE

Se o título da temporada era “Identidade”, cada escolha de figurino precisava ser uma declaração de personalidade. A equipe de caracterização, chefiada pelo profissional Marcelo Dias da Silva, trabalhou com a premissa de que as roupas dos personagens deveriam ser extensões visíveis de quem eles eram por dentro.

Tati (Élida Muniz), aspirante a estilista, ostentava um guarda-roupa eclético que misturava peças de moda com achados da internet — uma personagem que vivia a moda como forma de expressão criativa. Bernardo (Fiuk), como garoto rico e despreocupado, aparecia sempre bem vestido: camisetas coloridas, relógios de marca e acessórios que comunicavam seu nível socioeconômico sem que fosse necessário nenhum diálogo explicativo. Cristiana, por contraste, vestia roupas simples de brechó, que comunicavam ao mesmo tempo humildade material e originalidade — porque as peças de segunda mão têm uma história própria.

Jotapeg (João Maia) viveria eternamente com a mesma jaqueta — uma peça original dos anos 1980, comprada em brechó —, porque ele simplesmente não ligava para a aparência. Essa escolha de figurino era, paradoxalmente, a mais forte declaração de identidade de todas: a recusa de Jpeg em jogar o jogo das aparências era ela mesma uma postura, uma escolha de ser. O personagem de Rita (Olívia Torres) tinha o figurino literalmente construído sobre enchimentos corporais para simular o sobrepeso do personagem, uma decisão de produção que exigiu pesquisa e sensibilidade para não transformar o corpo em piada.


A TRILHA SONORA: OS ANOS 1980 REVISITADOS

Outra das apostas mais ousadas e bem-sucedidas de Malhação ID foi sua trilha sonora. A ideia partiu do diretor Mário Márcio Bandarra, que durante a preparação da temporada ouviu um CD de tributo a Renato Russo, com artistas regravando músicas do Legião Urbana. A experiência o convenceu: por que não usar a mesma lógica para toda a trilha da temporada?

A solução encontrada foi recrutar bandas jovens, muitas delas consolidadas no circuito independente da internet, para regravar clássicos do pop rock brasileiro dos anos 1980. O resultado foi um álbum com 18 faixas que mesclava o universo musical dos pais e avós dos espectadores com a sonoridade contemporânea dos filhos. Bandas como NX Zero, Fresno, Chimarruts, Bonde da Stronda e Restart assumiram músicas de Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, RPM, Ultraje a Rigor e outros ícones.

O NX Zero ficou com “Um Certo Alguém”, de Lulu Santos, que abria o álbum. O Fresno gravou “Lanterna dos Afogados”, dos Paralamas do Sucesso. O Chimarruts fez uma versão pop-reggae de “Meu Erro”. O Hevo 84 releu “Rádio Pirata”, do RPM. O Restart se encarregou de “Menina Veneno”, de Ritchie.

A música de abertura, “Quem Eu Sou” — título que cristalizava toda a proposta temática da temporada —, foi composta pelo produtor musical Rogério Vaz e por Juliano Cortuah, e cantada pela banda Hori, da qual o próprio Fiuk era o vocalista. A escolha era uma jogada estética e narrativa ao mesmo tempo: ao fazer o protagonista da trama cantar o tema de abertura que perguntava “quem eu sou?”, a produção fundiu ficção e realidade de um modo que amplificava a identificação do público com a pergunta central da série. Além disso, Fiuk e seu pai, Fábio Jr., gravaram juntos “Só Você” — uma versão da música que o veterano cantor havia eternizado —, tema do casal Bernardo e Cristiana.

A aposta na memória afetiva dos anos 1980, recontextualizada pela sonoridade jovem dos anos 2000, funcionou como uma ponte geracional: pais podiam reconhecer as músicas e compartilhar o momento de assistir à série com os filhos. A trilha se tornou um dos elementos mais comentados da temporada e foi lançada como álbum pela Som Livre.


OS PERSONAGENS ADULTOS: A ESCOLA COMO MICROCOSMO SOCIAL

Malhação ID não descuidou dos personagens adultos, que em muitas temporadas anteriores haviam sido reduzidos a funções de suporte para os adolescentes. Aqui, os professores e funcionários do Colégio Primeira Opção ganharam dimensões humanas próprias. O Professor Livramento (José de Abreu), diretor e docente de filosofia, era um personagem de grande complexidade: ao mesmo tempo autoritário e humanista, capaz de atos de generosidade genuína — como conceder bolsas de estudo a Cristiana e Nanda depois que Antônio foi demitido — e de rigidez burocrática, como quando ameaçou acabar com o Escondidinho. José de Abreu, ator de longa carreira na dramaturgia brasileira, trouxe ao personagem uma gravidade cômica que tornava suas cenas com os alunos memoráveis.

Professora Lise (Regina Remencius) e o Professor Serjão (Ricardo Ciciliano) viveram um romance dentro da trama: Serjão a pediu em casamento, e o casal chegou a convidar Livramento e a Inspetora Tânia para serem padrinhos da cerimônia. Esse arco paralelo da vida amorosa dos professores, desenvolvido com humor e afeto, humanizava os adultos da trama e mostrava que a busca por amor e definição de si mesmo — o grande tema da temporada — não era exclusividade dos jovens.

O Professor Casca (Gláucio Gomes), que ensinava Química, escondia um passado inusitado: havia sido líder de uma famosa banda brasileira de heavy metal nos anos 1980. Esse detalhe biográfico, além de ser cômico, tinha uma função narrativa importante: mostrava que os adultos que os jovens viam como figuras de autoridade já foram jovens igualmente cheios de sonhos e identidades em construção — um convite implícito à empatia entre gerações.


O DESFECHO: A IDENTIDADE REVELADA

O clímax de Malhação ID teceu juntas as pontas de todas as tramas principais de forma satisfatória. Paulo Roberto e Cissa Oliveira, após fugir para os Estados Unidos, optaram por se entregar às autoridades. Nanda, após o turbilhão emocional de sua crise psiquiátrica, do sequestro fracassado e da revelação sobre sua origem biológica, encontrou estabilidade ao decidir que os laços afetivos eram mais fortes que os genéticos. Bruno e Samira se casaram em cerimônia islâmica e partiram para a Espanha. Fernandinho e Domingas se reconciliaram. Maria Cláudia e Alê assumiram publicamente sua relação.

E o fotógrafo misterioso — que durante toda a segunda metade da temporada havia mandado fotos e cartas enigmáticas que tanto ajudavam quanto perturbavam os protagonistas — foi finalmente revelado ser Juju (Rafaela Ferreira), a sobrinha de Zuleide, que torcia pelo feliz desfecho de Bernardo e Cristiana e usou o anonimato para proteger e, eventualmente, unir o casal. Flávio (Marco Antônio Gimenez), o namorado temporário de Cristiana, ficou com a própria Juju — um acerto de contas narrativo que fechou todos os triângulos amorosos em aberto.

Bernardo desmascarou Bia na festa de despedida, e a reunião final de todos para uma foto coletiva — “que ficará na memória de todos”, como narrado na sinopse da temporada — funcionou como selo afetivo de uma comunidade que havia crescido junta, brigado, se traído, se perdoado e se reconhecido. A identidade, que era a pergunta do início, encontrou sua resposta não em uma definição individual solitária, mas na teia de relações que cada personagem havia construído ao longo do ano letivo.


AUDIÊNCIA, REPERCUSSÃO E LEGADO

Do ponto de vista comercial, Malhação ID registrou resultados modestos. A temporada terminou com uma média geral de 19 pontos no IBOPE, número considerado decepcionante para os padrões históricos da franquia. O primeiro capítulo havia chegado a 21 pontos e o recorde da temporada foi de 25 pontos, alcançado em 1º de março de 2010. A menor audiência foi de 12 pontos, registrada em 4 de dezembro de 2009. A temporada foi apontada como a de pior média desde a estreia de Malhação em 1995, reflexo de um processo de erosão de audiência que afetava toda a faixa do horário vespertino na televisão aberta.

No entanto, a avaliação puramente numérica seria insuficiente. Malhação ID foi revisitada repetidamente pelo público nas décadas seguintes: o Canal Viva reprisou a temporada entre 28 de fevereiro e 1º de dezembro de 2022, atraindo tanto quem havia assistido na época quanto uma nova geração de espectadores. Em 2 de janeiro de 2023, a temporada foi disponibilizada integralmente no Globoplay como o primeiro título do chamado “Projeto Resgate” — iniciativa da plataforma de streaming da Globo para digitalizar e tornar acessíveis clássicos da dramaturgia brasileira.

A temporada também serviu como trampolim para carreiras que se tornariam proeminentes na televisão e no cinema brasileiros. Fiuk consolidou uma carreira que transitou entre a música e a atuação. Caio Castro tornou-se um dos galãs mais populares da dramaturgia brasileira da década de 2010. Mariana Molina, Olívia Torres, Johnny Massaro e outros integrantes do elenco encontraram trabalhos regulares nas décadas seguintes.


MALHAÇÃO ID NO CONTEXTO DA TELEDRAMATURGIA JUVENIL BRASILEIRA

Do ponto de vista acadêmico, Malhação — em suas diversas temporadas, incluindo a de 2009-2010 — foi objeto de análise em pesquisas sobre comunicação, educação e construção de identidades juvenis. Estudiosos interessados nas representações de juventude na televisão brasileira identificaram em Malhação ID um reflexo das tensões de classe social que permeavam o Brasil daquele período: a diferença entre Bernardo e Cristiana não era apenas dramática, era uma metáfora das desigualdades estruturais do país.

Ao mesmo tempo, pesquisadores como os da Universidade Federal de Santa Maria apontaram que Malhação, em sua tendência geral, tendia a suavizar os conflitos de classe ao mostrar jovens de diferentes origens sociais compartilhando os mesmos espaços de lazer, consumo e escola, como se as desigualdades fossem superáveis pela vontade individual e pelo amor. Esse traço ideológico — a ideia de que basta força de vontade para superar a diferença de berço — é uma característica recorrente da dramaturgia popular brasileira e estava presente de forma bastante visível em Malhação ID: afinal, a história central é a de uma garota pobre que, por mérito próprio e pelo amor de um rapaz rico, mantém seu lugar na escola e na vida.

A presença do merchandising social na temporada também foi estudada como parte de uma estratégia mais ampla da Globo de usar a ficção juvenil como instrumento de educação informal. A introdução do tema do crack, tratado com cuidado narrativo, exemplificava o que os pesquisadores chamam de “função socioeducativa” do programa — a capacidade de conscientizar adolescentes sobre riscos reais de forma mais eficaz do que campanhas institucionais diretas, justamente por estar embebida em uma narrativa afetiva com personagens com os quais o público se identifica.


O NOME “ID” E A PERGUNTA FILOSÓFICA DA TEMPORADA

Uma última reflexão merece espaço neste ensaio: o que o nome “ID” — ou “Identidade” — realmente propunha para a temporada?

Na psicanálise, o “id” é a instância mais primitiva e pulsional da psique humana, sede dos desejos imediatos, das emoções não filtradas, das vontades antes da socialização. Não há como saber se a produção de Malhação ID tinha essa referência em mente — é mais provável que o subtítulo evocasse simplesmente a palavra identidade, com seu sentido cotidiano de autoconhecimento e autenticidade. Mas a coincidência é sugestiva: muitos dos conflitos da temporada giraram justamente em torno de personagens dominados por pulsões — o desejo incontrolável de Bia por Bernardo, a obsessão de Nanda, o amor de Bruno que ultrapassou fronteiras culturais — em conflito com as normas sociais, morais e institucionais que os cercavam.

A pergunta “quem eu sou?” — expressa literalmente na música de abertura — é filosófica antes de ser dramática. Ela interroga não apenas os personagens adolescentes da ficção, mas o próprio espectador jovem que assistia ao programa com seus próprios dilemas de autorrevelação: quem sou eu diante do meu grupo de amigos? Diante da família? Diante do meu amor? Diante da sociedade que espera determinadas coisas de mim por causa da minha classe, do meu gênero, da minha religião?

Malhação ID não respondia a essas perguntas de forma definitiva — o que seria impossível e redutor. O que a temporada fazia, no melhor de seus momentos, era mostrar personagens em processo: jovens que erravam, se arrependiam, se perdiam, se traíam, se perdoavam e tentavam de novo. O que a narrativa propunha como resposta à pergunta da identidade não era uma essência fixa, mas um conjunto de escolhas — a escolha de Bernardo de denunciar os pais, a escolha de Nanda de continuar chamando Antônio de pai, a escolha de Bruno de atravessar fronteiras culturais pelo amor, a escolha de Cristiana de não abrir mão de sua dignidade mesmo diante das armações de Bia.


CONCLUSÃO

Malhação ID chegou ao fim em agosto de 2010 com 199 capítulos no ar, uma audiência modesta pelos padrões históricos da franquia, e uma narrativa que deixou marcas duradouras em todos que a acompanharam. A temporada trouxe a estreia de Fiuk como ator televisivo, revelou Caio Castro ao grande público e consolidou Mariana Molina, Olívia Torres e outros jovens talentos. Propôs uma trilha sonora geracional que conectou passado e presente através das vozes do rock brasileiro. Tratou de temas como corrupção, dependência química, diversidade religiosa, autoestima e saúde mental com um cuidado incomum para o horário e o público-alvo. E construiu, no coração de sua trama principal, uma história de amor clássica em seu formato, mas, rica em significado simbólico: dois jovens de mundos diferentes descobrindo que a identidade não é uma herança — é uma conquista.

Mais de uma década depois de seu lançamento original, a disponibilização no Globoplay e as reprises no Canal Viva demonstraram que Malhação ID conservou seu poder de seduzir novos espectadores. Talvez porque a pergunta que o programa fazia — “quem eu sou?” — seja perene. Cada geração de adolescentes precisará respondê-la do seu próprio jeito, com as ferramentas e os desafios do seu tempo. E enquanto essa pergunta existir, haverá espaço para histórias como a do Colégio Primeira Opção, do Rocket Stone e da República Himalaia.


MALHAÇÃO ID: OS PERSONAGENS, OS ATORES E ONDE ESTÃO EM 2026

Estreada em 9 de novembro de 2009 e encerrada em 20 de agosto de 2010, Malhação ID reuniu um elenco generoso e diversificado que misturou jovens estreantes, talentos em consolidação e veteranos experientes da teledramaturgia brasileira. A temporada ficou marcada não apenas pela trama, mas pelo conjunto humano que lhe deu vida: atores e atrizes que, ao partirem do Colégio Primeira Opção, seguiram caminhos absolutamente distintos — alguns tornaram-se referências da dramaturgia nacional, outros migraram para o humor, para o cinema independente, para o teatro, para os esportes, para outras profissões, ou simplesmente desaceleraram o ritmo na televisão.


OS PROTAGONISTAS

BERNARDO OLIVEIRA — FIUK

O personagem Bernardo Oliveira era o epicentro afetivo de Malhação ID. Filho do empresário Paulo Roberto e de Cissa, ele encarnava o tipo do jovem privilegiado que navega pela adolescência sem que o peso real da vida o toque: bem-vestido, popular, cercado de amigos leais, acostumado a obter o que deseja. Sua evolução ao longo da temporada foi justamente o processo de amadurecimento que o obrigou a encarar contradições: a diferença de classe que o separava de Cristiana, a hipocrisia que descobriu nos pais, e, por fim, a decisão moral de denunciar Paulo Roberto e Cissa à polícia ao encontrar provas de desvio de dinheiro público.

O ator Filipe Kartalian Ayrosa Galvão — conhecido ao mundo como Fiuk — nasceu em 25 de outubro de 1990 em São Paulo. Filho do cantor Fábio Jr. e irmão da atriz Cleo Pires, Fiuk chegou à Malhação já com experiência musical como vocalista da banda Hori — responsável pela própria música de abertura da temporada, “Quem Eu Sou”. Malhação ID marcou sua estreia oficial na televisão como ator.

Onde está em 2026, Após Malhação, Fiuk construiu uma carreira televisiva relevante: atuou em Aquele Beijo (2011), Geração Brasil (2014), Lili, a Ex (2016) e alcançou um dos papéis de maior prestígio de sua carreira em A Força do Querer (2017), novela das nove de Glória Perez. No cinema, protagonizou Julio Sumiu (2013) e O Galã (2019). Em 2021, ganhou nova onda de visibilidade ao participar do BBB21 como “Camarote”, chegando à final do reality. Após o programa, aprofundou sua carreira musical — atualmente focada no funk e no pop — passando por diversas fases estilísticas. Em 2025, participou novamente de uma ação do BBB25, fazendo uma apresentação musical para os finalistas, descrevendo aquele momento como uma fase de “Novo Testamento” em sua vida e carreira. Em 2026, Fiuk segue atuante nas redes sociais e na música, embora sem projetos confirmados de grande porte nas telas.


CRISTIANA ARAÚJO (CRIS) — CHRISTIANA UBACH

A personagem, Cristiana Araújo era a contraparte de Bernardo em todos os sentidos: filha do caseiro Antônio, estudiosa, responsável, determinada e avessa às vaidades do mundo que o namorado habitava. Foi através dela que a trama mais claramente abordou a desigualdade socioeconômica no Brasil — suas roupas de brechó, sua dependência de bolsa de estudos e sua relutância em aceitar favores eram elementos narrativos concretos e não apenas cenográficos. Cristiana também era patinadora artística de talento, conquistando o campeonato municipal da modalidade.

A atriz, Cristiana Monteiro Peres, conhecida profissionalmente como Christiana Ubach, nasceu em 14 de abril de 1987 no Rio de Janeiro. Antes de Malhação ID, ela havia feito sua estreia televisiva em A Favorita (2008), interpretando uma versão jovem da personagem Flora. O papel de Cris foi sua estreia como protagonista e lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Contigo de Melhor Atriz Revelação.

Onde está em 2026: Após Malhação ID, Christiana Ubach assinou contrato de três anos com a Globo, participando de Vendemos Cadeiras (2010), Além do Horizonte (2013) e Felizes para Sempre? (2015). Em 2016, tornou-se protagonista de A Garota da Moto, série do SBT. No cinema, venceu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Luso-Brasileiro em Portugal com o filme Boa Sorte, Meu Amor (2012). Em 2019 participou de Toda Forma de Amor (Globoplay), e em 2024 integrou o elenco de A Infância de Romeu e Julieta, coprodução do SBT com o Amazon Prime. Em 2025 participou do longa Aos Pedaços, dirigido por Ruy Guerra, que venceu três prêmios Kikito no Festival de Cinema de Gramado. Em 2026, Christiana Ubach vive uma fase de transição: tornou-se perfumista, criando sua própria marca — Ewá Perfumaria —, especializada em perfumes e florais de Bach. Aos 39 anos, ela divide o tempo entre a atuação e o novo ofício, com um curta-metragem intitulado Eterno Retorno em pós-produção.


OS ANTAGONISTAS

BEATRIZ “BIA” GOMES — MARIANA MOLINA

A personagem Bia era a principal antagonista de Malhação ID e uma das mais elaboradas da franquia até aquele momento. Apaixonada por Bernardo, ela teceu uma rede sofisticada de armações para separar o protagonista de Cristiana: da falsa gravidez simulada com ultrassom roubado de Zuleide à ameaça de revelar o segredo da origem biológica de Nanda caso Cristiana a delatasse. A interpretação de Mariana Molina foi aplaudida por conseguir tornar Bia simultaneamente odiável e compreensível — uma vilã com motivação afetiva genuína, por mais que seus métodos fossem cruéis.

A atriz, Mariana Nunes de Souza Molina nasceu em 5 de outubro de 1990 em São Bernardo do Campo (SP). Iniciou sua carreira ainda criança, em 2001, na novela Pícara Sonhadora, e chegou a apresentar o programa Patrulha Nick, do canal Nickelodeon, após vencer o concurso da emissora. Malhação ID foi seu primeiro papel de destaque em horário nobre.

Onde está em 2026: Após Malhação ID, Mariana Molina integrou o elenco de Amor Eterno Amor (2012) e Verdades Secretas (2015), ambas na Globo. Participou de séries como Perrengue (2017), Sem Volta (2017), Onde Nascem os Fortes (2018), Bom Sucesso (2019) e O Buscador (2019). Em 2025, participou da série E Agora, Quem Vai Ficar com a Mamãe?

Atriz versátil, Mariana transitou com desenvoltura entre o drama e a comédia ao longo da carreira, consolidando-se como uma presença constante no audiovisual brasileiro independente. Em 2026, mantém atividade em projetos de streaming e em produções de cinema.


FERNANDA “NANDA” ARAÚJO — GIOVANA ECHEVERRIA

A personagem, Nanda era a irmã de Cristiana e um dos personagens de maior complexidade emocional da temporada. Inicialmente apresentada como mais uma jovem apaixonada por Bernardo — o que a levou a conspirar contra a própria irmã —, ela escalou para um território perturbador ao sequestrar o protagonista em surto obsessivo. A subsequente internação psiquiátrica e a revelação de que ela não era filha biológica de Antônio — mas sim de um homem chamado Miguel — deram ao personagem uma profundidade incomum para o horário.

A atriz, Giovana Echeverria nasceu em Porto Alegre (RS) e começou a atuar ainda na escola, integrando a companhia de teatro Nilton Filho e cursando oficina de Artes Dramáticas na UFRGS. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 2009 especificamente para integrar o elenco de Malhação ID.

Onde está em 2026: Após Malhação ID, Giovana Echeverria construiu uma carreira diversificada em televisão, cinema e teatro. Na Globo, participou de Sete Vidas (2015), Orgulho e Paixão (2018) e da aclamada série Justiça (2016), indicada ao Emmy Internacional. Na Record, integrou os elencos de Vidas em Jogo e de Gênesis. No Globoplay, deu vida a Lisa, uma das personagens centrais de Verdades Secretas 2 (2021). Na MTV, foi antagonista na série Perrengue. No cinema, protagonizou os longas #Garotas — O Filme e A Superfície da Sombra, com distribuição internacional. No teatro, foi destaque na peça Um Fascista no Divã (2023). Em 2026, além de atriz, Giovana Echeverria atua como produtora, analista de roteiro e facilitadora de comunicação, tendo em andamento projetos na série Tremembé (Amazon Prime) e no espetáculo teatral Mar Aberto, do qual também foi diretora de produção e dramaturga.


OS PERSONAGENS DO QUARTETO POPULAR

ALBERTO “BETO” DUARTE — MURILO COUTO

O personagem, Beto era o melhor amigo de Bernardo e o personagem cômico-filosófico por excelência da turma. Leal ao amigo até o fim, ele também tinha um arco próprio de amadurecimento: ao longo da temporada, revelou seu desejo de cursar engenharia civil e foi um dos pilares de apoio emocional de Bernardo durante a crise familiar dos Oliveira. Suas cenas com Bernardo eram marcadas por um humor natural e uma cumplicidade que tornava o duo protagonista ainda mais palatável ao público jovem.

O ator, Murilo Couto é natural de São Paulo e iniciou a carreira como ator na televisão. Em Malhação ID viveu seu papel de maior alcance na televisão antes de optar por uma mudança radical de trajetória.

Onde está em 2026: Murilo Couto abandonou progressivamente a carreira de ator para se tornar um dos nomes mais reconhecidos do stand-up comedy brasileiro. Com um estilo descrito como “verborrágico, irreverente e por vezes insano”, ele construiu uma base sólida de público ao longo dos anos 2010, tornando-se presença constante nos principais teatros do Brasil. Em 2025, iniciou temporada no Teatro Bradesco com seu show “7 Passos para o Bilhão”, que o apresentava como “Murilo Coach” em uma palestra satírica. Em 2026, participou como atração confirmada do Space Today Experience, em março. Seu canal no YouTube acumula uma audiência fiel que acompanha seu humor cotidiano.


TATIANA “TATI” FERNANDES — ÉLIDA MUNIZ

A personagem, Tati era a fashionista do quarteto: obcecada por moda, sonhava em ser estilista e via nas roupas uma forma de expressão de identidade. Em um acordo temporário com Bia, também nutria sentimentos por Bernardo, o que a colocou em colisão com Cristiana. Mas ao longo da temporada, Tati evoluiu para além do estereótipo da patricinha vaidosa, ganhando dimensões humanas mais ricas.

A atriz, Élida Barbosa Muniz nasceu em 3 de junho de 1989 no Rio de Janeiro. Atriz mirim nos anos 1990 — estreou em A Indomada (1997) no papel de Vivinha —, ela apresentou o TV Globinho entre 2000 e 2004 e retornou à atriz de televisão justamente através de Malhação ID.

Onde está em 2026: Após Malhação ID, Élida Muniz fez uma participação em Verão 90 (2019) e depois se afastou progressivamente das telas para perseguir sua vocação pessoal: formou-se em Design de Moda e passou a trabalhar como figurinista, chegando a integrar a equipe técnica do canal Esporte Interativo. Em 2019, mudou-se para Nova York, nos Estados Unidos, onde continuou desenvolvendo sua carreira no universo da moda e do figurino. Em 2026, Élida Muniz é o exemplo mais emblemático do elenco de Malhação ID a ter transformado radicalmente a vocação da adolescência — de atriz de televisão a profissional da moda — seguindo exatamente a trajetória que seu personagem Tati sonhava na ficção.


OS ARCOS PARALELOS CENTRAIS

BRUNO — CAIO CASTRO

O personagem Bruno chegou à narrativa como personagem transitório das temporadas anteriores e ganhou em Malhação ID um dos arcos mais ricos e discutidos da temporada: o romance com Samira Al Rashid, uma jovem muçulmana iraniana recém-chegada ao Brasil. O processo de Bruno — que, para se casar com Samira e acompanhar o filho Gustavinho na Europa, tomou a decisão de se converter ao islamismo — foi um dos momentos mais incomuns e bem-recebidos da história da franquia.

O ator Caio Castro nasceu em São Paulo e chegou à Malhação ID ainda jovem, com uma carreira em formação. O papel de Bruno foi sua grande vitrine antes de decolar para novelas de horário nobre.

Onde está em 2026: Caio Castro tornou-se um dos galãs mais populares da teledramaturgia brasileira dos anos 2010. Após Malhação, atuou em Fina Estampa (2011/12), Novo Mundo (2017), I Love Paraisópolis (2015) e outras produções de destaque na Globo. Em 2022, conciliou temporariamente atuação e automobilismo em Todas as Flores (Globoplay/2022-2023), seu último trabalho como ator até o momento. Em 2024, revelou em entrevista à revista Veja que havia optado definitivamente por deixar a carreira de ator para se dedicar ao Stock Car: “Não consegui conciliar os dois. Não dá para fazer tudo na alta performance e com excelência. Então tive que optar”. Em 2026, Caio Castro retornou à Globo — mas não como ator: foi contratado como comentarista da temporada de Fórmula 1 no programa Grid, exibido às sextas-feiras antes de cada Grande Prêmio. Paralelamente, há negociações em andamento para um possível retorno à atuação em série do Globoplay baseada no livro Mansão Hedonê.


FERNANDINHO — JOHNNY MASSARO

O personagem Fernandinho era o jovem que vivia dilacerado entre dois sentimentos opostos: o amor real pela namorada Domingas e a atração pela insegura Rita Silveira. O triângulo amoroso que formaram os três personagens foi um dos mais humanamente escritos da temporada, sem vilões declarados — apenas pessoas comuns em situações emocionalmente complicadas.

O ator Johnny Jorge Massaro nasceu em 20 de janeiro de 1992 no Rio de Janeiro. Formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Estácio de Sá, iniciou a carreira televisiva em Floribella (2005) antes de chegar à Malhação, onde permaneceu entre as temporadas 15 e 17 (2007-2010).

Onde está em 2026: Johnny Massaro construiu uma das carreiras mais consistentes e respeitadas do elenco de Malhação ID. Participou de A Grande Família (2013), A Regra do Jogo (2015), Deus Salve o Rei (2018) — onde interpretou o Príncipe Rodolfo de Montemor, um dos protagonistas —, Verdades Secretas 2 (2021) e Terra e Paixão (2023), onde viveu um dos protagonistas. Em 2025, integrou o elenco de Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (HBO Max) e do filme O Filho de Mil Homens. Em 2026, participou da série Emergência Radioativa (Netflix, lançada em março de 2026). Em maio de 2025, Johnny Massaro abriu o coração em entrevista ao programa Companhia Certa da TV Globo, falando sobre as dificuldades de se assumir homossexual no início da carreira: “Durante 16 anos da minha carreira, fiz personagens héteros e isso nunca foi uma questão”, disse o ator, que se assume gay publicamente e prossegue como um dos atores mais requisitados de sua geração. Aguarda-se ainda o lançamento da série Delegado, codirigida por Kleber Mendonça Filho e Marcelo Lordello, na qual Massaro é protagonista.


DOMINGAS — CAROLINIE FIGUEIREDO

A personagem Domingas foi um dos personagens mais queridos do público em Malhação ID: namorada fiel e apaixonada de Fernandinho, ela sem saber respondia os e-mails de aconselhamento amoroso enviados pela rival Rita no site “Bela Amada” — dando conselhos à própria concorrente. Sua reação ao descobrir a traição foi intensa e memorável, consolidando o personagem como favorito.

A atriz Carolinie Almeida Figueiredo nasceu em 20 de abril de 1989 em São Gonçalo (RJ). Entrou para o elenco de Malhação aos 18 anos, na 15ª temporada (2007), permanecendo até a 17ª edição (Malhação ID, 2009-2010). O papel de Domingas rendeu-lhe o prêmio de Melhor Atriz Revelação do Prêmio Contigo! e da revista Caras em 2009.

Onde está em 2026: Após Malhação, Carolinie atuou em Ti Ti Ti (2010) e Sangue Bom (2013). Em 2013, fez uma participação especial numa temporada subsequente de Malhação, reencontrando a personagem Domingas. Após esse período, passou quase uma década praticamente afastada da televisão, atravessando uma fase difícil financeira e profissionalmente, da qual falou publicamente em 2024: “Cheia de boletos”, descreveu ela, ao contar que fez a transição de carreira para educadora parental e terapeuta para mulheres. Em 2024, recebeu um convite “do nada” para participar da série Pedaço de Mim (Netflix), interpretando a médica Dra. Felícia Vieira — um retorno às telas que ela descreveu como “encantador”. Em 2026, Carolinie Figueiredo está ativamente presente em suas redes sociais, onde divulga seu trabalho como terapeuta e participa de projetos artísticos de menor escala, como o espetáculo teatral Mulheres Que Nascem Com os Filhos.


RITA SILVEIRA — OLÍVIA TORRES

A personagem Rita era, simbolicamente, a personagem mais corajosa de Malhação ID: uma adolescente acima do peso, insegura e frequentemente invisível para os colegas que, ao se apaixonar por Fernandinho, encontrou a força — e a vulnerabilidade — de tentar ser vista. O papel exigiu da atriz o uso de enchimentos no figurino para simular o sobrepeso do personagem. Rita tocou o público por sua humanidade imperfeita e pela recusa da narrativa em torná-la simplesmente cômica.

A atriz Olívia Torres nasceu em 6 de junho de 1994 em São José do Rio Preto (SP). Filha da atriz Sofia Torres, iniciou a carreira ainda criança. Tinha apenas 15 anos quando entrou para o elenco de Malhação ID. Em 23 de janeiro de 2020, assumiu publicamente sua homossexualidade, atualmente namorando a artista visual Camila Maluny.

Onde está em 2026: Olívia Torres construiu uma das trajetórias mais celebradas e mais diversificadas do elenco de Malhação ID. Após a temporada, atuou em Amor Eterno Amor (2012), O Rebu (2014), Totalmente Demais (2015) e Tempo de Amar (2017). É também atriz de teatro — faz parte da companhia Plano Coletivo desde 2013. No cinema, o ponto mais alto de sua carreira veio em 2024, quando integrou o elenco do longa Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, interpretando Maria Beatriz Paiva (Babiu) adulta. O filme conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em março de 2025, tornando-se o primeiro Brasil a vencer essa categoria na história da premiação. Olívia esteve na Sapucaí durante o Carnaval quando recebeu a notícia da vitória, e se emocionou ao vivo ao falar do feito ao programa Conexão GloboNews. Em 2026, a atriz integra o elenco da 6ª temporada de Sessão de Terapia e tem dois projetos em andamento: o curta Corações Naufragados e a série Jantar Pra Seis.


SAMIRA AL RASHID — THAÍS BOTELHO

A personagem Samira era a jovem muçulmana iraniana cujo romance com Bruno desafiou fronteiras culturais e religiosas. Sua trajetória no Colégio Primeira Opção foi marcada pela tensão entre a vontade de se integrar à cultura brasileira — chegando a tirar o hijab para os amigos, em cena que virou tema de discussão na época — e o respeito pela identidade islâmica que a família lhe impunha. O casamento com Bruno, realizado em cerimônia islâmica, e a partida para a Espanha encerraram o arco de forma emocionante.

A atriz Thaís Botelho interpretou Samira em seu papel de maior destaque na televisão brasileira até aquele momento. A saída do personagem ao final da temporada coincidiu com o encerramento do seu contrato com a produção.

Onde está em 2026: Após Malhação ID, Thaís Botelho manteve uma carreira menos visível nos grandes meios televisivos, atuando em projetos de menor circulação e no teatro. Seu trabalho em Malhação ID permanece como a referência mais lembrada de sua trajetória artística.


OS PERSONAGENS SECUNDÁRIOS

RODRIGO CERQUEIRA — RICKY TAVARES

O personagem Rodrigo era o rapaz convicto de que era o centro do universo — bonito, autoconfiante e aficionado por falsos provérbios que repetia para impressionar os colegas. Seu romance com Maria Cláudia foi uma das linhas cômicas mais bem construídas da temporada. Na cena final da trama do Escondidinho, foi ele e Maria Cláudia quem assumiram voluntariamente a culpa pelos protagonistas — um ato de solidariedade que selou o espírito comunitário da escola.

O ator Ricky Tavares é ator e modelo brasileiro. Malhação ID foi uma de suas primeiras experiências de destaque na televisão.

Onde está em 2026: Ricky Tavares seguiu a carreira de ator após Malhação, participando de produções nacionais diversas, e mantém presença nas redes sociais. Após a temporada, não voltou a ter um papel de destaque comparável ao de Rodrigo em produções de grande alcance.


MARIA CLÁUDIA “CACAU” SÁ — ISABELLA DIONÍSIO

A personagem Maria Cláudia era o contraponto cômico feminino de Rodrigo: uma jovem cujo maior sonho declarado era casar, cuidar da casa e da família — um projeto de vida que, apresentado com humor e sem julgamento, suscitava reflexões sobre expectativas de gênero. Ao lado de Rodrigo, formou o casal secundário mais engraçado e afetuoso da temporada.

A atriz Isabella Dionísio nasceu em 1991. Malhação ID foi um de seus primeiros trabalhos de grande visibilidade na televisão.

Onde está em 2026: Isabella Dionísio construiu uma carreira regular no audiovisual brasileiro após Malhação ID, com participações em séries e filmes nacionais. Mantém atividade constante em produções independentes.


VALENTINA DUARTE — JULIA BERNAT

A personagem Valentina era a jovem atleta que praticava boxe tailandês, resistia às convenções de gênero com humor e autonomia, e sonhava em cursar engenharia civil. Seu romance tardio com Lucca foi construído lentamente, justamente porque Valentina precisava ser convencida de que amar não significava abrir mão de quem se é.

A atriz Julia Bernat é atriz e cantora brasileira. Após Malhação ID, desenvolveu uma carreira que transita entre a televisão, o cinema e o teatro.

Onde está em 2026: Julia Bernat mantém atividade constante no audiovisual e nas artes cênicas, com participações em séries e espetáculos teatrais, além de uma carreira musical ativa.


LUCCA AZEREDO — ERIK VESCH

O personagem Lucca era o contraponto romântico e tímido de Valentina: o jovem sensível que se apaixonou pela atleta com aquela intensidade silenciosa de quem ama sem saber como declarar. Sua paciência e sua recusa em pressionar Valentina a corresponder ao amor antes de estar pronta foram retratadas com delicadeza incomum para uma novela teen.

O ator Erik Vesch teve em Lucca um de seus papéis de maior alcance televisivo até aquele momento.

Onde está em 2026: Erik Vesch manteve presença no audiovisual brasileiro após Malhação ID, com trabalhos em produções diversas de menor circulação nacional.


JOTAPEG — JOÃO MAIA

O personagem Jotapeg era um personagem visionário na sua época: o jovem obcecado por videogames que preferia as relações virtuais às presenciais e usava sempre a mesma jaqueta dos anos 1980 comprada em brechó — deliberadamente alheio ao jogo das aparências. Em 2009, quando a internet ainda estava longe do que se tornaria, a figura de Jotapeg antecipou debates sobre dependência digital e alienação tecnológica que se tornariam centrais na cultura jovem dos anos seguintes.

O ator João Maia é ator brasileiro que acumulou experiências em televisão e teatro. Jotapeg foi seu personagem de maior popularidade até o momento.

Onde está em 2026: João Maia prosseguiu na carreira de ator após Malhação ID, com participações em produções teatrais e televisivas diversas, sem retornar a um papel de visibilidade comparável ao de Jotapeg.


OS PERSONAGENS ADULTOS

PROFESSOR LIVRAMENTO — JOSÉ DE ABREU

O personagem, O Professor Livramento era o diretor e docente de filosofia do Colégio Primeira Opção: uma figura de autoridade humanista, simultaneamente rígida e generosa, capaz de conceder bolsas de estudo a Cristiana e Nanda, mas também de ameaçar acabar com o Escondidinho. José de Abreu trouxe ao personagem a gravidade cômica de quem domina o ofício dramático há décadas.

O ator José Pereira de Abreu Júnior nasceu em 24 de maio de 1946 em Santa Rita do Passa Quatro (SP). Com mais de cinco décadas de carreira, é um dos atores mais respeitados da dramaturgia brasileira, associado especialmente ao personagem Nilo de Avenida Brasil (2012).

Onde está em 2026: Após Malhação ID, José de Abreu prosseguiu em ritmo acelerado: A Regra do Jogo (2015), Segundo Sol (2018), Um Lugar ao Sol (2021), Mar do Sertão (2022-2023), Sky Tower (2023), Volta por Cima (2024) e Guerreiros do Sol (2025, Globoplay) somam-se a um currículo de mais de 100 títulos no IMDB. Em 2024, revelou ao jornal O Globo que havia tomado uma pausa deliberada das novelas para “mudar a vida” e voltar ao teatro, embora reconhecesse estar com 78 anos e ainda muito disposto a trabalhar. Em março de 2026, chegou a iniciar conversas para se candidatar a deputado federal nas eleições de outubro, mas acabou recuando — e recebeu convite para integrar o elenco de Por Você, a próxima novela das sete da Globo, com estreia prevista para o segundo semestre de 2026.


ANSELMO — ERI JOHNSON

O personagem Anselmo era o ex-patinador e proprietário do Rocket Stone — o roller que servia como espaço de lazer e convivência para os jovens fora da escola. Com sua personalidade exuberante e bem-humorada, Eri Johnson foi uma escolha acertada para um papel que exigia presença de cena sem dominar a narrativa.

O ator Eri Johnson Araújo nasceu em 22 de dezembro de 1961 no Rio de Janeiro. Com décadas de televisão acumuladas — incluindo Vira Lata (1996), O Clone (2001), O Magnata (2007) —, ele é um rosto familiar da dramaturgia brasileira, especialmente em papéis de personagens expansivos e com senso de humor apurado.

Onde está em 2026: Em fevereiro de 2026, Eri Johnson concedeu entrevista revelando que não tem mais interesse em trabalhar em novelas: “Eu não tenho tempo nem interesse em fazer novela, mas sou muito grato”. O ator declara estar envolvido com múltiplas atividades — incluindo projetos teatrais e de entretenimento digital — e longe de se aposentar, embora o formato da telenovela já não faça parte de seus planos. Seu trabalho mais recente na televisão foi em Topíssima (2019, Record).


PAULO ROBERTO OLIVEIRA — TARCÍSIO FILHO

O personagem Paulo Roberto era o pai de Bernardo e o grande antinarciso da trama adulta: um empresário bem-sucedido cujo verniz de respeitabilidade escondia um esquema de desvio de dinheiro público. Sua prisão e posterior fuga para os Estados Unidos foram o golpe mais duro da narrativa no protagonista, obrigando Bernardo a escolher entre a lealdade filial e a ética pessoal.

O ator Tarcísio Pereira de Magalhães Filho nasceu em 22 de agosto de 1964 em São Paulo. Filho dos atores Tarcísio Meira e Glória Menezes, ele viveu em Malhação ID seu retorno às novelas após cinco anos focado em minisséries.

Onde está em 2026: Após Malhação ID, Tarcísio Filho participou de Morde e Assopra (2011), Deus Salve o Rei (2018), Êta Mundo Bom (2016) e Verdades Secretas (2015). Mantém a carreira ativa na televisão e no teatro, com uma trajetória de mais de 50 anos no audiovisual e mais de 28 títulos registrados. Em 2026 aproxima-se dos 62 anos de idade e permanece como um nome consistente e respeitado na dramaturgia brasileira.


UM BALANÇO: PERCURSOS DIVERGENTES, LEGADO COMPARTILHADO

Passados dezesseis anos da estreia de Malhação ID, o que mais impressiona na análise do elenco é a diversidade absoluta de caminhos tomados por aqueles jovens atores que dividiram cenas no fictício Colégio Primeira Opção. Olívia Torres chegou ao Oscar. Johnny Massaro tornou-se um dos atores mais versáteis de sua geração, com projetos da Netflix à HBO. Caio Castro trocou o estúdio pelas pistas de corrida e hoje comenta Fórmula 1. Murilo Couto abandonou as novelas para se tornar um dos comediantes mais populares do Brasil. Christiana Ubach escolheu perfumes e florais de Bach. Élida Muniz realizou na vida real o sonho de seu personagem Tati: trabalhou como estilista e figurinista. Carolinie Figueiredo passou anos longe das câmeras, reinventou-se como terapeuta e voltou com uma participação marcante na Netflix.

Nenhum desses percursos era previsível em novembro de 2009, quando os holofotes se acenderam sobre o Colégio Primeira Opção e a voz de Fiuk perguntou, pela primeira vez, “Quem Eu Sou?” na abertura da temporada. A pergunta, que era a da ficção, revelou-se também a pergunta da vida real de cada um deles — e as respostas que construíram ao longo de dezesseis anos são tão variadas, surpreendentes e humanas quanto qualquer enredo que os roteiristas poderiam imaginar.

COMENTÁRIOS DE JEFFERSON EDUARDO:

“COMO PROMETIDO, IREMOS AGORA FALAR SOBRE A MALHAÇÃO ID: TEMPORADA LANÇADA COMO UM DIVISOR DE ÁGUAS, CONTAVA COM UM NOME PRÓPRIO, SEM TER O ANO DE LANÇAMENTO NO TÍTULO, COMO ERA CARACTERÍSTICO NAS SUAS VERSÕES ANTERIORES.

DEMONSTRANDO QUE IRIAMOS TER UM TRATAMENTO DIFERENCIADO PARA ESTES PERSONAGENS, AO MENOS ERA O ESPERADO. PARA COMEÇAR, MALHAÇÃO ID, CONTOU COM A FÓRMULA DE SEMPRE, COM UM TOQUE A MAIS DE OUSADIA, A PARTICIPAÇÃO DE UM PERSONAGEM IMPORTANTE E RECONHECIDO NACIONALMENTE, FIUK, O FILHO DO FÁBIO JÚNIOR.

PARA VIVER O PERSONAGEM DE BERNARDO, O PROTAGONISTA PRINCIPAL DA NOVELA TEEN. ESSA APOSTA FOI MAIS QUE ACERTADA, DE ESCALAR ALGUÉM FAMOSO AO INVÉS DE DAR ESPAÇO A UM ATOR INICIANTE, POIS MALHAÇÃO ID SE TORNOU UM DIVISOR DE ÁGUAS NO QUE CONSTA A HISTÓRIA, JUSTAMENTE PARA FAZER DIFERENTE DAS ANTERIORES.

VIVENDO AGORA SUAS AVENTURAS EM UM NOVO COLÉGIO, OU MELHOR, UM NOVO NOME DE COLÉGIO, O COLÉGIO PRIMEIRA OPÇÃO, FAZENDO O DESENVOLVIMENTO DE UMA HISTÓRIA LINEAR QUE CULMINA EM SITUAÇÕES MAIS “PÉ NO CHÃO”, PLAUSÍVEIS DE SE ACONTECER A QUALQUER PESSOA. NÃO VEJO OUTRO ATOR INTERPRETANDO O BERNARDO, QUE NÃO SEJA O FIUK, NA VERDADE, QUASE TODOS DA ESCOLHA DE ELENCO FORAM ACERTADOS.

O ELENCO FOI DIVERSIFICADO, MAS SEM TIRAR O FOCO DOS PROTAGONISTAS, VEIO DE UMA FORMA QUE ACRESCENTOU E MUITO NO DESENVOLVIMENTO, CADA PERSONAGEM VEIO COM UMA PROPOSTA ÚNICA, ERAM ESTEREOTIPADOS, MAS CADA UMA DAS CARACTERÍSTICAS MARCANTES, FORAM BEM TRABALHADAS.

CONTANDO TAMBÉM COM AS PRESENÇAS DE PERSONAGENS DA TEMPORADA ANTERIOR, QUEM NÃO SE LEMBRA DO FERNANDINHO E DA DOMINGAS. ALÉM DE UM ELENCO INFANTIL E UM ELENCO ADULTO QUE FORAM TRABALHADOS CONSTANTEMENTE. FAZENDO PARTE DA HISTÓRIA, SEM ESTAREM APENAS COMO APOIO TÉCNICO PARA AS CONFUSÕES DOS ADOLESCENTES.

MALHAÇÃO ID TRABALHOU A QUESTÃO DO QUE ACONTECE FORA DA ESCOLA, AGORA COM A PRESENÇA DO ROCKET STONE, UM ESTABELECIMENTO DEDICADO AOS ESPORTES, MUDANDO DRASTICAMENTE PARA PATINAÇÃO NO GELO E EVENTOS AO VIVO COM MÚSICOS. ESSA FOI UMA IDEIA OUSADA, JÁ QUE ESPORTE NO GELO NUNCA FOI TÃO BEM TRABALHADO NO BRASIL, E A MÚSICA, OBVIAMENTE, VINDA DO SUCESSO DO FIUK, QUE DISPENSARIA APRESENTAÇÕES.

OUTRA PARTE IMPORTANTE FOI O SURGIMENTO DO STAND UP, ONDE O MURILLO COUTO REALMENTE CONSEGUIU PERSONIFICAR O PERSONAGEM, QUE PARECE QUE ESTÁ VIVO ATÉ OS DIAS DE HOJE. ESSE CARA TRANSCENDEU O ORDINÁRIO E COMEÇOU A FAZER EXATAMENTE O QUE ELE PRÓPRIO FAZIA EM MALHAÇÃO ID E AINDA SE TORNOU UM DOS MAIORES COMEDIANTES DO BRASIL, NA OPINIÃO DE ALGUMAS PESSOAS.

TIVEMOS OUTROS PONTOS INTERESSANTES, COMO: A PRESENÇA DAS PERSONAGENS FEMININAS EM UMA BANDA, FAZENDO COM QUE MAIS DA ESTÉTICA DE MÚSICA FOSSE TRABALHADA PARA ALÉM DO BERNARDO E SEU OUVIDO ABSOLUTO.

TEMOS A PRESENÇA DA CRISTIANA, COM “A” NO FINAL, COMO É INTRODUZIDA NA NOVELA, DEMONSTRANDO SER UMA DAS MELHORES PERSONAGENS EM QUESTÃO DE CARÁTER, TENDO DE CONVIVER EM UM COLÉGIO DE GENTE RICA, ENQUANTO SUA PERSONALIDADE É LITERALMENTE AVESSA AS MORDOMIAS QUE SÃO PROPORCIONADAS. CRISTIANA SENDO UMA GAROTA BATALHADORA E AINDA CAMPEÃ DE PATINAÇÃO NO GELO.

ACABAMOS COMPARANDO CERTAS SEMELHANÇAS ENTRE AS TEMPORADAS, NÃO POR MALDADE, MAS PARA “ENTENDER A REFERÊNCIA”. UMA DELAS É:

A REPUBLICA DO HIMALAIA, NOME DADO A REPUBLICA, PELO FATO DE NÃO POSSUIR ELEVADOR E OS ESTUDANTES MORAREM NO ÚLTIMO ANDAR DO PRÉDIO. FAZENDO MAIS UMA DAS REFERENCIAS A REPÚBLICA DO VINICIUS, ONDE O CABEÇÃO, O RAFAEL, A DRIKA E OUTROS PERSONAGENS SE REUNIRAM.

O AUTOMÓVEL XODÓ DESSA GERAÇÃO, AGORA PERTENCENTE AS MULHERES, O QUE NÃO PODEMOS DEIXAR DE PENSAR NA REFERÊNCIA DE DOIS DOS MELHORES CARROS QUE JÁ CHEGARAM À EXISTÊNCIA, O MOCOTÓMÓVEL E O OGROMÓVEL, DE DUAS DAS FIGURAS MAIS INCRÍVEIS QUE JÁ PASSARAM PELA AQUELA ACADEMIA / COLÉGIO, CLARO, MOCOTÓ E CABEÇÃO.

É POSSÍVEL PERCEBER QUE ESSA TEMPORADA PASSOU POR TEMAS RECORRENTES DESSA NOVELA DA GLOBO, TENDO A QUESTÃO DOS CARROS, DA BANDA, DOS ROMANCES RESOLVIDOS APENAS NO FINAL, DOS PERSONAGENS DE OUTRAS TEMPORADAS E DA VILÃ DO FINAL DE ARCO SENDO DESMASCARADA PARA TODOS VEREM.

MAS, O QUE MAIS CHAMA A ATENÇÃO É A PRESENÇA DE PERSONAGENS MUITO ESTEREOTIPADOS, PORÉM, DEVO ADMITIR, A NOVELA SOUBE TRABALHAR MUITO BEM CADA PERSONAGEM E PERSONALIDADE, PARA A CRIAÇÃO DE ENREDO SEM PREJUDICAR CADA PERSONAGEM INDIVIDUALMENTE.

JÁ QUE HÁ VÁRIAS PERSONAGENS INDIVIDUAIS DIVIDINDO O ESPAÇO DO COLÉGIO, DA MANEIRA QUE ACONTECERIA NA VIDA REAL. CLARO QUE A PROTAGONISTA CRISTIANA ROUBA O SHOW E SE TORNA INCRÍVEL E INESQUECÍVEL NO PAPEL, MAS HÁ OUTRAS PERSONAGENS QUE MERECIAM DESTAQUE IGUALMENTE, PERSONAGENS COMO A VALENTINA, A MELHOR AMIGA DE CRIS, A JUJU, A MARIA CLÁUDIA, O PROFESSOR LIVRAMENTO, O PAI DA CRISTIANA (ANTÔNIO) E O NÚCLEO INFANTIL, CLARINHA, JONAS E LIMÃO.

ONDE ALGUNS APENAS CONTRIBUÍRAM COM AS SOLUÇÕES PARA QUE A HISTÓRIA PUDESSE SE DESENVOLVER, E OUTROS FICARAM SEM UM DESENVOLVIMENTO FINAL. MAS QUE FORAM BEM TRABALHADOS DURANTE O PERCURSO DA NOVELA.

ACREDITO QUE SERIA UMA BOA TEMPORADA PARA ALGUÉM QUE NUNCA VIU NADA DAS OUTRAS TEMPORADAS, COMEÇAR A ASSISTIR. POIS MALHAÇÃO ID É MAIS INDEPENDENTE DAS OUTRAS, MESMO POSSUINDO REFERÊNCIAS AS DEMAIS TEMPORADAS E AOS PERSONAGENS, O FAZ SEM ATRAPALHAR O ENTENDIMENTO DA HISTÓRIA POR QUEM NÃO ASSISTIU.

OBVIAMENTE, O CERTO SERIA COMEÇAR PELA PRIMEIRA TEMPORADA DE MALHAÇÃO (1995), PORÉM, COMO TEMPORADA INICIAL, NÃO RECOMENDO, RECOMENDARIA PASSAR POR UMA TEMPORADA MAIS CURTA, COMO MALHAÇÃO DE VERÃO, OU A MALHAÇÃO 1996 E MALHAÇÃO 2004, ONDE O PÚBLICO TEM MAIOR APREÇO, DIGAMOS QUE TENHA MAIS DESENVOLVIMENTO E É MAIS DIVERTIDA PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO NO UNIVERSO DAS NOVELAS. MAS QUANDO SE PERGUNTAR SE HÁ ALGUMA TEMPORADA MAIS ATUAL, DA MINHA GERAÇÃO, EU TENHO DE INDICAR MALHAÇÃO ID.”.

Meu nome é Jefferson Eduardo da Silva Nunes, este é o meu espaço criado de fã para fã, através da plataforma Blogger.

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