Vingadores: Guerra Infinita: Análise Do Enredo E Do Significado Do Filme
AVENGERS: INFINITY WAR — UM UNIVERSO À BEIRA DO ABISMO: UMA ANÁLISE DO ENREDO E SEU SIGNIFICADO
INTRODUÇÃO: UMA DÉCADA EM CONSTRUÇÃO
Quando Avengers: Infinity War chegou aos cinemas em 27 de abril de 2018, representou algo genuinamente sem precedentes na história do cinema — não apenas uma sequência blockbuster ou um espetáculo de super-heróis, mas a culminação de dez anos de narrativa interconectada abrangendo dezoito filmes dentro do Universo Cinematográfico Marvel (UCM). Dirigido por Anthony e Joe Russo, os irmãos que anteriormente dirigiram Captain America: The Winter Soldier (2014) e Captain America: Civil War (2016), Infinity War foi concebido desde o início para ser um crescendo narrativo — o ponto em que cada herói introduzido ao longo de uma década de filmagens finalmente colidiria com uma única ameaça avassaladora. O resultado foi um dos filmes mainstream mais audaciosos já produzidos — um que ousou terminar não com o triunfo de um herói, mas com uma derrota catastrófica.
A própria premissa do filme foi um desafio às convenções do gênero de super-heróis. Durante anos, o público havia se acostumado a assistir aos Maiores Heróis da Terra superarem obstáculos impossíveis e prevalecendo. Infinity War desmantelou essa expectativa de forma metódica, implacável e com uma confiança que beirava a desafio. Seu antagonista central, o Titã Louco Thanos, não era apenas um vilão poderoso a ser derrotado no terceiro ato. Ele era, nas palavras dos próprios roteiristas do filme, Christopher Markus e Stephen McFeely, o verdadeiro protagonista da história — uma figura cuja determinação, sacrifício e convicção filosófica impulsionaram cada cena do início ao fim.
Compreender Avengers: Infinity War é compreender que ele é, em sua essência, uma tragédia. É a história de como heróis, apesar de seus poderes, sua coragem, suas alianças e seus sacrifícios, ainda podem falhar — e como essa falha ressoa não apenas em nível pessoal, mas por toda a estrutura do universo.
PARTE UM: O MUNDO ANTES DA TEMPESTADE — CONTEXTO E CONFIGURAÇÃO
Antes que um único fotograma de Infinity War se desenrole, espera-se que o público carregue um considerável peso narrativo. O filme não perde tempo reapresentando seus personagens por meio de longas sequências de exposição. Em vez disso, confia que os espectadores acompanharam a jornada do UCM — desde a primeira armadura de Tony Stark em 2008 até a destruição de Asgard em Thor: Ragnarok (2017) — e os lança imediatamente em um universo à beira da catástrofe.
O conceito das Joias do Infinito havia sido semeado cuidadosamente ao longo de múltiplos filmes. Como o Doutor Estranho explica no início de Infinity War, o Big Bang lançou seis cristais elementais pelo universo recém-nascido, cada um concedendo a seu portador domínio sobre um aspecto fundamental da existência: Espaço, Realidade, Poder, Alma, Mente e Tempo. Ao longo dos anos, esses artefatos haviam aparecido com nomes e aparências diferentes — o Tesseract, o Cetro de Loki, o Éter, o Orbe, o Olho de Agamotto — antes que sua verdadeira natureza como Joias do Infinito se tornasse clara. No início de Infinity War, Thanos já havia garantido uma delas: a Pedra do Poder, tomada à força do planeta Xandar.
A Manopla do Infinito, a luva dourada capaz de canalizar as seis pedras simultaneamente, foi forjada pelo artesão mestre Eitri na forja-mundo de Nidavellir. Thanos coagiu os anões de Nidavellir a criá-la e depois os eliminou, deixando apenas Eitri vivo como testemunho de sua crueldade — e de sua minúcia. Com a Manopla em seu poder e uma pedra já segura, Thanos inicia sua campanha em pleno vigor.
Os Vingadores, enquanto isso, estão fragmentados. Os eventos de Captain America: Civil War deixaram a equipe dividida, com Tony Stark e Steve Rogers operando em estado de afastamento. Gavião Arqueiro e Homem-Formiga optaram por permanecer sob prisão domiciliar em vez de lutar. Os Acordos de Sokovia — a estrutura de supervisão governamental que dividiu a equipe — ainda pairam sobre cada decisão. Visão, o ser sintético que carrega a Pedra da Mente incrustada em sua testa, sumiu do radar para viver tranquilamente com Wanda Maximoff em Edimburgo, na Escócia. É nesse mundo frágil e dividido que Thanos lança seu ataque.
PARTE DOIS: O ATAQUE INICIAL — TRAGÉDIA NAS ESTRELAS
Avengers: Infinity War começa não com fanfarra ou uma introdução triunfante de um herói, mas com escuridão e um sinal de emergência em transmissão. A nave de refugiados asgardianos — transportando os sobreviventes da destruição de Asgard em Thor: Ragnarok — foi interceptada por Thanos e seus executores de elite, a Ordem Negra: Ebony Maw, um torturador telequinético; Cull Obsidian, um bruto colossal; Proxima Midnight, uma guerreira habilidosa; e Corvus Glaive, um assassino astuto. Os asgardianos jazem mortos, espalhados pelo interior da nave.
Esta abertura cumpre uma função narrativa imediata e vital: estabelece, com eficiência implacável, que Thanos é diferente de qualquer vilão que o UCM já produziu. Ele já venceu antes do filme começar. A Pedra do Poder está assegurada em sua Manopla. Ele agora confronta Loki, o Deus da Trapaça, exigindo o Tesseract — que contém a Pedra do Espaço — sob ameaça de matar Thor. Loki, sempre o trapaceiro, inicialmente se recusa. Mas quando Thanos começa a esmagar o Thor, apresentando o Tesseract.
É nesse momento que um dos primeiros golpes emocionais do filme acontece. O Hulk, convocado por Heimdall através do Bifrost antes de sua própria morte, avança sobre Thanos em uma fúria de músculos verdes e poder bruto — e perde. Thanos espanca o alter ego de Bruce Banner até submetê-lo com uma facilidade aterrorizante, demonstrando uma dominância física que despoja o Hulk de seu misticismo como uma força quase imparável. Essa única cena de luta recalibra completamente as expectativas do público. Se o Hulk não consegue derrotar Thanos, que chance tem qualquer outro?
Antes de sucumbir aos seus ferimentos, Heimdall usa o resto de seu poder para enviar o Hulk pelo Bifrost até a Terra, teletransportando-o para o Sanctum Sanctorum na cidade de Nova York. Thanos, em retaliação, espeta Heimdall pelo peito. Em seguida, Loki, em um ato final de genuína coragem — que subverte toda a sua história de traição e autopreservação — tenta assassinar Thanos ocultando uma faca e se jogando sobre ele sob o disfarce de rendição. Falha. Thanos agarra Loki pela garganta, matando-o enquanto Thor assiste em angústia impotente.
“Nenhuma ressurreição desta vez”, Thanos diz ao Loki moribundo — uma fala que se dirige diretamente às expectativas do público moldadas pelas múltiplas mortes aparentes de Loki em filmes anteriores. Desta vez, não há truque. Thanos deixa Thor abandonado nos destroços enquanto a nave explode ao seu redor. A mensagem é clara: este é um filme que honrará o peso da morte.
PARTE TRÊS: O AVISO — NOVA YORK E A PEDRA DO TEMPO
O pouso acidentado do Hulk no Sanctum Sanctorum do Doutor Estranho em Nova York marca o início de uma convergência crítica de histórias. Como Bruce Banner, ele avisa desesperadamente Estranho e seu associado Wong sobre a catástrofe iminente: Thanos está vindo à Terra para coletar a Pedra do Tempo, guardada no Olho de Agamotto no pescoço de Estranho, e a Pedra da Mente, incrustada na testa de Visão.
Estranho traz Tony Stark para dentro de imediato. A cena entre Stark e Banner tem camadas de subtexto emocional — Tony é forçado a confrontar a realidade de que os Vingadores ainda estão divididos, que ele e Steve Rogers não se reconciliaram, e que a ameaça que se aproxima da Terra pode estar além de tudo que já enfrentaram antes. O desespero de Bruce sublinha as apostas: “Se Thanos conseguir as duas pedras, Tony — não haverá nada, não haverá como desfazer isso.”. Tony Stark, cujo arco de personagem em todo o UCM foi definido por seu temor de ameaças existenciais e sua compulsão de estar preparado para elas, se encontra diante do apocalipse que nunca conseguiu prevenir completamente.
O encontro é interrompido quando dois membros da Ordem Negra — Ebony Maw e Cull Obsidian — chegam a Nova York para recuperar a Pedra do Tempo. Sua chegada desencadeia uma enorme batalha nas ruas, durante a qual Peter Parker, em uma excursão escolar do outro lado do Rio Hudson, sente o perigo por meio de seu sentido de aranha e foge para se preparar. Tony lhe dá a armadura Homem-Aranha de Ferro — um traje avançado que havia preparado — durante o caos.
A batalha em Greenwich Village é cinética e inventiva, mas termina com Ebony Maw capturando o Doutor Estranho e levitando-o para o céu a bordo de uma das enormes naves Q de Thanos. Tony e Peter se escondem no exterior da nave antes que ela atravesse a atmosfera da Terra, comprometendo-se com uma viagem em direção a Titan — o mundo natal devastado de Thanos — no outro extremo da galáxia. De volta à Terra, Bruce Banner fica para trás. Crucialmente, durante toda a luta, ele é incapaz de se transformar no Hulk. O Hulk, traumatizado com sua derrota pelas mãos de Thanos, simplesmente se recusa a emergir. Banner fica preso dentro do próprio corpo, desesperado e impotente, recorrendo eventualmente à armadura Destruidora de Hulk de Stark como substituta.
PARTE QUATRO: ESCÓCIA E A PEDRA DA MENTE — O SOLDADO RELUTANTE RETORNA
Paralelamente ao caos em Nova York, o filme se desloca para Edimburgo, na Escócia, onde Visão e Wanda Maximoff vivem tranquilamente, romanticamente ligados e deliberadamente fora do radar. A Pedra da Mente, incrustada na testa de Visão, é a última pedra que os agentes de Thanos precisam recuperar da Terra. Proxima Midnight e Corvus Glaive atacam o casal numa ponte e, embora seu poder combinado seja formidável, Wanda — que é indiscutivelmente a heroína mais poderosa do UCM — oferece uma resistência feroz.
A maré muda quando três sombras surgem da escuridão. Steve Rogers — o outrora Capitão América, agora vivendo como fugitivo após os eventos de Guerra Civil — avança para ajudar, flanqueado por Natasha Romanoff e Sam Wilson. A chegada de Steve Rogers, barba e tudo, é deliberadamente construída como uma reapresentação: este é um Steve definido pelo exílio, despojado de seu escudo e seu título, mas não menos resoluto. Juntos, o grupo repele os lugartenentes da Ordem Negra e escapa.
Esta seção do enredo levanta uma questão ética importante à qual o filme retornará repetidamente: a Pedra da Mente, e por extensão a vida de Visão, está entre Thanos e sua Manopla completa. Visão, com tranquila dignidade e um altruísmo que define seu personagem, sugere que Wanda deveria usar seus poderes para destruir a Pedra da Mente — e ele junto com ela — antes que Thanos possa tomá-la. Steve Rogers se recusa a aceitar isso como uma opção. “Não negociamos vidas”, diz ele a Visão com firmeza. Esta postura moral — a recusa de sacrificar os poucos pelos muitos — terá consequências enormes ao final do filme.
O grupo entra em contato com a Máquina de Combate (James Rhodes) no complexo dos Vingadores, onde Bruce Banner também chegou. O General Ross exige que os heróis foragidos sejam presos, mas Rhodes o contraria. Steve propõe levar Visão à Wakanda, onde Shuri — a irmã de T’Challa, considerada por muitos a pessoa mais inteligente do UCM — poderia ser capaz de extrair a Pedra da Mente da rede neural de Visão sem matá-lo. É uma aposta desesperada, mas é o melhor plano que têm.
PARTE CINCO: OS GUARDIÕES E A FILHA DO TITÃ LOUCO
Enquanto os heróis da Terra se apressam para responder, Infinity War apresenta seu fio cósmico por meio dos Guardiões da Galáxia. Respondendo ao sinal de socorro asgardiano, os Guardiões chegam aos destroços da nave de Thor e encontram o corpo flutuante do próprio Thor, congelado no espaço. Eles o levam a bordo.
As interações de Thor com os Guardiões fornecem algumas das comédias baseadas em personagens mais eficazes do filme — particularmente sua rapport imediata com Rocket Raccoon e a tensão contínua com Peter Quill, que se sente levemente ameaçado pela presença heroica sem esforço de Thor. Mas sob o humor, essas cenas estabelecem alianças novas e importantes. Thor descobre pelos Guardiões que Gamora — o interesse amoroso de Peter Quill e membro da equipe — é a filha adotiva de Thanos. Thor, operando com inteligência e clareza apesar de suas perdas recentes, deduz que Thanos irá a Knowhere para obter a Pedra da Realidade do Colecionador. Ele também percebe que, para ter qualquer chance de parar Thanos, precisa de uma arma poderosa o suficiente para matá-lo — algo que só pode ser forjado na antiga forja-mundo de Nidavellir. O grupo se divide em dois. Thor, Rocket e Groot partem para Nidavellir. Os Guardiões restantes — Quill, Gamora, Drax e Mantis — seguem para Knowhere.
A história de Gamora forma um dos fios emocionalmente mais ressonantes do filme. Em um momento tranquilo a bordo da nave, ela conta a Quill algo que nunca havia admitido antes: ela sabe onde a Pedra da Alma está escondida. E então ela lhe pede algo terrível — que, se Thanos alguma vez a capturar, Quill deve matá-la antes que ela possa revelar a localização da Pedra. Essa conversa é interpretada não como um momento dramático de super-herói, mas como algo muito mais íntimo e pavoroso: uma pessoa confessando ao seu parceiro que pode ser a chave para o fim do mundo, e que a morte é o único anteparo.
Por meio de um breve flashback, o filme revela a origem do relacionamento de Thanos e Gamora. Quando criança, o planeta natal de Gamora foi invadido por Thanos. Enquanto seus soldados executavam metade da população do planeta, Thanos separou a jovem Gamora da multidão e brincou com ela — um truque de equilíbrio com uma faca — como distração. É uma cena profundamente perturbadora. Thanos não é retratado aqui como um monstro em nenhum sentido convencional. Ele é calmo, atencioso, quase carinhoso — e essa ternura existe em grotesco paralelo com o massacre acontecendo logo fora do quadro.
PARTE SEIS: KNOWHERE — A REALIDADE DO PODER
Em Knowhere — o crânio oco de um Celestial morto que serve como posto de comércio cósmico — os Guardiões encontram Thanos já lá, torturando o Colecionador para obter informações sobre a Pedra da Realidade. Drax, movido pelo luto pessoal de ter perdido sua família nas campanhas anteriores de Thanos, quer atacar imediatamente. Mantis o domina com seus poderes empáticos.
Gamora se aproxima sozinha e parece matar Thanos com uma lâmina. Mas tudo é uma ilusão — Thanos já estava de posse da Pedra da Realidade e a havia usado para construir um engano elaborado, fazendo com que toda a cena parecesse um sucesso para Gamora enquanto ele observava sua reação. Quando a ilusão se dissolve, Thanos é revelado, com a Pedra da Realidade já fixada em sua Manopla. Ele a tomou do Colecionador antes mesmo de os Guardiões chegarem.
Quill tenta intervir, apontando sua arma para Thanos — mas o Titã Louco usa a Pedra da Realidade para transformar a arma em bolhas antes que ela possa disparar. Thanos captura Gamora e teletransporta-se com ela, deixando os outros Guardiões lidando com a realidade distorcida que ele deixa para trás. Gamora grita para Quill cumprir sua promessa e matá-la, mas é tarde demais.
Essa cena é significativa por diversas razões. Primeiro, demonstra o poder extraordinário da Pedra da Realidade — ela não cria apenas ilusões; pode reestruturar a matéria física e as percepções da realidade em si. Segundo, ilustra um dos argumentos centrais do filme sobre o poder: que a força bruta e a superioridade de fogo, por maiores que sejam, são inúteis contra um oponente que pode reescrever as regras do campo de batalha à vontade. Terceiro, marca o momento em que a complexidade emocional de Thanos começa a emergir de verdade. Ele não matou Gamora aqui, embora fazê-lo pudesse ter sido conveniente. Ele a levou consigo.
PARTE SETE: VORMIR E A PEDRA DA ALMA — O CUSTO INSUPORTÁVEL
Thanos viaja com Gamora para o planeta Vormir a fim de recuperar a Pedra da Alma, a mais misteriosa e menos compreendida das seis. Quando chegam, são recebidos por uma figura encoberta por sombras no topo de uma montanha: o Caveira Vermelha, anteriormente Johann Schmidt da HYDRA, transportado para Vormir décadas antes como punição por sua arrogância ao empunhar o Tesseract. Ele se tornou o Guardião da Pedra, um guia espectral amaldiçoado a vigiar a Pedra da Alma pela eternidade.
O Caveira Vermelha entrega a terrível revelação: a Pedra da Alma exige um sacrifício. Para possuí-la, é preciso abrir mão do que se ama mais. “Uma alma por uma alma”, ele entoa. Gamora ri. Ela tem certeza de que isso significa que Thanos não pode obter a Pedra da Alma, porque acredita — talvez precise acreditar — que ele é incapaz de amor genuíno. Mas Thanos chora. Não como performance, não como manipulação, mas com o peso de um luto genuíno. Ele ama Gamora. Este é talvez o momento moralmente mais complexo e genuinamente perturbador do filme: o amor do vilão por sua filha adotiva é real, e é precisamente esse amor que lhe permite cometer o pior ato imaginável.
Gamora tenta tirar sua própria vida com a adaga que Thanos lhe dera quando criança. Ele usa a Pedra da Realidade para transformar a lâmina em bolhas — ele não vai deixá-la escapar assim. Ele a agarra e a carrega até a beira do penhasco. Ela grita. Ele a joga. O filme corta imediatamente para Thanos acordando numa praia rochosa, com a Pedra da Alma brilhando em sua mão. Ele conseguiu. Ao custo da pessoa que mais amava no universo.
Essa sequência alcança algo raro no cinema de super-heróis: gera tragédia genuína por meio das ações de um vilão. Força o público a conviver com a realidade de que o amor de Thanos por Gamora era real — e que esse amor real o tornou mais perigoso, não menos. Sua disposição de sacrificar o que amava pelo que acreditava é apresentada como a perversão máxima da devoção, a expressão mais sombria possível de uma convicção.
PARTE OITO: NIDAVELLIR — FORJANDO A ARMA QUE QUASE VENCEU
Enquanto isso, o fio cósmico secundário do filme acompanha Thor, Rocket e Groot à forja-mundo de Nidavellir — uma estrela moribunda orbitada por grandes anéis projetados para canalizar sua energia numa forja capaz de criar armas de imenso poder. Eles encontram a forja escura e fria. Os anéis estão congelados no lugar. E o único sobrevivente remanescente no planeta é Eitri, um anão gigante de proporções enormes interpretado por Peter Dinklage, que foi coagido por Thanos a forjar a Manopla do Infinito. Como pagamento por seu trabalho, o povo de Eitri foi massacrado e suas mãos encapsuladas em metal — uma espécie de punição viva que elimina o próprio instrumento que o tornava valioso.
Thor concebe um plano: reativar a forja para criar uma nova arma, capaz de matar Thanos. Mas a forja requer que os anéis sejam reiniciados, e os anéis requerem que alguém mantenha aberto o canal de energia da estrela — uma tarefa que incineraria um ser de menor estatura. Thor, em um momento de silencioso sacrifício heroico, mantém o feixe de energia estelar aberto com o próprio corpo, canalizando o poder da estrela moribunda para reiniciar a forja enquanto a luz o queima por dentro.
É uma das sequências visual e tematicamente mais ressonantes do filme. Thor suporta o impossível porque não tem mais nada a perder e tudo pelo que lutar. Seu povo está morto. Seu irmão está morto. Seu martelo, Mjolnir, foi destruído. Ele é, no sentido mais verdadeiro, um homem com nada além de um propósito.
Eitri forja a arma: Stormbreaker, um machado de batalha de poder devastador. Groot, em um pequeno, mas profundamente significativo ato de generosidade, usa o próprio braço como cabo, gritando de dor enquanto a madeira se funde com o metal. Stormbreaker é imbuído com o poder do Bifrost — pode servir como portal entre mundos — e com ele, o pleno poder de Thor é restaurado. Ele se levanta de perto da morte, faiscando de relâmpagos, transformado novamente em um deus do trovão digno de sua linhagem.
PARTE NOVE: TITAN — O PLANO QUE QUASE FUNCIONOU
No mundo natal arruinado de Thanos em Titan — uma lua que ele certa vez tentou salvar através de genocídio racional e foi rejeitado por isso — a narrativa converge quando Homem de Ferro, Homem-Aranha e Doutor Estranho (resgatado da nave de Ebony Maw em uma sequência aguda e tensa inspirada no filme de 1986 Aliens, como Peter Parker aponta com entusiasmo) se encontram diante do mesmo destino que Peter Quill, Drax e Mantis, que chegaram lá após saberem de Nebula sobre os planos de Thanos.
Os dois grupos inicialmente lutam entre si, cada um presumindo que o outro trabalha para Thanos. Isso é resolvido rapidamente o suficiente, mas a cena cumpre uma função importante: ilustra o quanto a comunicação e a coordenação se deterioraram na comunidade heroica do UCM. Estas são pessoas que deveriam estar trabalhando juntas, mas não têm mais infraestrutura para isso.
O Doutor Estranho usa a Pedra do Tempo para se projetar por 14000605 futuros possíveis — cada resultado concebível da batalha vindoura com Thanos. Quando Tony pergunta quantos cenários terminam em vitória, a resposta de Estranho é devastadoramente simples: um. Apenas um resultado entre mais de quatorze milhões leva ao triunfo dos heróis. Estranho não revela qual. Ele simplesmente coloca a pedra de volta em seu pescoço e começa a planejar.
Quando Thanos chega a Titan, os heróis tentam algo extraordinário: uma emboscada coordenada projetada não para matá-lo diretamente, mas para remover a Manopla do Infinito de sua mão. O plano é intrincado, empregando a feitiçaria de Estranho, a agilidade física do Homem-Aranha, o arsenal tecnológico do Homem de Ferro e o poder empático de Mantis — que, quando aplicado a Thanos, permite a ela amplificar sua turbulência interior e suprimir sua consciência o suficiente para torná-lo passivo. Por alguns momentos de suspense, quase funciona. Com Mantis em pleno contato com a mente de Thanos, Homem de Ferro e Homem-Aranha lutam para arrancar a Manopla enquanto Estranho prende o braço de Thanos com vínculos espectrais. Então Nebula chega e entrega a informação crucial que deduziu de seu próprio conhecimento sobre seu pai: Gamora está morta. Thanos a matou para obter a Pedra da Alma.
Peter Quill — cujo amor por Gamora é o centro emocional de todo o seu arco — desmorona. Apesar da urgência do momento, apesar do aviso frenético de Estranho de que quase têm a Manopla, Quill se volta contra Thanos com raiva e começa a golpeá-lo no rosto. Cada golpe quebra um pouco mais a ligação empática de Mantis. O último golpe rompe completamente. Thanos, com a consciência restaurada, se liberta com fúria vulcânica, usa a Manopla para puxar uma lua em desintegração do céu e arremessar seus fragmentos contra os heróis reunidos, e passa a desmantelar sistematicamente toda resistência que oferecem.
Estranho constrói duplicatas para confundir e sobrecarregar Thanos; o Titã Louco as destrói metodicamente. Tony Stark luta de todas as formas que conhece, construindo novos componentes de armadura instantaneamente a partir de seu traje de nanotecnologia, tirando sangue do rosto de Thanos em um momento de triunfo menor — apenas para ter Thanos o empalando pelo abdômen com a própria lâmina de Tony. Quando Thanos ergue o punho para desferir o golpe fatal, o Doutor Estranho chama por ele. Ele oferece a Pedra do Tempo livremente.
Tony o olha, atônito. Estranho havia dito explicitamente, mais cedo no filme, que não negociaria vidas — que sacrificaria Tony antes de entregar a Pedra. E agora está fazendo o oposto. Tony repara seu ferimento enquanto Thanos aceita a Pedra do Tempo e a encaixa na Manopla. Antes de desaparecer, Thanos faz uma pausa. “Você tem meu respeito, Stark”, ele diz a Tony. “Quando eu terminar, metade da humanidade ainda estará viva.”
Estranho, no chão entre as ruínas, vira-se para Tony antes de perder a consciência: “Tony. Não havia outro caminho.”. É uma fala que irá ressoar por dois filmes, carregando o peso de todos os 14.000.605 futuros que Estranho examinou. Dar a Thanos a Pedra do Tempo não foi uma falha ou um compromisso. Foi o único movimento.
PARTE DEZ: WAKANDA — O ÚLTIMO CONFRONTO
A batalha por Wakanda é o grande set piece do filme — uma sequência de guerra de escala enorme que serve como culminação de todos os fios terrestres do filme. Steve Rogers, Natasha Romanoff, Sam Wilson, Bruce Banner (na armadura Destruidora de Hulk), Wanda Maximoff, Máquina de Combate, Bucky Barnes, Pantera Negra T’Challa, Okoye, M’Baku e o exército wakandiano estão alinhados contra um exército aparentemente interminável de Salteadores — criaturas alienígenas biomecânicas implantadas pela armada de Thanos.
Enquanto Shuri trabalha desesperadamente para remover a Pedra da Mente da rede neural de Visão sem matá-lo, a batalha continua do lado de fora da cúpula de vibranium que protege a cidade. Os Salteadores, insensatos e selvagens, se jogam contra a barreira de energia, amontoando-se em ondas até que uma brecha é aberta. Quando a barreira é violada, a batalha se torna pessoal e caótica, cada herói lutando com tudo o que tem.
A Ordem Negra cai um a um: Cull Obsidian é destruído quando Bruce Banner direciona o punho foguete da armadura Destruidora de Hulk, enviando-o para dentro da cúpula onde é atomizado. Proxima Midnight é despachada por Wanda, que usa seu poder telequinético para arremessá-la no caminho de uma máquina em movimento que a esmaga. Corvus Glaive é empalado pela própria arma por Visão, em um momento que demonstra a capacidade de Visão para a violência decisiva quando pressionado.
Mas Shuri não terminou de extrair a Pedra. Visão pede a Wanda que destrua a Pedra da Mente imediatamente, aceitando que sua morte é o único desfecho aceitável. Wanda hesita, depois se compromete, canalizando todo o seu poder para destruir a Pedra — uma tarefa de dificuldade e devastação emocional quase inimagináveis. Ela está simultaneamente lutando contra o exército de chegada de Thanos, contendo suas forças com seu poder telequinético, enquanto usa a outra mão para aniquilar o homem que ama. Visão lhe diz que a ama enquanto a Pedra começa a rachar.
E então Thanos chega.
PARTE ONZE: A CHEGADA DE THANOS — A FORÇA IMPARÁVEL
A chegada do próprio Thanos em Wakanda muda instantaneamente a natureza de cada luta. Com cinco Pedras do Infinito já asseguradas, ele é quase irresistível. Steve Rogers tenta segurar fisicamente a mão com a Manopla de Thanos, e por um breve e extraordinário momento, consegue — os olhos de Thanos se arregalem em algo que se aproxima de surpresa. Mas nem mesmo o físico de super-soldado de Steve Rogers pode superar o poder das Pedras. Thanos o afasta.
Wanda destrói a Pedra da Mente e Visão no mesmo instante, a explosão de energia branco-violeta irradiando para fora. Thanos para. Wanda grita. Então Thanos usa a Pedra do Tempo para reverter o próprio tempo, desfazendo a destruição até Visão estar inteiro novamente diante dos pés do Titã — vivo, restaurado, confuso. “Eu te disse”, Thanos lhe diz tranquilamente, “com o que você se depararia.”. Então ele enfia os dedos na testa de Visão e arranca a Pedra da Mente, matando-o instantaneamente.
Nesse momento, Thor chega, lançado por um portal Bifrost por Stormbreaker. Sua entrada é o momento cinematográfico mais celebrado do filme: o deus do trovão descendo de uma fenda nos céus, raios explodindo pelo campo de batalha, o exército wakandiano e os heróis reunidos momentaneamente restaurados à esperança pela chegada de algo genuinamente poderoso o suficiente para desafiar Thanos. Thor crava Stormbreaker no peito de Thanos, a lâmina afundando fundo. Thanos arqueja. Thor empurra o machado ainda mais fundo, face a face com o Titã Louco, dizendo-lhe: “Eu disse que você morreria por isso.”
Thanos, morrendo, olha para baixo para o machado enterrado em seu esterno. E então, em uma voz espessa, profere a fala mais assombrosa do filme: “Você deveria ter mirado na cabeça.”
Ele ergue a Manopla completa e estala os dedos.
PARTE DOZE: O ESTALO — UM UNIVERSO DESFEITO
O estalo é um momento diferente de quase tudo mais no cinema mainstream. Não há swell musical dramático, não há crescendo triunfante ou terrível. Há um som suave — um breve e terrível estalido — e então silêncio.
Thanos se encontra em um reino onírico de luz laranja, parado ao lado de um corpo de água parada. Uma criança está diante dele — a jovem Gamora, como ele a conhecia quando ela foi tomada pela primeira vez de seu mundo. Ela lhe pergunta, com a diretividade inocente de uma criança: “Você fez?”
“Sim.”
“O que custou?”
“...Tudo.”
Ele acorda. A Manopla está destruída, fundida em sua mão, as Pedras ainda incrustadas em seus restos enegrecidos, mas esgotadas. Ele usa a Pedra do Espaço para escapar antes que Thor possa detê-lo. E então as consequências chegam.
Bucky Barnes olha para a própria mão enquanto ela começa a se dissolver em cinzas. Ele chama Steve Rogers, e então desaparece. T’Challa se estende em direção a Okoye enquanto seu corpo faz o mesmo. Sam Wilson desvanece no meio de uma frase. Groot sussurra “Eu sou Groot” para Rocket enquanto se transforma em pó. Wanda, já destroçada pela morte de Visão, se dissolve antes que Steve Rogers possa alcançá-la.
Em Titan, Mantis se desintegra. Depois Drax. Depois Quill, que consegue apenas um único e confuso “Ai” antes de desaparecer. O Doutor Estranho diz a Tony, “Sinto muito, Tony”, antes de partir. E Peter Parker — tropeça em direção a Tony Stark, agarrando seu braço em pânico desesperado: “Eu não quero ir, eu não quero ir, Sr. Stark, por favor — eu não quero ir.”. Ele desvanece. Tony não segura nada.
O filme termina com Tony Stark sozinho nas ruínas de Titan, abraçando o ar vazio onde Peter esteve, incapaz de falar. Nebula senta ao lado dele em silêncio. E na Terra, Steve Rogers se ajoelha na poeira de Wakanda, cercado pelas cinzas de seus amigos, e sussurra duas palavras que carregam o peso de tudo: “Meu Deus.”
O último plano do filme é Thanos, sozinho em uma encosta tranquila e iluminada pelo sol em um mundo distante da violência, observando o nascer do sol com satisfação tranquila. Ele fez o que se propôs a fazer. Está, por sua própria filosofia, em paz.
PARTE TREZE: A CENA PÓS-CRÉDITOS E A PROMESSA DA CAPITÃ MARVEL
A sequência pós-créditos muda para a Terra, onde Nick Fury e Maria Hill dirigem pela cidade de Nova York enquanto os efeitos do Estalo se propagam. Carros colidem quando seus motoristas se dissolvem. Um helicóptero cai sobre um arranha-céu. Hill começa a se desintegrar no meio de uma frase. Fury pega um dispositivo de comunicação e envia um sinal de socorro no exato momento em que seu próprio corpo começa a se dissolver, conseguindo uma última exclamação caracteristicamente profana antes de desaparecer.
O dispositivo cai no chão. Sua tela se ilumina: um padrão de estrela em vermelho, azul e dourado — a insígnia da Capitã Marvel. Esta breve cena carrega um peso enorme. Confirma que o Estalo afetou a todos, incluindo o operativo de inteligência mais sênior do UCM. Também introduz a promessa de Carol Danvers como a única esperança poderosa o suficiente para importar no que vier a seguir — preparando simultaneamente Capitã Marvel (2019) e Vingadores: Ultimato (2019).
PARTE CATORZE: THANOS COMO PROTAGONISTA — A ESCOLHA MAIS RADICAL DO FILME
Compreender Avengers: Infinity War completamente exige refletir sobre uma de suas decisões estruturais mais incomuns: o filme posiciona Thanos, e não nenhum dos Vingadores, como seu protagonista. Os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely foram explícitos quanto a isso. “Ele é o protagonista”, afirmou McFeely. “Ele supera obstáculos. Ele sacrifica muito e consegue o que quer no final.”
Esta não é uma observação casual — ela reformula como o filme inteiro é vivenciado. Cada cena, incluindo aquelas que não apresentam Thanos diretamente, está orientada em torno de seu objetivo, seus obstáculos e sua jornada emocional. Os heróis são reativos, e não proativos; respondem aos movimentos de Thanos em vez de conduzir a narrativa por conta própria. A jornada do herói tradicional, com seu arco de crescimento, provação e triunfo, pertence aqui ao vilão.
Joe Russo descreveu Thanos como um personagem definido pela convicção de um filósofo e pela história de um conquistador. “Ele tem 1.000 anos”, observou Russo. “Ele foi um conquistador de mundos — uma espécie de Gengis Khan deste universo. Ele tem um lado de filósofo. O que é interessante nele é que está totalmente comprometido com essa filosofia.”. O roteiro abraça essa convicção para gerar tensão ideológica genuína. Thanos não apenas acredita que matar metade de toda a vida é necessário; ele acredita com a calma certeza de alguém que pensou nas alternativas e as considerou insuficientes.
Seu arcabouço filosófico ecoa, com sombria ironia, as teorias econômicas de Thomas Robert Malthus, que argumentou no final do século XVIII que os recursos finitos necessariamente restringem o crescimento populacional, e que o aumento populacional descontrolado leva à catástrofe. Thanos levou esse argumento ao seu extremo lógico — ainda que monstruoso. E, no entanto o filme, por meio da observação de Estranho sobre o poder da Manopla, reconhece uma falha óbvia: com todas as seis Pedras, Thanos poderia simplesmente dobrar os recursos do universo. Ele não quer, porque fazer isso não resolveria o que ele vê como o problema fundamental da tendência da vida à entropia e à superpopulação. A morte em massa não é incidental ao seu plano; é o ponto central. A ideologia é a cobertura narrativa para um ato de controle absoluto.
PARTE QUINZE: SACRIFÍCIO, PERDA E A ARQUITETURA EMOCIONAL DO FILME
Se Thanos fornece o motor narrativo de Infinity War, o sacrifício fornece sua arquitetura emocional. Quase todos os personagens principais do filme são solicitados, em algum momento, a abrir mão de algo fundamental — e o filme é brutalmente honesto sobre os resultados dessas escolhas.
Visão opta por se sacrificar e é contrariado. Sua dignidade diante de sua própria morte — pedindo a Wanda que o destrua em vez de permitir que Thanos tome a Pedra — é uma das atuações mais silenciosamente comoventes do filme. A recusa de Steve Rogers de negociar vidas força a equipe a seguir o caminho mais arriscado de extrair a Pedra em Wakanda, um caminho que acaba falhando porque não há tempo suficiente.
O sacrifício de Gamora é o mais devastador: ela não o escolhe. Ela é assassinada pela pessoa que afirma amá-la, na expressão máxima de sua convicção de que o bem maior supera todo apego pessoal. Sua morte em Vormir não é enquadrada como um sacrifício triunfante, mas como um horror — Thanos chora enquanto a joga, o que só piora a situação, porque seu luto não o detém.
A disposição de Thor de suportar a forja é apresentada como o tipo mais puro de sacrifício: sofrimento físico aceito com pleno conhecimento, para um propósito definido, com uma compreensão clara do custo. E, no entanto, de maneira crucial, não é suficiente. Sua arma quase vence. Se ele tivesse mirado na cabeça em vez de cravar Stormbreaker no peito de Thanos — o movimento projetado para maximizar o sofrimento de Thanos em vez de garantir sua morte — o Estalo jamais teria acontecido.
A decisão do Doutor Estranho de entregar a Thanos a Pedra do Tempo parece, no momento, uma capitulação — a entrega do mais poderoso artefato temporal existente para salvar a vida de Tony Stark. Mas as palavras finais de Estranho — “Não havia outro caminho” — e o contexto de sua exploração de 14.000.605 futuros sugerem algo completamente diferente. Estranho sabia. Ele havia visto o único desfecho em que os heróis eventualmente prevalecem, e ele exigia exatamente esta sequência de eventos: Tony sobrevivendo, o Estalo acontecendo, os sobreviventes sendo deixados com o suficiente para trabalhar em seus desdobramentos.
PARTE DEZESSEIS: ESTRUTURA E OFÍCIO — A CONQUISTA DOS IRMÃOS RUSSO
Avengers: Infinity War é, por qualquer medida objetiva, uma conquista cinematográfica de complexidade extraordinária. Ele entrelaça múltiplas histórias simultâneas através de distâncias cósmicas, gerencia um elenco coletivo de aproximadamente duas dúzias de personagens significativos e sustenta um investimento emocional genuíno em cada um deles — tudo isso enquanto avança em direção a um clímax de uma desolação sem precedentes dentro do gênero de super-heróis mainstream.
Os irmãos Russo haviam construído sua carreira na Marvel em filmes de ação com inflexão política que levavam seus personagens a sério como pessoas, e não como ícones. Soldado Invernal foi um thriller sobre o estado de vigilância. Guerra Civil foi um filme sobre o colapso institucional e o compromisso moral. Infinity War, em sua própria formulação, “desconstrói o universo inteiro.”. A decisão de seguir Thanos como protagonista do filme não foi simplesmente uma novidade narrativa; foi uma declaração filosófica sobre a natureza do poder e da convicção.
A produção do filme também foi notável pelo grau de sigilo mantido ao longo de todo o processo. Nenhum dos atores tinha acesso ao roteiro completo. Cada intérprete recebeu apenas as suas próprias cenas. Cenas falsas e páginas redigidas foram distribuídas para evitar vazamentos. O resultado foi uma produção em que até o elenco nem sempre sabia como a história terminaria — uma condição que possivelmente contribuiu para a autenticidade das atuações.
Joe Russo destacou a natureza colaborativa da produção, trabalhando em estreita colaboração com outros diretores do UCM — James Gunn para os personagens dos Guardiões, Taika Waititi para Thor — para garantir a consistência tonal enquanto trazia novas dimensões a personagens familiares. A capacidade do filme de fazer com que cada personagem parecesse autenticamente ele mesmo, independentemente de qual franquia viesse, é uma de suas conquistas mais subestimadas.
PARTE DEZESSETE: RECEPÇÃO E IMPACTO CULTURAL
Avengers: Infinity War quebrou praticamente todos os recordes de bilheteria que encontrou. Faturou US$ 258 milhões domesticamente em seu fim de semana de estreia, quebrando o recorde anterior. Globalmente, estreou com US$ 640 milhões em todo o mundo — a maior abertura global na história do cinema na época, superando o detentor anterior do recorde, Velozes & Furiosos 8, por quase US$ 100 milhões. Tornou-se o filme mais rápido a atingir US$ 1 bilhão em todo o mundo, alcançando esse marco em apenas 11 dias. Sua arrecadação final mundial atingiu US$ 2.048.359.754 — tornando-o o filme mais lucrativo de 2018 e, em vários momentos, um dos filmes de maior arrecadação na história do cinema.
A recepção crítica foi amplamente entusiasmada. Os críticos elogiaram a ambição do filme, sua disposição de seguir sua premissa até uma conclusão genuinamente devastadora e a profundidade e complexidade de Thanos como vilão. A atuação de Josh Brolin, realizada inteiramente por meio de tecnologia de captura de movimento, foi amplamente citada como uma das melhores atuações de vilão na história do cinema de super-heróis. O filme atualmente detém uma aprovação de 85% no Rotten Tomatoes e uma pontuação do público que reflete um entusiasmo popular sustentado.
O impacto cultural se estendeu muito além dos números de bilheteria. “Thanos estava certo” se tornou um meme e, de forma mais sombria, um ponto genuíno de discussão filosófica em comunidades online, forçando críticos, acadêmicos e membros do público a articular exatamente por que uma ideologia que soa superficialmente lógica é, na prática, monstruosa. O Estalo se tornou um dos momentos mais discutidos na história recente do cinema — reproduzido, analisado, processado emocionalmente por públicos que, ao longo de dez anos, se tornaram genuinamente apegados aos personagens que se transformaram em pó.
O filme também se tornou o de maior bilheteria de todos os tempos no Brasil — bem como no México e nas Filipinas — demonstrando seu alcance extraordinário entre públicos internacionais. Seu sucesso não foi meramente uma função do espetáculo; foi uma função do genuíno investimento emocional cultivado ao longo de uma década de narrativa.
CONCLUSÃO: O QUE INFINITY WAR PROVOU
Avengers: Infinity War perdura porque escolheu a honestidade em detrimento do conforto. Foi um filme produzido por uma das empresas de entretenimento comercialmente mais bem-sucedidas do mundo, com um orçamento de US$ 321 milhões e todo o peso de uma década de construção de marca por trás dele — e optou por terminar com o vilão vencendo. Não de uma forma que preparava uma reversão fácil, não de uma forma que minimizava o custo emocional, mas de uma forma que exigia que o público convivesse com uma perda e uma incerteza genuínas.
O filme provou várias coisas importantes sobre narrativa em escala. Provou que a narrativa seriada — quando construída com paciência e cuidado — pode gerar um investimento emocional comparável a qualquer tradição literária. Provou que um vilão, com profundidade e consistência interna suficientes, pode conduzir uma narrativa tão eficazmente quanto um herói. Provou que o sacrifício, quando dramatizado com honestidade, ressoa mais profundamente do que o triunfo.
Também provou que a maior tensão dramática não vem de se perguntar se o herói sobreviverá, mas de assistir a pessoas de quem nos importamos confrontar escolhas impossíveis e fazê-las com pleno conhecimento do custo. Visão escolhendo a morte. Gamora escolhendo carregar um terrível segredo. Thor escolhendo suportar a forja. O Doutor Estranho escolhendo abrir mão da Pedra que jurou proteger. Thanos escolhendo atirar a pessoa que amava de um penhasco.
Estas não são as escolhas de personagens em um blockbuster de super-heróis padrão. São as escolhas de pessoas navegando por um universo moral onde não há respostas limpas, onde até o amor pode se tornar o instrumento do assassinato, e onde o único caminho para a vitória final passa pela derrota mais completa e devastadora. Avengers: Infinity War é muitas coisas — um espetáculo, um entretenimento, um fenômeno cultural. Mas em seu nível mais profundo, é uma meditação sobre o que custa acreditar em algo o suficiente para sacrificar tudo por isso, e sobre a questão de se esse custo pode alguma vez ser verdadeiramente justificado.
A resposta que o filme dá não é confortável. Mas é honesta.
O QUADRO QUE ENGOLIU UMA DÉCADA: AVENGERS: INFINITY WAR E A PROMESSA DO IMAX ENHANCED: UMA CONVERGÊNCIA CONSTRUÍDA SOBRE A ESCALA
Há filmes que chegam como eventos, e há filmes que chegam como ajustes de contas. Avengers: Infinity War, lançado na primavera de 2018, foi, os dois. Era o ápice de dez anos e dezoito filmes interligados, uma conquista estrutural sem precedente evidente na história do cinema comercial. Mas era também uma declaração técnica, uma aposta deliberada sobre como as maiores histórias deveriam ser capturadas e exibidas.
A versão hoje conhecida como edição IMAX Enhanced — a que preenche mais da tela, que se recusa a deixar o topo e a base da imagem presos atrás de barras pretas — não é uma atualização cosmética nem um acréscimo de marketing. É a coisa mais próxima da imagem que os diretores realmente enquadraram, e compreendê-la exige entender por que o filme foi feito do jeito que foi, em primeiro lugar.
Falar seriamente sobre Infinity War como experiência IMAX Enhanced é falar sobre três coisas ao mesmo tempo. A primeira é a decisão de engenharia que diferenciou a produção de todos os blockbusters que a precederam: a escolha de filmar o longa-metragem inteiro, quadro a quadro, com câmeras digitais certificadas pelo IMAX. A segunda é a filosofia estética que decorre dessa decisão — a maneira como os diretores e seu diretor de fotografia pensara sobre o espaço vertical, a composição e a presença física dos corpos e mundos dentro de um retângulo incomumente alto. A terceira é o significado do próprio filme — sua ambição narrativa, sua escuridão temática, sua disposição de terminar em uma nota de derrota tão total que o público saiu dos cinemas sem saber se havia testemunhado um triunfo ou uma tragédia. Esses três fios não são separáveis. O formato amplifica a história, e a história justifica o formato. Um filme sobre tudo se unindo, sobre toda a arquitetura de um universo fictício colapsando em direção a um único ponto, exigiu um quadro grande o suficiente para sustentar o peso dessa convergência. Infinity War é um objeto estranho, expansivo, às vezes sobrecarregado, e a apresentação IMAX Enhanced é a forma na qual sua estranheza se lê com mais clareza.
COMENTÁRIOS DE JEFFERSON EDUARDO:
“EU SEGUI A ORDEM INVERSA NA HORA DE ASSISTIR AOS FILMES, MAS FOI MAIS DO QUE PRECISO. ÀS VEZES, QUANDO ASSISTIMOS ALGO SABENDO O FINAL, É POSSÍVEL DESCOBRIR REFERÊNCIAS E ALGUNS DETALHES QUE NOS TRAZEM UMA MELHOR COMPREENSÃO DE TODA A TRAMA. E OBVIAMENTE, ESTE NÃO É UM FILME QUE PODEMOS PENSAR EM ASSISTIR APENAS UMA VEZ NA VIDA. ESSE É UM FILME PARA SER REVISITADO VÁRIAS E VÁRIAS VEZES, OS PRODUTORES FIZERAM QUESTÃO DE COLOCAR CERTAS CENAS QUE PARECEM BOBAS, MAS QUE CRIAM UMA DIMENSÃO MAIOR PARA O FILME.
POR EXEMPLO: 1) A CENA EM QUE DRAX DIZ SER INVISÍVEL, NÃO É APENAS UM COMÉDIA COLOCADA À TOA, É A CONFIRMAÇÃO QUE AGORA ELE SE SENTE EM CASA, QUE AQUELAS PESSOAS SÃO SUA FAMÍLIA.
2) A CENA DO HULK NÃO CONSEGUINDO VOLTAR A SUA FORMA DE GIGANTE VERDE, É A CONFIRMAÇÃO QUE BRUCE DIVIDE A CONSCIÊNCIA COM UMA CRIATURA MAIS COMPLEXA DO QUE PENSÁVAMOS, A CRIATURA HULK POSSUI UMA PERSONALIDADE E SENTIMENTOS CONSIGO MESMO E COM A SITUAÇÃO.
3) A CENA EM QUE O DOUTOR ESTRANHO SE RECUSA A DESTRUIR A JOIA DO TEMPO, DEMONSTRA QUE ELE FAZ PARTE DE UM ORDEM MAIOR DE PROTETORES, QUE NÃO É APENAS UM HOMEM COM UMA CAPA, ELE É UM PROTETOR DA JOIA E DOS COSTUMES DAQUELA SEITA.
4) A CENA EM QUE O LOKI ENTREGA O TESSERACT AO THANOS PARA PROTEGER O IRMÃO, MOSTRA A EVOLUÇÃO DE UM PERSONAGEM QUE ACREDITÁVAMOS QUE IRIA VER A PERDA DO PRÓPRIO IRMÃO, ANTES DE ENTREGAR AQUILO QUE ERA MAIS IMPORTANTE PARA ELE.
E HÁ VÁRIAS OUTRAS CENAS QUE PRECISAM DE UM CUIDADO MAIOR AO SEREM ANALISADAS. QUEM SABE O PETER JORDAN DO EI NERD, JÁ TENHA CONSEGUIDO ENCONTRAR MAIS DESTAS CENAS. ESPERO QUE SIM, POIS ADMIRO O TRABALHO QUE ESTE CARA E SUA EQUIPE VEM FAZENDO.
CLARO, HÁ PARTES DO FILME EM QUE REALMENTE PODERIAM TER TIDO UM POUCO MAIS DE DETALHES E MELHORIAS, POIS HOUVE ALGUMAS CONVENIÊNCIAS E FUROS DE ROTEIRO QUE ACABARAM POR ATRAPALHAR A OBRA, MAS NADA QUE IMPEÇA DE APROVEITAR.
POR EXEMPLO: THANOS NÃO CONSEGUIRIA A JOIA DA ALMA DAQUELA FORMA, POIS AO MEU VER, MESMO QUE NA CABEÇA DELE O SEU OBJETIVO SEJA NOBRE, A ALMA DELE JÁ ESTAVA TÃO CORROMPIDA A PONTO DE NADA DAQUILO TENHA O SIGNIFICADO DE AMOR, LOGO, A GAMORA NÃO TERIA SIDO TROCADA PELA JOIA DA ALMA NAQUELE INSTANTE, SERIA MAIS FÁCIL A GAMORA PERDENDO A SUA IRMÃ E CONSEGUINDO A JOIA NO PROCESSO, PARA QUE THANOS USASSE AS OUTRAS JOIAS PARA ALTERAR A REALIDADE E CONSEGUIR O QUE QUER. MAS, ALI O FILME JÁ TINHA ACABADO. THANOS NUNCA TERIA AMADO VERDADEIRAMENTE SUAS FILHAS, IMAGINAVA QUE THANOS FIZESSE O MESMO QUE FOI FEITO EM OUTRO FILME, DEIXAR AS DUAS IRMÃS PARA DECIDIREM O SEUS DESTINOS.
AGORA, A OUTRA PARTE DO FILME, NÃO FAZ SENTIDO, A PARTE EM QUE ELES ESTÃO PERSEGUINDO A JOIA DO VISÃO, É COMO SE ESTIVESSE COM UM SINAL DE GPS. O QUE ACONTECEU AQUI? ALGUÉM PODE EXPLICAR. COMO OS ATAQUES SÃO MUITO COORDENADOS E TUDO NO FILME ACONTECE EM POUCO TEMPO, FICA MEIO COMPLICADO PENSAR QUE FORAM MUITO CONVENIENTES EM ORGANIZAR AS CENAS PARA QUE AS MESMAS POSSAM CONVERGIR PARA A BATALHA FINAL.
SOBRE O OBJETIVO FINAL DE THANOS: NA CABEÇA DO TITAN LOUCO É ALGO QUE SE TORNA CAPAZ DE FAZER SENTIDO, MAS SE ELE REALMENTE PARAR PARA PENSAR, METADE DAS VIDAS DE UM PLANETA AO ALEATÓRIO, PODERIA SIGNIFICAR O FIM DA VIDA NA TERRA E DA CIVILIZAÇÃO. POIS É IMPOSSÍVEL QUE TUDO FICASSE BEM NO COMEÇO, MESMO ELE EXPLICANDO QUE O PLANETA DE GAMORA AGORA ESTÁ “EM PAZ”, DEVE TER LEVADO VÁRIOS ANOS PARA SE ORGANIZAREM NOVAMENTE.
COM A POPULAÇÃO TENDO ALIMENTOS E PODENDO VER O POR DO SOL, É QUASE QUE IMPOSSÍVEL, POIS SE CONTARMOS QUE OS OUTROS PLANETAS POSSUAM SEMELHANÇA COM OS HUMANOS, DEVERIA HAVER COEXISTÊNCIA MÚTUA, CASO METADE DO UNIVERSO SEJA RETIRADA DO LUGAR, A OUTRA METADE QUE SOBROU IRIA PROVIDENCIAR O RESTANTE DA DESTRUIÇÃO DO PLANETA. SÓ IRIA OCORRER SE OS PLANETAS QUE THANOS COLOCAR O PÉ, SEJAM GOVERNADOS PELO PRÓPRIO TITÃ.
EU QUERIA PODER GRAVAR UM VÍDEO E VIRAR UM YOUTUBER COM CADA PENSAMENTO SOBRE ESSA OBRA DE ARTE, REALMENTE, MAS INFELIZMENTE, MEU TRABALHO É MELHOR ADAPTADO EM TEXTO. É MAIS COMPLICADO REUNIR AS PESSOAS NO MUNDO REAL, AQUI NA CIDADE, E COMO NÃO TENHO RECURSOS PARA FAZER ESSAS “REUNIÕES DE FÃS” COMO O ÚLTIMO OCORRIDO: O ANIME GV EM GOVERNADOR VALADARES MINAS GERAIS. LOGO, IREMOS CONTINUAR COM AS ANÁLISES AQUI NESTE SITE, DESTA FORMA.”.
Eu sou um fã de longa data, e como acontecia com a maioria das pessoas, não conseguia acompanhar todos os episódios em sequência, contudo, agora que a Disney+ está trazendo para o Brasil (com a incrível novidade de estar no idioma original), posso acompanhar todos os episódios e usarei este espaço para comentar sobre os mesmos. Prometo melhorar com os próximos. E gostaria do retorno de vocês para comentar e interagir, pois foi para isso que criei esse site.
Meu nome é Jefferson Eduardo da Silva Nunes, este é o meu espaço criado de fã para fã, através da plataforma Blogger. O filme, está disponível no catálogo da Disney Plus, com o áudio no idioma original e com duração de 02 horas, 34 minutos e 03 segundos.
Assistido no dia 04/06/2026, e apenas agora, pude postar o conteúdo, fique à vontade, para comentar no projeto e peço que me ajudem a melhorar sempre a qualidade do conteúdo com seu feedback.

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